Quando o coração fala mais alto: O que a corrida ensina sobre carreira e performance
Em 2019, meses antes da minha primeira maratona, decidi realizar um check-up completo. Entre os exames, fiz o espiroergométrico, aquele que avalia o desempenho cardiovascular e respiratório sob esforço físico. O resultado foi surpreendente: desempenho equivalente ao de um atleta, mesmo aos 45 anos. Foi um marco pessoal, quase como um carimbo confirmando que os treinos, a disciplina e o cuidado comigo mesmo estavam valendo a pena.
Três anos depois, prestes a correr minha segunda maratona, repeti o exame. Mas o resultado não foi o mesmo. A performance havia caído significativamente. Fiquei frustrado, comparando com o laudo anterior, sem levar em conta fatores externos que vivia naquela fase, minha idade e minha rotina mais pesada. Olhando para trás, percebo que aquele sentimento de perda só existia porque eu estava me comparando com um momento que já não era o mesmo.
Essa experiência me trouxe uma reflexão importante: a corrida, assim como a carreira, não é linear. Há fases de evolução, platôs, quedas e retomadas. O que precisamos aprender é a respeitar o momento, cuidar do nosso coração e entender que cada etapa tem seu valor.
O que a corrida me ensinou sobre carreira e coração
1. Comparar versões antigas de nós mesmos não faz sentido. Na corrida, comparar exames de 2019 com os de 2022 foi injusto. Na carreira, comparar seu desempenho de hoje com o de cinco anos atrás, sem considerar contexto, mercado, estrutura e demandas, também pode ser cruel. Avalie sua trajetória pelo conjunto, não por um recorte isolado.
2. Performance depende de fatores internos e externos. Um coração saudável depende de treino, descanso, alimentação e sono. Já na carreira, a performance depende de ambiente organizacional, liderança, cultura, além do seu próprio preparo. Nem sempre a queda de resultados é falta de competência, às vezes é o contexto que mudou.
3. Respeitar limites é inteligência, não fraqueza. Forçar o corpo em excesso pode gerar lesão ou problema cardíaco sério. No trabalho, forçar além do limite pode gerar burnout, estresse e até doenças. Saber pausar, descansar e recuperar não é sinal de fraqueza, mas sim de estratégia.
4. Constância vence intensidade isolada. Um exame brilhante não define a saúde do coração, assim como um ano excepcional não define uma carreira. O que importa é a constância ao longo do tempo, cuidar-se todos os dias, entregar resultados consistentes, construir uma base sólida.
5. O coração precisa de atenção dentro e fora da corrida. Assim como monitoramos batimentos, pressão e condicionamento físico, precisamos monitorar também nossos batimentos profissionais: nível de estresse, equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, satisfação no que fazemos. O coração é o motor de tudo, no esporte e na vida corporativa.
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Se o exame de 2019 mostrou meu auge, e o de 2022 apontou uma queda, ambos foram apenas fotografias de momentos diferentes. Nenhum deles define meu valor ou meu futuro. A lição que fica é: cuide do coração, no asfalto e no escritório. Ele é o único motor que não pode ser substituído.
Na corrida e na carreira, a chave não é viver de recordes, mas sim garantir que o coração continue batendo forte, no ritmo certo, para que possamos cruzar muitas linhas de chegada ainda pela frente.
Por: Eduardo Rodrigues

