Baixa disponibilidade energética em atletas
A Baixa Disponibilidade Energética é o principal fator de sustentação de um conjunto mais amplo de resultados de saúde e desempenho, recentemente denominado como Deficiência de Energia Relativa no Esporte (Relative Energy Deficiency in Sport ou RED-S). A Baixa Disponibilidade Energética representa um estado em que o corpo não tem energia suficiente para suportar todas as funções fisiológicas necessárias para manter a saúde ideal. Apesar de ser comum tanto em homens quanto em mulheres, as mulheres estão particularmente em maior risco de sofrer com a baixa disponibilidade energia e as razões para isso são várias, podendo ser resultado de comportamentos alimentares alterados que são causados por insatisfação corporal, mídia social, pressão por desempenho, falta de acompanhamento de um profissional do esporte e da saúde, o famoso “fazer por conta”
Uma dieta equilibrada e saudável deve ter como base uma quantidade suficiente de calorias com distribuição adequada de macro e micronutrientes para suprir as funções fisiológicas normais, como função metabólica e imunológica, saúde óssea, ciclo menstrual, juntamente com o gasto adicional da atividade física.
A Baixa Disponibilidade Energética ocorre quando a ingestão de energia dietética é insuficiente para manter as funções básicas do corpo. A disponibilidade energética foi operacionalmente definida como a ingestão de energia dietética (ED) menos o gasto energético do exercício (GEE) dividido por quilogramas de massa corporal livre de gordura (MLG), ou seja, (disponibilidade energética = (ED-GEE) /kg MLG). Essa variável representa a entrada líquida de energia para o corpo restante após o treinamento físico para todos os outros processos metabólicos.
Embora, até o momento, não existam diretrizes que prescrevem uma ingestão de energia ideal para atletas de alto desempenho, estudos definem uma ingesta de 45 kcal/kg de massa livre de gordura (MLG) como um limite no qual o equilíbrio energético ideal pode ser alcançado. No entanto, uma ingestão de 30-45 kcal/kg MLG já é considerada uma ingestão reduzida, e os atletas devem permanecer dentro dessa faixa por um curto período de tempo, por exemplo, quando objetivam reduzir o peso corporal. Já uma ingestão dietética de < 30 kcal/kg de MLG parece ser um limiar no qual graves implicações para a saúde podem ser observadas após apenas 5 dias.
Consumir menos calorias do que necessário pode não ser proposital, como falta de conhecimento sobre nutrição adequada e necessidade de balanço energético ideal, falta de tempo para preparar as refeições, baixa habilidade culinária, razões financeiras ou mesmo fisiológicas, distúrbios alimentares, por exemplo, pequenas mudanças na dieta que foram iniciadas para perda de peso podem se tornar compulsivas. Além disso, fatores adicionais, incluindo o desenvolvimento de insatisfação corporal ou a crença de que o atleta precisa ser “magro para vencer”, também podem se manifestar em transtornos alimentares.
À medida que a disponibilidade de energia diminui, seja intencional por meio de restrição calórica ou não intencional por meio do aumento do gasto energético do exercício, ocorrem adaptações metabólicas. Embora essas alterações sejam normais e insignificantes se os atletas retornarem a uma ingestão energética adequada, por exemplo, após uma fase de dieta estruturada, pode ser problemático em indivíduos que têm um desejo constante de emagrecer e/ou emagrecer. Embora o peso corporal diminua no início de uma fase de dieta, um platô na perda de peso inevitavelmente ocorre após uma ingestão prolongada de baixa energia. Embora esta seja uma adaptação fisiológica normal, alguns atletas podem começar a diminuir ainda mais a ingestão de energia para continuar a perder peso. Esse comportamento levará a uma espiral descendente de restrição calórica, perda de peso e platô seguido por outro ciclo, tudo isso resultará em baixa disponibilidade energética e provavelmente no desenvolvimento de um distúrbio alimentar.
Os prejuízos para a saúde de uma baixa disponibilidade energética são muitos, as adaptações associadas a baixa disponibilidade energética influenciam negativamente as adaptações musculares em atletas de resistência e força e potência. Atletas de resistência, por causa de um impacto negativo na síntese de proteína mitocondrial e força, e atletas de potência, por causa de um impacto negativo na síntese de proteína muscular. Além disso, a baixa disponibilidade energética na corrida pode levar a um baixo desempenho que pode nem sempre ser perceptível, pois pode ser mascarado pela influência positiva do menor peso corporal. Se não for reconhecida, a baixa disponibilidade energética pode levar a graves problemas de saúde que podem afetar a capacidade de praticar e competir.
Embora o conhecimento sobre nutrição esteja mais acessível do que nunca, e os atletas tenham demonstrado geralmente ter uma melhor compreensão da nutrição do que os não atletas, muitas crenças errôneas, como “carboidratos farão você ganhar peso” ou “a ingestão de alimentos só deve ocorrer dentro de certo período de tempo, ainda são comuns. No geral, o conhecimento insuficiente de nutrição esportiva geral em atletas ainda é evidente. Para prevenir o desenvolvimento de distúrbios alimentares, mantendo a saúde ideal e aumentando o desempenho dos atletas, é adequado ajustar a ingestão de energia e nutrientes conforme as fases do seu ciclo de treinamento, periodizado conforme variação dos dias da semana e treinos, para melhorar a interação metabólica entre exercício e nutrição.
Referencias:
Reed JL, De Souza MJ, Mallinson RJ, Scheid JL, Williams NI. Energy availability discriminates clinical menstrual status in exercising women. J Int Soc Sports Nutr.2015;12:11.
Heikura IA, Stellingwerff T, Areta JL. Low energy availability in female athletes: From the lab to the field. Eur J Sport Sci.2022;22(5):709–19.
Wasserfurth P, Palmowski J, Hahn A, Krüger K. Reasons for and Consequences of Low Energy Availability in Female and Male Athletes: Social Environment, Adaptations, and Prevention. Sports Med – Open.2020;6:44.
Fontes das imagens
Crédito: Divulgação

