Corrida e Dermatologia
Saúde do homem começa pela pele
Publicados
3 meses atrásem
De
Redação RRBNovembro é o mês de falar sobre saúde do homem e a conversa vai muito além do câncer de próstata.
Entre os corredores e atletas, é comum cuidar da performance, do peso e do coração, mas esquecer daquilo que fala primeiro quando algo não vai bem: a pele.
A pele, que cobre e protege todo o corpo, é o espelho silencioso da saúde interna. Ela reflete hábitos, hormônios, alimentação, sono, estresse e até doenças sistêmicas que ainda não deram outros sinais.
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A pele como mapa da saúde do corpo
A dermatologia moderna entende a pele como um órgão de comunicação entre o corpo e o ambiente.
Mudanças na coloração, textura, queda de cabelo, coceiras ou manchas não são apenas estéticas, muitas vezes, são os primeiros sintomas de doenças internas.
O que a pele pode revelar:
- Manchas ou feridas que não cicatrizam: podem indicar diabetes ou má circulação.
- Ressecamento intenso e descamação: podem estar ligados a disfunções da tireoide.
- Alterações nas unhas: podem refletir anemia, psoríase ou infecções fúngicas crônicas.
- Lesões pigmentadas ou pintas novas: podem sinalizar melanoma ou outros tipos de câncer de pele.
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O dermatologista: o clínico geral da pele
Ao contrário do que muitos homens imaginam, o dermatologista não cuida apenas de acne, cabelo ou estética. Ele é, cada vez mais, o profissional que identifica desequilíbrios metabólicos e hormonais precoces.
Durante uma consulta dermatológica, é possível detectar sinais de:
- Diabetes tipo 2, pela presença de manchas escurecidas (acantose nigricans).
- Hipertensão, por alterações em extremidades e vasos capilares.
- Distúrbios hormonais masculinos, por queda capilar e acne de início tardio.
São alguns dos vários sinais que podem estar presentes. (RODRIGUES, R. F. et al. Manifestações cutâneas associadas a doenças sistêmicas. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 96, n. 6, p. 745–760, 2021. DOI: 10.1016/j.abd.2021.08.006.)
Autocuidado não é vaidade, é prevenção
Os homens ainda são os que menos procuram o dermatologista. O resultado? A maioria chega já com doenças em estágio avançado; e, por vezes mais graves, em decorrência de um diagnóstico mais tardio.
Mas esse cenário está mudando. A nova geração de corredores, triatletas e entusiastas do bem-estar começa a entender que autocuidado é uma forma de performance: quem dorme bem, hidrata e protege a pele, recupera melhor e tem mais energia para treinar.
Check-up dermatológico masculino ideal:
- 1x por ano, incluindo avaliação de pintas, couro cabeludo e unhas.
- Exame de corpo inteiro com dermatoscopia.
- Avaliação de manchas solares e lesões de atrito (como nos mamilos e virilha).
- Revisão de hábitos de fotoproteção e produtos usados pós-treino.
Sem tabu: estética também é saúde
O cuidado com a aparência não é vaidade, é bem-estar.
Procedimentos simples, como limpeza de pele, hidratação facial e tratamento da queda capilar, aumentam a confiança e a motivação, fatores diretamente ligados à saúde mental e ao desempenho esportivo. A dermatologia masculina evoluiu: há fórmulas e tratamentos adaptados à pele mais espessa e oleosa dos homens, sem complicações nem excesso de produtos.
Conclusão
A saúde do homem começa pela pele porque é nela que o corpo dá seus primeiros sinais.
O autocuidado não precisa ser complicado, nem excessivo.
Basta atenção, prevenção e a decisão de olhar para si com o mesmo compromisso que se dedica aos treinos.
Neste Novembro Azul, o convite é simples:
Faça seu check-up. Use protetor solar. Cuide da pele. Afinal, a melhor linha de chegada é a de uma vida longa e saudável.
Por: Dra Sabrina Cabral Bezerra – Dermatologista CRM 153146 RQE 51002

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Corrida e Dermatologia
Suplementos para pele de corredor: o que a ciência confirma e o que é só moda
Publicados
2 meses atrásem
12/12/2025De
Redação RRBQuem corre busca saúde, energia e performance.
