Corrida, música e bem-estar: por que uma nova geração de festivais está conquistando o mundo
Durante décadas, os festivais foram sinônimo de música. As competições esportivas, por sua vez, tinham como foco principal o desempenho e a superação. Nos últimos anos, porém, essas fronteiras começaram a desaparecer. Uma nova geração de eventos tem reunido corrida, atividades físicas, práticas de bem-estar, gastronomia, arte, música e contato com a natureza em uma mesma experiência, acompanhando uma mudança de comportamento que vem ganhando força em diferentes países.
Segundo o Global Wellness Institute, o setor de bem-estar movimentou US$ 6,8 trilhões em 2024 e a projeção é alcançar US$ 9,8 trilhões até 2029. No universo esportivo, a tendência também aparece: o relatório Year in Sport 2025, da plataforma Strava, aponta que a Geração Z tem trocado parte do tempo de tela por experiências presenciais ligadas ao esporte e à comunidade, com 75% mais probabilidade do que gerações anteriores de participar de atividades físicas motivada por provas, desafios e eventos coletivos.
Entre trilhas, música e natureza
Marcado para estrear em 29 de agosto, em Mairiporã (SP), o Lost & Found se apresenta como o primeiro festival brasileiro a integrar música, esporte e wellness em uma experiência imersiva. Durante 12 horas de programação, os participantes poderão escolher como desejam viver o evento: corridas de trilha de 5 e 10 quilômetros, Night Run, spinning, yoga, funcional, alongamento, Beer Mile, respiração guiada, Sound Healing, Danzamedicina, espaço recovery com sauna e banheira de gelo, talks sobre saúde e longevidade, além de gastronomia, área kids e espaços de convivência.
A música acompanha toda a jornada em três palcos diferentes, com line-up que reúne Rael, Rachel Reis, DJ Marky, André Frateschi, Dre Guazzelli, Luísa Viscardi e Sarah Stenzel, além de DJs e experiências sonoras voltadas ao relaxamento. As inscrições estão abertas pela Ticket Sports, em duas modalidades: Ingresso Festival e Combo (ingresso + prova de corrida em trilha).
Turismo esportivo em expansão
Outra iniciativa que representa essa mudança é o Bota Pra Correr, festival realizado pela Olympikus que chega à 12ª edição em 2026. Neste ano, o encontro será na Chapada dos Guimarães (MT), reunindo aproximadamente 1.600 corredores em provas de 12 km, 21 km e uma corrida de trilha de 19 km dentro do Parque Nacional. Ao longo da última década, o projeto percorreu destinos como Jalapão, Pantanal, Serra do Cipó, Chapada dos Veadeiros, Itacaré, Morretes e Cumbuco — o destino deixa de ser apenas cenário e passa a fazer parte da experiência.
Impacto na saúde mental
Para a psicóloga Helena Vasconcellos, especialista em comportamento humano e saúde emocional, o sucesso desse formato está relacionado às necessidades da sociedade contemporânea.
“Vivemos uma rotina marcada por excesso de estímulos digitais, isolamento e estresse constante. Eventos que combinam movimento, lazer, natureza e interação social favorecem a redução da ansiedade, fortalecem o sentimento de pertencimento e estimulam emoções positivas”, explica.
Porta de entrada para um estilo de vida ativo
Na avaliação do profissional de Educação Física e especialista em biomecânica Ricardo Menezes, o novo formato também aproxima mais pessoas da prática regular de exercícios.
“Quando a atividade física deixa de estar associada apenas ao rendimento esportivo e passa a fazer parte de uma experiência prazerosa, as barreiras diminuem. Muitas pessoas chegam por causa da música ou da convivência e acabam descobrindo que gostam de caminhar, correr ou participar de outras modalidades”, afirma.
Segundo o especialista, ambientes descontraídos também reduzem o medo comum entre iniciantes: o foco está na vivência, o que gera acolhimento e mostra que atividade física pode ser sinônimo de diversão, socialização e bem-estar.
Fontes das imagens
Fotos: Gui Leporace
