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Você corre errado? Mitos e verdades sobre biomecânica da corrida

04/02/2026 | De Talita Politano de Galiza Vidal

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Você corre errado? Mitos e verdades sobre biomecânica da corrida
Essa é uma pergunta comum entre corredores, especialmente quando a dor aparece, a lesão se repete ou a performance deixa de evoluir. Nesses momentos, a biomecânica da corrida costuma entrar em cena, muitas vezes cercada por regras absolutas, comandos prontos e comparações com atletas profissionais. Mas a prática mostra que a questão raramente é correr “errado”. Na maioria das vezes, o problema está em correr de um jeito que o corpo não consegue sustentar ao longo do tempo. Ao longo da experiência clínica com corredores, alguns mitos aparecem com frequência. Entender o que realmente importa na biomecânica da corrida ajuda a tomar decisões mais conscientes e seguras. “Levantar o calcanhar até o bumbum” melhora a corrida? Muitos corredores acreditam que subir ativamente o calcanhar em direção ao bumbum é sinal de boa técnica. Na prática, já observei corredores que passaram a forçar esse movimento após ver atletas correndo assim. Com o tempo, o gesto se tornou automático e excessivo, gerando aumento de tensão e sobrecarga na musculatura posterior da coxa. A corrida é um movimento cíclico e reativo. Gestos como a flexão do joelho na fase de balanço, acontecem naturalmente quando há boa coordenação e ritmo. Forçar esse movimento costuma atrapalhar mais do que ajudar, além de aumentar o risco de sobrecarga muscular. Aterrissar com antepé é melhor do que com retropé? Não. E essa é uma das verdades mais importantes da biomecânica da corrida. Já acompanhei corredores que, ao tentar mudar o padrão de aterrissagem para a ponta do pé, acabaram desenvolvendo dores importantes na panturrilha e no tendão de Aquiles. Em alguns casos, o corredor sequer percebia que praticamente não encostava o calcanhar no chão no meio da passada, algo que só ficou evidente com a análise em câmera lenta. Aterrissar com antepé, mediopé ou retropé não é bom nem ruim por si só. O que muda é a forma como a carga se distribui pelo corpo. Quando a transição é feita sem preparo ou sem necessidade clínica, o risco de sobrecarga aumenta. Passada longa significa correr melhor? Muitos corredores associam eficiência a uma passada longa, buscando o contato do pé cada vez mais à frente do corpo. O problema é que esse padrão geralmente faz o pé aterrissar distante do centro de massa, o que aumenta as forças de frenagem a cada passo. Na prática clínica, esse padrão aparece com frequência em corredores com dores no joelho e na perna (canelite). Em vez de facilitar a progressão do corpo, a passada longa excessiva freia o movimento, aumenta o impacto e compromete a economia da corrida. Nesse caso, a biomecânica é clara: onde o pé toca o solo em relação ao tronco importa mais do que o comprimento da passada em si. Cadência 180: mito do número ideal Na prática clínica, o que se observa é que cadência não é um valor fixo, e sim uma variável que depende de fatores como estatura, velocidade, nível de treinamento, histórico de lesões e características individuais da corrida. Impor uma cadência padronizada pode gerar mais problemas do que benefícios. Em alguns corredores, especialmente aqueles com tempo de contato elevado ou sobrecarga em estruturas específicas, pequenos ajustes de cadência ( 5 a 10 %) podem ajudar a redistribuir as forças e reduzir o estresse mecânico. Em outros, essa mudança não traz benefício algum, e pode até aumentar a sobrecarga. A diferença entre flutuar e “quicar” Uma oscilação vertical muito aumentada , o famoso “quicar”, pode elevar o custo energético da corrida e, em determinados perfis, aumentar a sobrecarga em estruturas específicas. Nem todo corredor com esse padrão apresenta dor. Mas, quando há lesões recorrentes ou fadiga excessiva, esse é um aspecto que merece atenção dentro da análise biomecânica global, principalmente quando esse padrão de movimento tiver associado com sobrecarga nas panturrilhas e tendão de aquiles. Afinal, você corre errado? Provavelmente não. Mas é possível que esteja correndo de uma forma que o seu corpo não consegue mais sustentar, considerando o volume, a intensidade e o histórico de lesões. A biomecânica da corrida não busca padronizar movimentos nem criar técnicas perfeitas. Ela serve para identificar quais ajustes realmente fazem sentido para cada corredor, no momento certo. Conclusão Correr bem não é seguir comandos prontos, copiar atletas profissionais ou buscar uma técnica idealizada. É encontrar um equilíbrio entre movimento, carga e adaptação. Quando a biomecânica é analisada com critério e aplicada de forma individualizada, ela deixa de ser um conjunto de mitos e se torna uma aliada importante para correr melhor, e com menos dor. @ft.talita.politano @clinicadocorredor
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Fontes das imagens

Credito: divulgação

Sobre o autor

Talita Politano de Galiza Vidal

A fáscia plantar é uma estrutura do pé feita para suportar até 1,5 vezes o seu peso corporal (Gefen,2003). Logo, ela precisa estar bem forte e condicionada para aguentar essa carga.

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