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Barefoot Running

20/07/2022 | De Felippe Ribeiro

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Barefoot Running
RUNNERS estamos on por aqui! Em nossa sequência, vamos falar sobre Barefoot Running, ou simplesmente correr descalço. Alguns podem chamar de Corrida Ancestral ou ainda Corrida Natural. Sinônimos encontrados mundo a fora, e talvez será um das nossas colunas mais longas, aguenta aí… Mas, porque existe essa teoria, ou para alguns, essa tendência? Afinal, correr descalço está no nosso DNA. Os humanos não começaram a trotar por este planeta com tênis ou algum suporte. Corríamos para sobreviver, fugir e alimentar-se em terrenos irregulares ou Savanas Africanas e assim sempre foi, pele na terra por muitos milênios. Iniciando já na história moderna há alguns atletas profissionais que corriam ou correram descalço, como lendário Pheidippides, o primeiro maratonista, que correu de Atenas a Esparta em menos de 36 horas após a Batalha de Maratona, para informar os atenienses da vitória grega sobre a Pérsia, dando nome a nossa Maratona de hoje. Dr. Charles Robbins, ganhou a Maratona de Yonkers em 1944, muitas vezes corria descalço. Em 1960, Abebe Bikila, da Etiópia, venceu a maratona olímpica em Roma, descalço, estabelecendo um novo recorde mundial depois de descobrir que a Adidas, tinha ficado sem sapatos do seu tamanho. Ele estava com dor porque tinha recebido sapatos muito pequenos, então ele decidiu simplesmente correr descalço; quatro anos depois em Tóquio, usando sapatos e estabeleceu um novo recorde mundial. O corredor britânico Bruce Tulloh competiu descalço e ganhou a medalha de ouro na corrida de 5.000 metros dos Jogos Europeus de 1962. Em 1970, Shivnath Singh, da Índia, era conhecido por sempre correr descalço com apenas fita adesiva nos pés. Em 1980, a sul-africana, Zola Budd, ficou conhecida por seu estilo de corrida descalço, bem como por treinar e correr descalço. Ela ganhou os Campeonatos Mundiais de Cross Country da IAAF de 1985 e 1986 e competiu nos Jogos Olímpicos de 1984 em Los Angeles. Essa “Coisa de correr descalço” teve seu auge em 2009, após a publicação do livro Born to Run, de Christopher McDougall que incentivada a pratica e posteriormente na comunidade científica com a publicação de um artigo em 2010 na revista Nature pela fisioterapeuta Dra. Irene Davis, que tive o prazer de receber em meu laboratório em 2017 e com o biólogo evolucionista, Daniel Liberman, que mostravam em suas pesquisas que correr descalço diminuiria o impacto e as lesões na corrida e que éramos em nossa ancestralidade corredores descalços, praticamente jogando a culpa das lesões no uso e evolução dos tênis de corrida, que já eram questionados desde a criação em 1970 pelo o aumento das lesões naquela década. Publicação em 2010, evidenciando o aumento do pico impacto transiente com tênis e diminuição, sem o tênis. Nota-se que a pisada muda, tendo uma absorção ativa (Antepé) pela musculatura de pé e panturrilha descalço e uma absorção passiva com a pisada com o tênis (Retropé). Hoje sabemos que esse pico de impacto transiente não tem correlação direta com as lesões, e como esclarecemos nas colunas anteriores, mesmo correndo em Antepé, onde o pico de impacto transiente praticamente não existe, ou são menos abruptos, as lesões continuam acontecendo, porém em locais diferentes. Livro Born to Run, publicação na revista Nature, Daniel Liberman e Dra. Irene Davis. Associado a esse assunto, em 2010 foi lançado um tênis minimalista, que preconizava correr igualmente como se estivesse descalço, evitando as lesões na pele e que traria menos lesão na corrida, o Vibram Five Fingers, que no futuro, com a evolução das pesquisas, acabou caindo por terra, pois não se comprovou o prometido, recebendo inclusive um processo de 3,75 milhões de dólares por propaganda enganosa. Hoje sabemos em biomecânica, que quando corremos descalços, nossa pisada concentram-se em Antepé e Médiopé, coisa que naturalmente acontece com o tênis minimalista, e quando colocamos um tênis mudamos para o Retropé. Porém como já sabemos correr em Antepé não trás mais ou menos lesão do que Retropé, só muda o local da sobrecarga e não sabemos ainda se é melhor ou pior em termos de desempenho. Dito isso, deixo minha mensagem, correr descalço por poucos minutos, ou como parte de um programa dentro da corrida, pode trazer os benefícios e alguns treinadores e fisioterapeutas tem usado como parte do programa de fortalecimento dos músculos do pé (FootCore), principalmente dos músculos intrínsecos dos pés, aumentando assim a estabilidade do pé e tornozelo, e ganhando força de panturrilhas, repetindo, por poucos minutos. Há um trabalho recente, Brasileiro, Ulisses et Al, 2020, evidenciando 2,42 vezes menos chance de se lesionar, se aplicarmos o footcore em corredores. Agora passar a fazer uma maratona, ou correr longas distâncias, descalço nos dias de hoje, com certeza vai trazer mais malefícios do que benefícios, ao meu ver. Apesar de fazer com que corremos próximo ao centro de massa, com menor frenagem, as lesões na pele, cortes, infecções, bolhas, fraturas de ossos do pé, queimaduras, lesões de panturrilhas entre outras, te acompanharão para sempre, você não deixará de ter mais ou menos lesão e também não irá melhorar sua performance. Evoluímos, e evoluímos com o uso dos tênis, não precisamos correr para sobreviver, alimentar ou fugir de algum predador, e não estamos mais em uma Savana Africana. Até a próxima RUNNERS.

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Crédito: Divulgação

Sobre o autor

Felippe Ribeiro

Fisioterapueta | Empreendedor

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