E, nos últimos anos, os suplementos voltados para “pele, cabelo e unhas” se tornaram populares entre corredores, principalmente entre mulheres que treinam ao ar livre. Mas nem tudo que aparece no rótulo tem comprovação.
Alguns suplementos realmente ajudam a proteger a pele da radiação, a reduzir inflamação e até a prevenir câncer de pele em pessoas de risco.
Outros, são apenas marketing bem embalado.
Afinal, o que funciona de verdade?
1.Nicotinamida: a vitamina que protege a pele do sol
Essa funciona. E muito.
O maior estudo sobre prevenção de câncer de pele não melanoma(NEJM, ONTRAC) mostrou que a nicotinamida 500 mg 2x/dia reduziu em 23% a formação de novos tumores cutâneos em pacientes de alto risco.
Para quem treina ao ar livre, isso significa:
- menos dano por UV
- melhor reparo do DNA
- menor inflamação cutânea
Indicações reais:
- Histórico pessoal de câncer de pele
- Fotodano intenso
- Corredores com exposição elevada ao sol
Não é: suplemento estético.
2. Polypodium leucotomos: o “fotoprotetor oral”
Suplemento de origem vegetal com forte ação antioxidante.
Estudos mostram que ele:
- aumenta a tolerância da pele ao UV
- reduz eritema
- diminui inflamação e dano celular
É um bom coadjuvante para quem:
- corre no sol com frequência
- tem melasma
- possui fotodermatoses
- participa de provas longas ao ar livre
Mas atenção:
Ele não substitui protetor solar tópico.
É um reforço, não o escudo principal.
3. Ômega-3: anti-inflamatório sistêmico
Os ácidos graxos (EPA e DHA) têm papel importante em doenças dermatológicas inflamatórias, como:
- psoríase
- dermatite atópica
- acne inflamatória
Para corredores, podem ajudar quando há:
- pele sensibilizada por suor e atrito
- eczema recorrente
- crises inflamatórias pós-prova
Funciona melhor como adjuvante.
4. Colágeno hidrolisado, peptideos de colageno: o mais controverso
Até 2023 os estudos mostravam melhora em:
✔ hidratação
✔ elasticidade
✔ rugas finas
Recentemente em setembro de 2025 foi publicado um estudo clinico que não evidenciou beneficio.
5. Probióticos: promessas, mas depende da cepa
As evidências têm crescido principalmente para:
- dermatite atópica (especialmente na infância)
- acne inflamatória (como complemento)
Mas cuidado:
Probióticos não são todos iguais.
O efeito depende da cepa específica usada nos estudos.
Não dá para generalizar.
6. “Cápsulas de beleza”: o que é mito?
Muitos suplementos vendidos como “para cabelo, pele e unhas” parecem milagrosos mas são, na prática, multivitamínicos genéricos.
Quando fazem sentido:
- Quando existe deficiência real de ferro, zinco, vitamina D, proteínas ou B12.
Quando não fazem:
- Quando usados sem avaliação médica.
- Quando prometem “crescimento acelerado de cabelo”.
- Quando trazem megadoses de biotina (que ainda atrapalha resultados de exames).
O que a ciência NÃO respalda
- cápsulas para “celulite”
- suplementos anti-manchas sem estudo clínico
- megadoses de antioxidantes “anti-idade”
- fórmulas que prometem “efeito botox oral”
- colágeno como substituto de procedimentos
A dermatologia séria não trabalha com promessas mágicas.
O que faz sentido para o corredor?
- Para quem corre ao sol: polypodium + nicotinamida (em casos selecionados)
- Para quem tem melasma: antioxidantes com filtro oral + protetor com cor
- Para quem tem pele inflamada: ômega-3 + skincare suave
- Para quem está envelhecendo com sol: skincare adequado, procedimentos dermatológicos individualizados
- Para quem está cansada/o e com queda de cabelo: investigar antes de suplementar
Conclusão: suplemento não é milagre é estratégia
Para o corredor, suplementação eficaz é aquela baseada em evidência, não em marketing.
