Siga nossas redes sociais

Neurociência e a Corrida

A Jornada no Camping dos Andes em Cochabamba – Altitude e Superação

Avatar photo

Publicados

em

A busca por novos limites e aprimoramento contínuo é uma constante na vida de atletas e entusiastas do esporte. Para alguns, isso significa ir além do conhecido, e para Carlos Campelo (@soucarloscampelo), essa busca o levou a um dos cenários mais inspiradores e desafiadores da América do Sul: Cochabamba, na Bolívia. Lá, ele participou do intenso “Camping dos Andes”, uma jornada de autodescoberta e superação que teve o privilégio de ser vivenciada sob a experiente e inspiradora condução do Professor Ademir Paulino.

Ademir Paulino (@ademir_paulino e @ademirpaulinoassessoria) não é apenas um treinador; ele é um ícone do esporte brasileiro. Renomado mundialmente como campeão de Aquathlon (uma disciplina que combina natação e corrida), ele conquistou o título mundial em Pequim em 2011 e foi vice-campeão em 2014 no Canadá, na categoria 35-39 anos da ITU (International Triathlon Union). Sua expertise em provas de endurance é incontestável, forjada em anos de alta performance. Além de sua brilhante carreira como atleta, Ademir canalizou sua paixão e conhecimento para o desenvolvimento de outros esportistas. Ele fundou sua própria Assessoria Esportiva Ademir Paulino, onde treina atletas de diversas modalidades como corrida, natação e triathlon, com um foco holístico que transcende o físico, mirando o desenvolvimento pessoal de cada um. Seu pioneirismo se estende a projetos internacionais, sendo ele o idealizador do “Kenya Experience Brasil“, levando corredores brasileiros para o berço do atletismo de fundo, em Iten, no Quênia, para treinar lado a lado com a elite mundial. Adicionalmente, seu compromisso social se manifesta no Instituto Ademir Paulino, que promove o esporte para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade, demonstrando que sua visão vai além das pistas. Ter um mentor com tal calibre e experiência à frente do grupo fez toda a diferença, transformando o desafio da altitude em uma oportunidade ímpar de aprendizado e crescimento.

Carlos Campelo não estava sozinho nessa empreitada. Ele e seus colegas formaram um grupo coeso de oito atletas determinados, todos em busca do mesmo objetivo: aprimorar a performance e a resiliência em condições extremas. Além de Carlos Campelo (@soucarloscampelo), estavam Dany Lira (@danylira), Pablo Aviles (@pablito_pbl), Rogério Zaghi (@rogeriozaghi), Nilson Lee (@leerun42k) e sua esposa Mai Lee (@maiyingna), Zepa (@veioquecorre) e Leandro Yoshimura (@dr.leandroyoshimura). Cada um com sua própria história e motivações, mas unidos pelo mesmo espírito de aventura e superação. E para garantir que cada passo fosse seguro, cada momento registrado e cada necessidade atendida, contaram com o suporte incansável de Betinho (@zeroberto_costa), o verdadeiro “anjo da guarda” do grupo, responsável pela logística, filmagem e fotografias, eternizando a jornada com maestria. Todas as atividades propostas, os horários e a intensidade dos treinos foram meticulosamente planejados e conduzidos pelo Professor Ademir Paulino, que acompanhou o grupo em cada quilômetro e em cada subida, transmitindo seu vasto conhecimento e motivação inesgotável.

Em meio a toda a exigência física, momentos de descontração e a troca de experiências enriqueciam ainda mais a convivência. O grupo teve a sorte de ter entre eles Rogério Zaghi (@rogeriozaghi), que além de corredor, é um talentoso pianista. Suas performances, com músicas clássicas, brindavam o grupo com momentos de pura arte, oferecendo um contraste suave e bem-vindo à intensidade dos treinos e reforçando os laços de amizade e camaradagem que se formaram.

Cochabamba

Carinhosamente conhecida como a “Ciudad Jardín” da Bolívia, é uma pérola encravada em um vale exuberante nos Andes. Situada a aproximadamente 2.558 metros acima do nível do mar, a cidade oferece um clima agradável e, mais importante para um atleta, um ambiente de altitude estratégica. Sua geografia e atmosfera a tornam um local privilegiado para o treinamento de alto rendimento, atraindo esportistas de diversas modalidades em busca dos benefícios fisiológicos que apenas o ar rarefeito pode proporcionar. As paisagens naturais, que variam de planícies a picos montanhosos, criam um pano de fundo espetacular para qualquer atividade física, adicionando uma camada extra de inspiração e beleza à dureza do treino.

