Mal súbito durante atividade física reforça alerta sobre saúde cardíaca e preparo para emergências em academias e eventos esportivos
As recentes notícias envolvendo pessoas que sofreram mal súbito durante a prática de atividades físicas reacendem um alerta importante: embora o exercício seja reconhecido como um dos aliados da saúde cardiovascular, situações de emergência podem acontecer, especialmente quando há alguma condição cardíaca ainda não diagnosticada.
Por isso, além dos cuidados individuais antes e durante o exercício, a Associação Brasileira de Estimulação Cardíaca (Abec) reforça a importância de que academias, clubes, competições e outros espaços esportivos estejam preparados para agir rapidamente diante de uma parada cardiorrespiratória.
“Entre os recursos que podem fazer diferença nesses primeiros minutos está o Desfibrilador Externo Automático (DEA)”, destaca o cirurgião cardíaco Dr. Marcelo Sobral, presidente da Abec.
O que diz a legislação sobre o DEA
A disponibilidade do equipamento já é prevista em legislações de diferentes localidades. Na cidade de São Paulo, por exemplo, clubes e academias com mais de 1.000 sócios estão entre os estabelecimentos obrigados a manter um DEA, enquanto outras categorias de locais estão sujeitas a critérios de concentração ou circulação de pessoas. A regulamentação municipal também estabelece que o aparelho esteja disponível em até cinco minutos após a identificação da emergência.
Exercício protege, mas pode revelar problemas não diagnosticados
Para Sobral, a existência de uma estrutura de emergência é especialmente importante porque o exercício, apesar de seus benefícios, pode revelar problemas cardíacos que ainda não foram identificados.
“Os atletas de alta performance não necessariamente estão mais sujeitos à parada cardiorrespiratória. O exercício protege o coração, mas o esforço intenso pode desencadear uma parada em pessoas que têm alguma doença cardíaca não diagnosticada”, explica.
Para quem faz uso do marcapasso, a recomendação é avaliar individualmente o tipo de atividade, a intensidade e o risco de impacto na região do dispositivo. A atividade física não é proibida, mas esportes de contato, com maior impacto na região do implante, merecem atenção.
“O marcapasso é bastante resistente, porém os eletrodos são mais sensíveis a traumas de grande intensidade. Na musculação, por exemplo, exercícios podem fazer parte da rotina, mas cargas excessivas e esforços de alta intensidade podem aumentar o estresse sobre o dispositivo e seus eletrodos”, pontua o cirurgião.
Nas corridas de rua, não há regra nacional única
Em uma eventual parada cardiorrespiratória cada minuto conta, assim o uso do desfibrilador é extremamente decisivo, já que quanto mais rápida a desfibrilação, maior a chance de sobrevida. O especialista ressalta que a necessidade e a obrigatoriedade do equipamento variam de acordo com a legislação e as características de cada local. No caso das corridas de rua, por exemplo, não existe uma regra nacional única que determine a presença de DEA em todas as provas.
“Seria de muito bom tom que houvesse um DEA disponível para qualquer tipo de problema relacionado aos corredores. Já existem provas de rua que fazem isso, com socorristas correndo junto à multidão e levando o DEA acoplado às costas”, esclarece.
Além do equipamento, o preparo das pessoas presentes no local é fundamental.
“É indispensável o treinamento em reanimação cardiopulmonar. Os primeiros minutos de atendimento são fundamentais. Saber reconhecer uma parada, iniciar uma RCP e utilizar o desfibrilador pode salvar muitas vidas”, reforça o presidente da Abec.
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