O que realmente funciona na pele é sempre uma soma de:
- sol com moderação
- protetor solar diário
- hidratação
- dieta equilibrada
- treino inteligente
- suplementos apenas quando fazem sentido
Na corrida e no cuidado da pele o que vence é a constância, não a promessa.
Dra Sabrina Cabral Bezerra
Dermatologista CRM 152146 RQE 51002
@dermatosports

Corrida e Dermatologia
Melasma na mulher que corre: o que a ciência revela
Publicados
2 meses atrásem
19/11/2025De
Redação RRBQuem corre ao ar livre conhece bem o prazer de sentir o vento no rosto e o sol aquecendo a pele. Mas para muitas corredoras, essa combinação também traz um desafio persistente: o melasma.
O melasma não é só uma “mancha”, é uma condição inflamatória crônica, que acontece em uma pele naturalmente mais sensível e reativa, influenciada por hormônios, genética e exposição à luz.
Hoje sabemos que a mulher que corre vive exposta a estímulos que ativam o melanócito (célula produtora de melanina) o tempo todo, mesmo quando não há sol direto.
As pesquisas confirmam que a pele da mulher com melasma funciona de forma biologicamente diferente, e a corrida ao ar livre pode acionar mecanismos que pioram o quadro.
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A ciência do melasma: muito além do sol
Com base no artigo “Pathogenesis of Melasma Explained” (IJD, 2025), o melasma hoje é entendido como uma desordem complexa que envolve:
✔️ Inflamação persistente
O melasma é alimentado por mediadores inflamatórios (ex.: IL-17, TNF-α). A pele inflamada responde com mais pigmentação.
✔️ Disfunção da barreira cutânea
Mulheres com melasma têm a barreira da pele mais permeável, perdendo mais água e ficando mais reativas.
✔️ Ativação exagerada dos melanócitos
Os melanócitos não são “preguiçosos”, são hiperativos. Eles produzem melanina com estímulos mínimos: calor, luz visível ou ultravioleta.
✔️ Fibroblastos senescentes e elastose solar
O artigo descreve que peles com melasma têm:
- aumento de fibroblastos envelhecidos,
- dano ao colágeno,
- maior quantidade de elastose solar.
Isso faz com que o pigmento “grude” mais na pele.
✔️ Aumento de mastócitos
Mastócitos liberam histamina → mais inflamação → mais melanina. O melasma é, em parte, uma “dermatite crônica pigmentante.”
✔️ Vascularização aumentada
A pele da região afetada tem mais vasos sanguíneos, o que estimula melanócitos e dificulta clareamento.
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E o que tudo isso tem a ver com a corredora?
Muito.
A mulher que corre ao ar livre está exposta a praticamente todos os gatilhos científicos do melasma.
1. Luz visível (inclusive azul)
Segundo o artigo, a luz visível penetra profundamente e piora o melasma mesmo sem UV.
A corredora recebe luz visível:
- pela manhã,
- ao final da tarde,
- em dias nublados.
2. Suor e inflamação
O suor altera o pH da pele e fragiliza a barreira.
Pele inflamada + barreira frustante = mais risco de pigmentação.
3. Atrito
O atrito promove inflamação e libera substâncias que ativam melanócitos (substância P, histamina).
4. Fatores hormonais
hormônios sexuais + inflamação + luz = o tripé do melasma feminino.
Por que o melasma é tão teimoso?
❗ O melanócito do melasma é hiper-reativo
Ele precisa de menos estímulo para produzir mais melanina.
❗ O ambiente dérmico está alterado
Inflamação, vasodilatação, fibroblastos senescentes, tudo isso reforça o ciclo da mancha.
❗ O dano à barreira impede recuperação
A pele perde água e fica mais vulnerável a estímulos externos.
❗ O processo é crônico
Ou seja: é controlável, mas não “curável”.
Como controlar o melasma (de verdade) no dia a dia da corredora
1. Fotoproteção inteligente
* Protetor com cor (protege contra luz visível)
* FPS 50+
* Resistente ao suor
* Reaplicação a cada 2–3 horas
* Boné de aba larga + tecido respirável
*Os filtros minerais e protetores com óxido de ferro são os mais eficazes.*
2. Escolha bem o horário do treino
3. Cuidados pós-treino para reduzir inflamação
- Niacinamida
- Ácido azelaico
- Tiamidol
- Antioxidantes (vitamina C estabilizada)
4. Reconstrução da barreira cutânea
- Ceramidas
- Esqualano
- Pantenol
Esses ativos restauram a barreira e reduzem o sinal inflamatório que piora o melasma.