Um dos símbolos mais icônicos de Cochabamba, e que se tornaria parte integrante do desafio do grupo, é o Cristo de la Concordia. Erguendo-se majestosamente no topo do Cerro San Pedro, esta imponente estátua de Jesus Cristo é uma das maiores do mundo, superando inclusive o famoso Cristo Redentor do Rio de Janeiro. Além de ser um monumento religioso, o Cristo de la Concordia é um farol que abençoa a cidade e oferece uma vista panorâmica de tirar o fôlego, tornando-o um ponto de peregrinação e um desafio físico para os que ousam subir seus 1399 degraus.

Mas por que, afinal, viajar para a altitude para treinar?

A resposta reside em uma complexa adaptação fisiológica do corpo humano. Quando exposto a altitudes elevadas, onde a pressão atmosférica é menor e o oxigênio é menos abundante, o organismo inicia um processo de aclimatação. Uma das respostas mais cruciais é o aumento da produção de eritropoietina (EPO), um hormônio que estimula a medula óssea a produzir mais glóbulos vermelhos. Com mais glóbulos vermelhos, a capacidade do sangue de transportar oxigênio para os músculos melhora significativamente. Isso significa que, ao retornar ao nível do mar, o corpo opera com uma eficiência de oxigenação superior, resultando em maior resistência, menor fadiga e uma capacidade atlética aprimorada. É a vantagem biológica que muitos atletas buscam para otimizar seu desempenho em competições.

Além dos desafios físicos, Cochabamba brindou o grupo com uma rica experiência cultural e gastronômica. A culinária cochabambina é famosa em toda a Bolívia, conhecida por sua abundância e sabores marcantes. O grupo teve a oportunidade de provar pratos robustos e deliciosos, ideais para repor as energias após os intensos treinos. Destacam-se o “Pique Macho“, um prato farto com pedaços de carne, salsicha, batata frita, ovos e vegetais, perfeito para compartilhar; as “Salteñas“, pasteizinhos assados recheados com carne ou frango, que são um deleite para o café da manhã ou lanche; e o “Silpancho“, um bife empanado finíssimo servido sobre arroz e batatas, coberto com ovos fritos. Essa riqueza de sabores, combinada com a hospitalidade local, tornou a experiência em Cochabamba completa, nutrindo não apenas o corpo, mas também a alma.

Atividade por Atividade

A semana em Cochabamba foi meticulosamente planejada para maximizar cada gota de suor e cada respiração rarefeita, conforme detalhado no planejamento do Cochabamba 2026, e tudo sob a batuta do Professor Ademir Paulino. Com sua vasta experiência como campeão mundial de Aquathlon e especialista em endurance, ele guiou, orientou e motivou o grupo, garantindo que cada um atingisse seu potencial máximo de forma segura e eficiente. A seguir, são detalhadas as atividades que Carlos Campelo e seus colegas foram conduzidos, revelando a intensidade e a variedade de estímulos:

Dia 01: Iniciando a Aclimatação e Explosão em Pista de Elite (12/02/2026 – Quinta-feira)

O primeiro dia foi um “cartão de visitas” da altitude, com o Professor Ademir Paulino instruindo o grupo sobre o ritmo adequado para a aclimatação inicial. Carlos Campelo e os outros iniciaram com 45 minutos de corrida em pista atlética, cobrindo 7 quilômetros. O ritmo na altitude é diferente, e a percepção do esforço é elevada. A sensação de ter que trabalhar mais para cada lufada de ar é imediata. Logo após esta corrida de base, ainda pela manhã, o grupo realizou dois tiros de 200 metros na renomada pista coberta do Estádio Municipal de Cochabamba. Esta não é uma pista qualquer; ela é atualmente a única pista de atletismo indoor oficial e certificada pela World Athletics em toda a América do Sul. Por ser situada em altitude elevada, o que influencia diretamente o desempenho, especialmente em provas de velocidade, e por sua certificação, ela é uma referência para competições indoor no continente, incluindo o Sul-Americano de Atletismo, sendo crucial para a homologação de recordes e índices. Treinar em um local com tamanha importância e especificidade técnica, sob a orientação de um campeão mundial, para focar na velocidade e na explosão, foi um desafio adicional com o oxigênio limitado, sempre com as correções e incentivos do professor. A sessão vespertina foi dedicada ao fortalecimento, preparando a musculatura para as demandas dos dias seguintes. Este dia serviu como uma “entrada” para o que viria, permitindo ao corpo iniciar o processo de aclimatação enquanto ainda mantinha a intensidade.

Dia 02: Desbravando Terrenos e Vencendo a Vertigem com o Cristo de la Concordia (13/02/2026 – Sexta-feira)

O segundo dia testou a adaptabilidade e a resistência do grupo, com o Professor Ademir Paulino incentivando-os a cada passada. Foram 55 minutos de corrida em pista de chão na deslumbrante Laguna Alalay, totalizando 9,5 quilômetros. Correr em terreno de terra exige maior estabilidade e ativação de músculos estabilizadores, além de ser um excelente treino cardiovascular. O ponto alto, literalmente, foi a desafiadora escadaria que os levou até o Cristo de la Concordia. Foram 30 minutos subindo incansavelmente, vencendo 300 metros de elevação e 1399 degraus. Esta atividade é um verdadeiro teste de força muscular, resistência cardiorrespiratória e, acima de tudo, resiliência mental. Cada degrau era uma batalha que o grupo enfrentava junto, com o professor motivando-os, compartilhando sua experiência em desafios semelhantes.

Ao alcançar o topo, a recompensa era grandiosa: uma vista panorâmica espetacular de Cochabamba, que se estendia por todo o vale. A cidade, com suas ruas e edifícios, parecia um grande mosaico sob o céu andino. Ao longe, era possível avistar os picos nevados da Cordilheira dos Andes, um espetáculo natural que lembrava a imensidão da natureza e da própria jornada. Olhar para baixo, para a cidade que haviam percorrido e para onde voltariam, reforçava o senso de conquista e a beleza do sacrifício. A figura imponente do Cristo, com seus braços abertos, parecia abençoá-los e dar-lhes força para o restante do acampamento.

Dia 03: Longão e Recuperação Estratégica para o Grupo (14/02/2026 – Sábado)

O sábado foi o dia do “longão”: 16 quilômetros percorrendo a ciclovia e novamente a Laguna Alalay. Corridas de longa duração são fundamentais para construir a base aeróbica e a resistência mental, e fazê-las na altitude amplifica esses benefícios. A paisagem ao redor da laguna, com sua vida selvagem e a serenidade da água, ofereceu um contraponto calmante à exigência física. O Professor Ademir Paulino lembrava constantemente da importância de manter o ritmo e a hidratação, compartilhando estratégias de endurance que ele próprio aplicou em seus campeonatos. Compreendendo a importância da recuperação em um treinamento tão intenso, a tarde foi dedicada a uma merecida sessão de massagem para todo o grupo, essencial para relaxar os músculos, reduzir a fadiga e preparar o corpo para os próximos desafios.

Dia 04: O Desafio da Laguna Corani (15/02/2026 – Domingo)

O domingo trouxe um dos momentos mais marcantes: 10 quilômetros de corrida na altitude da Laguna Corani, no município de Colomi. Este local, conhecido por sua elevação ainda maior que a cidade de Cochabamba, potencializou os efeitos do treino em hipóxia. Correr em um ambiente com oxigênio ainda mais rarefeito é um divisor de águas, forçando o corpo a se adaptar de maneiras que o treinamento ao nível do mar jamais conseguiria. É um teste de fogo para o sistema cardiovascular e respiratório, que o Professor Ademir Paulino ajudava a monitorar, garantindo que ninguém excedesse seus limites de forma perigosa, aplicando seu conhecimento prático e teórico. À tarde, um fortalecimento seguido de alongamento garantiu que o corpo se mantivesse resiliente e flexível, pronto para a reta final da semana.