5.Tratamentos dermatológicos com base em evidência cientifica
* Hidroquinona (uso cíclico)
* Retinoides
* Ácido tranexâmico (tópico e oral)
- Tiamidol
- Microaglhamento leve com cautela
* Peelings não inflamatórios
* laser
* Luz intensa pulsada em casos com componente vascular
Hoje tratamos o melasma olhando para **melanina + inflamação + vasos + barreira cutânea**.
Conclusão
O melasma não tem cura, mas tem controle. O sucesso do tratamento depende da regularidade: proteger todos os dias, tratar com paciência e evitar excessos. Com estratégias inteligentes, proteção consistente e cuidado diário, é totalmente possível controlar a condição sem abrir mão da corrida.
O mais importante é lembrar:
Você não tem melasma por descuido, você tem melasma por biologia. E a ciência é a sua aliada.
Por: Dra Sabrina Cabral Bezerra – Dermtologista CRM 153146 RQE 51002

Corrida e Dermatologia
Maquiagem Esportiva: Vaidade ou Vilã da Performance
Publicados
3 meses atrásem
07/11/2025De
Redação RRBCorrer de rosto limpo ou maquiada? Essa dúvida divide opiniões entre corredoras, algumas não abrem mão da base e do rímel mesmo na largada, enquanto outras preferem a pele livre para suar sem preocupação.
A verdade é que a maquiagem esportiva não precisa ser vilã, desde que seja usada com consciência.
O segredo está em entender como os cosméticos interagem com o suor, o calor e o atrito da corrida, e escolher produtos formulados para acompanhar o ritmo do corpo e não para competir com ele.
Quando a maquiagem vira problema
Durante o exercício a combinação de suor, calor e produtos inadequados (especialmente bases pesadas, primers e corretivos densos) podem formar uma camada oclusiva levando a obstrução de poros, acne, irritação e até dermatites.
A maquiagem convencional não foi desenvolvida para a realidade do exercício intenso.
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Make esportiva existe e pode ser aliada
A indústria cosmética evoluiu e hoje há maquiagens pensadas para quem pratica esportes.
Esses produtos são oil free, não comedogênicos e resistentes ao suor, permitindo boa fixação sem sufocar a pele.
Procure no rótulo:
- Dermatologicamente testado
- Resistente à água e ao suor
- Não comedogênico
- FPS (fator de proteção solar)
Itens-chave para quem quer usar make com segurança:
- Protetor solar com cor: une proteção e leve cobertura.
- Máscara de cílios à prova d’água: evita escorrimento nos olhos.
- Bálsamo labial com FPS: hidrata e protege contra rachaduras
- Pó translúcido matificante, mineral: controla brilho sem obstruir poros.
- Batom e blush: escolha fórmulas em bastão ou stains (manchas) que fixam bem e não escorrem.
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Pós-treino : o momento mais importante
O erro mais comum não é usar a maquiagem, é não removê-la corretamente depois.
Após o treino, o ideal é lavar o rosto com sabonete suave e água fria seguido de hidratante leve.
Evite demaquilantes com álcool e fragrância intensa. Prefira água micelar ou demaquilantes bifásicos suaves, que limpam sem agredir.
Pele real, performance real
Cuidar da aparência não é só vaidade, é uma forma de se sentir bem. Mas a pele é um órgão ativo e durante o exercício ela precisa funcionar livremente para regular temperatura.
O equilíbrio é simples: leveza, proteção e limpeza.
Com esses três pilares, é possível cruzar a linha de chegada com pele saudável e autoestima intacta.
Lembre-se: a melhor maquiagem para uma corredora é o brilho natural da conquista pessoal, complementado por produtos que respeitem sua pele e sua paixão pelo esporte.
Corra, suave e brilhe com saúde e estilo!
Por: Dra Sabrina Cabral Bezerra

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