Dia 05: Tunari, o Gigante Final (16/02/2026 – Segunda-feira)

O último dia documentado foi uma verdadeira “prova de fogo”: subir o Parque Tunari. Primeiro, 1,6 quilômetros de subida íngreme, exigindo força nas pernas e um pulmão de ferro, tudo sob a supervisão atenta do professor, que os encorajava a cada passo. Em seguida, 6,1 quilômetros de descida do Parque Tunari até sua entrada, um tipo de treino que exige controle, estabilidade e absorção de impacto. Para finalizar, mais 5 quilômetros do Parque Tunari até o Grand Hotel Cochabamba, completando uma jornada variada e extremamente desafiadora, que simulou as diversas condições encontradas em provas de montanha. Este percurso, em particular, sintetizou a essência do treino em altitude: força, resistência, agilidade e adaptabilidade a mudanças de elevação, e a presença e orientação do Professor Ademir Paulino foram fundamentais para superarem cada trecho, com suas dicas valiosas para subidas e descidas em terrenos irregulares.

Os Inúmeros Benefícios Deste Mergulho Andino

A experiência no “Camping dos Andes” em Cochabamba, sob a orientação de um campeão mundial e especialista em endurance como Ademir Paulino, oferece uma gama de benefícios que se estendem muito além da performance física:

  1. Melhora da Capacidade Aeróbica (VO2 Max): O principal benefício da aclimatação à altitude é o aumento da produção de glóbulos vermelhos, elevando a capacidade de transporte de oxigênio. Isso se traduz diretamente em um VO2 máximo superior ao retornar ao nível do mar, permitindo sustentar esforços por mais tempo e em maior intensidade.
  2. Aumento da Resistência Muscular: O corpo se torna mais eficiente na utilização do oxigênio e na remoção de subprodutos metabólicos, retardando a fadiga muscular e permitindo treinos mais longos e eficazes.
  3. Fortalecimento Mental e Resiliência: Enfrentar a altitude é um desafio psicológico. A sensação de esforço amplificado e a superação de cada treino forjam uma mente mais forte, resiliente e focada, crucial para momentos de pressão em competições. A presença e os conselhos do professor, fruto de sua própria vivência em campeonatos mundiais, foram vitais para manter a mente de todos focada.
  4. Adaptação a Terrenos Variados: As corridas em pista de chão, escadarias e os percursos no Parque Tunari e Lago Colomi preparam o corpo para diferentes tipos de superfícies e inclinações, melhorando a propriocepção, o equilíbrio e a força em diferentes planos.
  5. Otimização da Economia de Corrida: O corpo aprende a ser mais eficiente com o oxigênio disponível, o que, ao nível do mar, resulta em uma corrida mais econômica, onde menos energia é gasta para manter um determinado ritmo.
  6. Recuperação Aprimorada: Embora o treino em altitude possa inicialmente dificultar a recuperação, o corpo se adapta e, a longo prazo, desenvolve mecanismos mais eficientes de recuperação, tornando-se mais apto a lidar com cargas de treinamento elevadas.
  7. Experiência e Conhecimento Corporal: Conhecer as reações do próprio corpo em condições extremas é um aprendizado valioso para qualquer atleta, permitindo um melhor planejamento de estratégias de prova e recuperação.

Navegando Pelas Dificuldades da Altitude

Apesar dos benefícios inegáveis, o treinamento em altitude não é isento de desafios. É fundamental estar ciente das possíveis dificuldades para enfrentá-las de forma eficaz, e ter o acompanhamento de um profissional tão qualificado como o Professor Ademir Paulino e o suporte de Betinho foi crucial:

  1. Mal da Altitude (AMS): Os primeiros dias são críticos. Sintomas como dor de cabeça, náuseas, fadiga excessiva, tontura e insônia são comuns. A chave, como ensinou o professor com sua experiência em ambientes de alta altitude, é uma aclimatação gradual, hidratação constante e evitar esforços muito intensos nas primeiras 48-72 horas.
  2. Redução Inicial da Performance: É natural sentir que o desempenho cai nas primeiras sessões. O ritmo de corrida diminui, a percepção de esforço aumenta e a velocidade máxima pode ser comprometida. É vital não se frustrar e entender que isso faz parte do processo de adaptação, algo que o Professor Ademir Paulino sempre lembrava, fundamentado em sua própria vivência e no acompanhamento de inúmeros atletas.
  3. Recuperação Lenta: O corpo gasta mais energia para se aclimatar, o que pode prolongar o tempo de recuperação entre os treinos. Priorizar o sono, a nutrição adequada e sessões de recuperação ativa, com a organização de Betinho, foram essenciais.
  4. Desidratação Acelerada: O ar seco da altitude e o aumento da frequência respiratória contribuem para uma perda maior de líquidos. A hidratação deve ser redobrada para evitar a desidratação, que pode agravar os sintomas do mal da altitude e comprometer o desempenho.
  5. Exigência Mental: A constante sensação de esforço e a necessidade de superar a si mesmo dia após dia podem ser desgastantes. Manter uma atitude positiva e focar nos objetivos a longo prazo é crucial, e o apoio do grupo e as palavras de incentivo do professor, um verdadeiro mestre em resiliência mental, foram um combustível inestimável.
  6. Planejamento Nutricional: As necessidades energéticas e nutricionais podem mudar. Uma dieta balanceada, rica em carboidratos complexos e proteínas, é vital para sustentar o corpo e auxiliar na recuperação, e a rica e reconfortante gastronomia local de Cochabamba foi uma aliada nesse aspecto, proporcionando pratos nutritivos e saborosos.

Uma Transformação que Ressoa, Marcada por Companheirismo e a Liderança de um Campeão

A participação de Carlos Campelo no “Camping dos Andes” em Cochabamba foi muito mais do que uma série de treinos intensos; foi uma jornada de autodescoberta e aprimoramento em múltiplos níveis, profundamente marcada pela liderança e sabedoria do Professor Ademir Paulino, um campeão mundial (@ademir_paulino, @ademirpaulinoassessoria), e pelo companheirismo de ZEPA (@veioquecorre), Rogério (@rogeriozaghi), Leandro (@dr.leandroyoshimura), Pablito (@pablito_pbl), Dani (@danylira), Lee (@leerun42k) e Mai (@maiyingna), além do suporte essencial de Betinho (@zeroberto_costa). Cada corrida, cada subida, a escalada até o Cristo de la Concordia, e cada gota de suor foram investimentos na capacidade atlética e na resiliência do grupo. A beleza rústica e desafiadora dos Andes, a imponente figura do Cristo de la Concordia abençoando a cidade, o sabor inesquecível da culinária local e o ar rarefeito, tudo isso combinado, criou um ambiente único que forçou corpo e mente a evoluírem.

A experiência deixou em Carlos Campelo e seus colegas não apenas ganhos fisiológicos significativos, que, sem dúvida, se traduzirão em melhor desempenho ao nível do mar, mas também uma profunda apreciação pela força do espírito humano e pela importância do trabalho em equipe. Enfrentar e superar as dificuldades da altitude, adaptando-se a novos desafios a cada dia, solidificou a convicção de que os limites são, muitas vezes, apenas percepções, e que com a orientação certa de um líder tão experiente e o apoio incondicional dos amigos, é possível ir muito além.

Cochabamba e o “Camping dos Andes” provaram ser o palco perfeito para essa transformação, preparando os atletas não apenas para futuras competições, mas para a vida, com uma capacidade renovada de enfrentar qualquer montanha que se apresente no caminho. A cada passo, a cada respiração, Carlos Campelo e seus companheiros se tornaram atletas mais completos, mais fortes e, acima de tudo, mais resilientes. A Bolívia não foi apenas um destino; foi um catalisador para a melhor versão de cada um, e a gratidão ao Professor Ademir Paulino e a toda a equipe por esta jornada inesquecível que, sob sua batuta, se tornou uma verdadeira lição de superação e camaradagem, é eterna.

Por: Carlos Campelo

Neurociência e a Corrida

Prevenindo o Burnout em Corredores de Rua: Estratégias para Manter uma Vida Esportiva Saudável

Avatar photo

Publicados

em

O burnout é uma condição de estresse ocupacional crônico que resulta em exaustão física e emocional, frequentemente atribuída a demandas excessivas no ambiente de trabalho. Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional, o burnout manifesta-se em três dimensões principais: exaustão, distanciamento ou negação, e uma sensação reduzida de eficácia profissional.

O burnout é uma preocupação crescente em diversas áreas e, no universo dos corredores de rua, não é diferente. Caracterizado por exaustão extrema, redução no desempenho e desinteresse pela atividade, o burnout pode afetar tanto a saúde mental quanto física do atleta. De acordo com uma pesquisa da Gallup divulgada em 2021, cerca de 76% dos trabalhadores experimentam burnout em algum momento de suas carreiras, com 28% relatando estar frequentemente em estado de burnout. Embora esses números sejam do ambiente de trabalho, o conceito se aplica de forma semelhante ao contexto esportivo, destacando a importância de intervenções adequadas. Este artigo explora os sinais do burnout em corredores e oferece estratégias baseadas em princípios científicos para prevenir e tratar essa condição, garantindo que a paixão pela corrida permaneça sustentável e prazerosa.

Faça parte do nosso grupo no Telegram

Faça parte do nosso grupo no WhatsApp

Compreendendo o Burnout no Esporte

Corredores podem experimentar burnout através de sintomas como exaustão física e emocional, que se manifesta como um sentimento persistente de fadiga que não melhora com o descanso. Além disso, eles podem observar um desempenho reduzido, notando uma diminuição na capacidade de correr distâncias ou tempos anteriormente confortáveis. Outro sinal é o desinteresse e distanciamento, com a perda de entusiasmo ou motivação para treinar ou competir. Por fim, muitos se deparam com uma falta de realização pessoal, sentindo-se incompetentes ou insatisfeitos com o progresso.

Estratégias de Prevenção

Prevenir o burnout é tão importante quanto treinar para a próxima corrida. Aqui estão algumas estratégias baseadas em neurociência e práticas esportivas eficazes:

  1. Planejamento de Treinamento Inteligente
  • Ciclos de Treinamento: Estruturar o treinamento em ciclos que incluam períodos de alta intensidade seguidos de recuperação. Isso ajuda a evitar o esgotamento físico e mental.
  • Variedade: Incorporar atividades de cross-training, como natação ou ciclismo, para desenvolver diferentes grupos musculares e evitar a monotonia.
  • Gestão do Estresse Mental
  • Mindfulness e Atenção Plena: Práticas de mindfulness podem ajudar a manter o foco e reduzir a ansiedade antes de grandes eventos. Técnicas de meditação e respiração são eficazes para acalmar a mente.
  • Visualização Positiva: Usar técnicas de visualização para imaginar cenários de sucesso pode preparar a mente para enfrentar desafios com confiança.
  • Importância do Sono e Nutrição
  • Sono Reparador: Priorizar de 7 a 9 horas de sono, permitindo que o corpo e a mente se recuperem de treinos intensos.
  • Nutrição Adequada: Consumir uma dieta equilibrada, rica em carboidratos complexos, proteínas, gorduras saudáveis e micronutrientes essenciais para suportar a carga de treinamento.
  • Definição de Metas Realistas
  • Metas Alcançáveis: Estabelecer objetivos que sejam desafiadores, mas factíveis, pode evitar frustração e desmotivação.
  • Feedback e Ajuste de Planos: Revisar regularmente os planos de treinamento com um treinador ou mentor para ajustar conforme necessário.

Tratamento do Burnout

Caso os sinais de burnout apareçam, é fundamental agir rapidamente para mitigar seus efeitos. A consultoria psicológica pode ser extremamente valiosa, especialmente quando realizada por profissionais de saúde mental treinados em psicologia esportiva, que oferecem o suporte necessário para lidar com o estresse e reavaliar objetivos. Além disso, é essencial integrar períodos de descanso adequados no calendário de treinamento, garantindo tempo suficiente para a recuperação e regeneração física e mental. Praticar o autocuidado também desempenha um papel crucial na recuperação; envolver-se em atividades não relacionadas ao esporte, como hobbies ou passar tempo com amigos e familiares, ajuda a restaurar o equilíbrio emocional e proporciona um alívio do foco constante na performance esportiva.

É importante saber que para corredores de rua, entender e prevenir o burnout é essencial para manter uma relação saudável e duradoura com a corrida. Através de um planejamento cuidadoso, gestão eficaz do estresse, e práticas de autocuidado, os atletas podem garantir que sua paixão pela corrida continue a ser uma fonte de alegria e realização. As estatísticas destacam a prevalência e a seriedade do burnout, reforçando a necessidade de estratégias proativas para mitigar seus efeitos.

Lembre-se, o equilíbrio é a chave para uma vida esportiva satisfatória e sustentável.

Por: Carlos Campelo

Continue lendo

Neurociência e a Corrida

Quais são os benefícios da corrida para o cérebro?

Avatar photo

Publicados

em

A corrida é uma prática que vai além dos benefícios físicos, impactando profundamente a saúde mental e o funcionamento do cérebro. Neste artigo, exploramos como essa atividade pode transformar sua mente e melhorar sua qualidade de vida.

Melhoria do Humor e Bem-Estar

A sensação de euforia que muitos corredores experimentam, conhecida como “euforia do corredor”, é resultado da liberação de endorfinas. Essas substâncias químicas naturais atuam como analgésicos e antidepressivos, proporcionando uma sensação de bem-estar e felicidade. Além disso, a corrida pode aumentar os níveis de serotonina, um neurotransmissor que ajuda a regular o humor.

Aumento da Neuroplasticidade

A neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se reorganizar formando novas conexões neurais. A corrida estimula essa capacidade, essencial para o aprendizado e a memória. Estudos mostram que a atividade física regular pode aumentar o volume do hipocampo, uma área do cérebro crucial para a memória e o aprendizado.

Redução do Estresse

O estresse é um dos grandes vilões da vida moderna, e a corrida pode ser uma poderosa aliada no combate a ele. Durante a corrida, o corpo reduz a produção de cortisol, o hormônio do estresse, promovendo uma sensação de calma e relaxamento. Além disso, a prática regular de exercícios ajuda a melhorar a resiliência ao estresse, tornando o cérebro mais resistente a situações estressantes.

Melhoria da Função Cognitiva

A corrida não apenas fortalece o corpo, mas também a mente. Pesquisas indicam que a prática regular de corrida pode melhorar a função cognitiva, incluindo a memória, a atenção e a capacidade de resolução de problemas. Isso ocorre porque a corrida aumenta o fluxo sanguíneo para o cérebro, fornecendo mais oxigênio e nutrientes essenciais para o funcionamento cerebral.

Estimulação da Neurogênese

A neurogênese é o processo de formação de novas células cerebrais. A corrida pode estimular esse processo, especialmente no hipocampo. Isso não só melhora a memória e o aprendizado, mas também pode ter um impacto positivo na prevenção de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

Aumento da Criatividade

Se você está em busca de novas ideias ou soluções criativas, a corrida pode ser a chave. Estudos sugerem que a prática de corrida pode aumentar a criatividade, proporcionando um estado mental mais relaxado e aberto a novas ideias. Isso ocorre porque a corrida permite que a mente divague, facilitando a conexão de ideias aparentemente não relacionadas.

Conclusão

A corrida é mais do que um exercício físico; é um investimento na saúde mental e cognitiva. Incorporar a corrida em sua rotina diária não apenas melhora sua forma física, mas também transforma seu cérebro, tornando-o mais feliz, menos estressado e mais criativo. Portanto, calce seus tênis e descubra como a corrida pode mudar sua vida para melhor.

Por: Redação Runners Brasil

Continue lendo

Neurociência e a Corrida

Neurociência Aplicada à Corrida: Superando Fraqueza, Indisposição e Falta de Continuidade

Avatar photo

Publicados

em

É normal enfrentar momentos difíceis na rotina de treinos, bem como se sentir desmotivado ou indisposto e o que é importante lembrar que tais situações contribuem para a evolução do atleta tanto no aspecto físico como no aspecto mental. Isso tornará o atleta mais forte e mais capaz de superar os obstáculos na rotina do dia a dia.

Cada corrida, cada treino, é uma oportunidade de redescobrir o que faz manter o atleta ativo na vida esportiva. O ato de reconhecer as pequenas vitórias a cada quilômetro, cada minuto, cada respiração é fundamental para combater o a indisposição ou falta de continuidade.

Lembrar as razões que te foram importante para começar a correr ou na incrível sensação de realização que surge após um treino são importantes para aumentar a capacidade e determinação.

No entanto, a prática regular de corrida pode ser um desafio, especialmente quando os obstáculos aparecem e se tornam presentes na vida do atleta. Felizmente, a neurociência oferece ferramentas e estratégias para superar esses obstáculos.

Neste artigo é apresentado os conhecimentos neurocientíficos que podem ser aplicados para melhorar a performance e a consistência nos treinos de corrida.

Combatendo a Fraqueza com Neuroplasticidade e Alimentação

Neuroplasticidade e Exercício:

A neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se adaptar e reorganizar as conexões. Com treinos consistentes, as conexões neurais associadas ao movimento e à resistência são fortalecidas. Além disso, a visualização e a imaginação motora de onde se imagina correr e completar os, podem ativar áreas cerebrais semelhantes à prática física, melhorando a coordenação e a força muscular.

Regulação dos Níveis de Energia:

Alinhar os treinos com os momentos do dia em que o atleta se sente mais energético, respeitando o ritmo circadiano, pode fazer uma grande diferença. A alimentação também desempenha um papel crucial: consumir alimentos ricos em tirosina, como amêndoas, abacate e laticínios, pode aumentar os níveis de dopamina, promovendo uma sensação de energia e disposição.

Superando a Indisposição com Endorfinas e Redução do Estresse:

Liberação de Endorfinas:

O exercício físico libera endorfinas, neurotransmissores que ajudam a reduzir a dor e aumentar a sensação de bem-estar. Treinos intervalados de alta intensidade (HIIT) são particularmente eficazes na liberação de endorfinas, ajudando a combater a indisposição e a melhorar o humor.

Redução do Estresse e Ansiedade:

Práticas de mindfulness e meditação reduzem os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e aumentam a produção de neurotransmissores calmantes como a serotonina. Técnicas de respiração profunda ativam o sistema nervoso parassimpático, ajudando a reduzir a ansiedade e melhorar a disposição geral.

Mantendo a Continuidade nos Treinos com Reforço Positivo e Formação de Hábitos

Reforço Positivo:

Estabelecer um sistema de recompensas após os treinos pode liberar dopamina, reforçando o comportamento positivo e aumentando a motivação. Celebrar pequenas conquistas ao longo do caminho também libera dopamina, mantendo o cérebro motivado.

Formação de Hábitos:

Criar uma rotina de treino consistente ajuda a formar hábitos, utilizando o circuito de recompensa do cérebro para tornar a corrida uma parte natural do seu dia. Usar gatilhos específicos, como uma música ou horário fixo, pode sinalizar ao cérebro que é hora de correr, facilitando a criação do hábito.

Motivação Intrínseca e Extrínseca:

Encontrar aspectos da corrida que você realmente goste, como a paisagem ou a sensação de liberdade, mantém a motivação interna. Elementos externos de motivação, como aplicativos de corrida, grupos de apoio e competições, também são úteis para manter o entusiasmo e a responsabilidade.

Gestão da Dor e Fadiga:

Técnicas de distração mental, como ouvir música ou podcasts durante a corrida, podem reduzir a percepção de dor. Dispositivos de monitoramento ajudam a ajustar o ritmo e evitar o overtraining, que pode levar à fadiga e lesões.

Implementação Prática

  1. Estabeleça Rotinas Consistentes: Utilize gatilhos específicos para treinar no mesmo horário todos os dias, facilitando a criação de um hábito.

  2. Visualização e Imaginação Motora: Visualize-se completando seus treinos com sucesso para melhorar a coordenação e a força.

  3. Mindfulness e Respiração Controlada: Pratique a respiração controlada antes e depois dos treinos para reduzir o estresse e melhorar a disposição.

  4. Reforço Positivo: Recompense-se após os treinos e celebre pequenas vitórias para manter a motivação alta.

Celebre seu progresso, por menor que pareça, porque é um reflexo do seu esforço e dedicação. Não se cobre demais. Ouça seu corpo e sua mente, e permita-se descansar quando necessário. A recuperação é uma parte essencial do progresso. E quando você estiver pronto, volte aos treinos com uma renovada energia e determinação.

Você é capaz de alcançar coisas incríveis. Acredite em si mesmo e na força que reside dentro de você. A jornada pode ser desafiadora, mas a recompensa de cruzar suas próprias metas é inestimável. Continue correndo, continue acreditando, e saiba que cada passo à frente é um passo rumo ao seu melhor.

Nós da Runners Brasil estamos todos torcendo por você. Força e coragem!

Por: Carlos Campelo

Continue lendo

Em Alta