Cabecalho do site

Menu lateral de secoes

Conteudo principal

Conteudo principal

Quando a paixão machuca: descubra os sinais silenciosos da síndrome de overtraining entre corredores de rua

23/01/2024 | De Pedro Cardoso

Compartilhar: WhatsApp Facebook X LinkedIn
Quando a paixão machuca: descubra os sinais silenciosos da síndrome de overtraining entre corredores de rua

Boragir corredor e corredora!!

Que a corrida é apaixonante não temos dúvidas, porém, muitas vezes essa paixão pode ser tão grande e empolgante que pode nos segar, e fazer a gente quebrar o equilíbrio do nosso corpo. Nessa matéria quero te alertar sobre um perigo silencioso, que pode atrapalhar a harmonia das suas corridas.

Então, já quero deixar claro que o overtraining engloba muitos fatores, não se restringindo apenas ao treinamento pesado. Há mais do que isso, uma vez que observamos alterações hormonais, bioquímicas e psicológicas nos atletas, o que amplia o assunto para um aspecto não unicamente físico ou fisiológico, mas psicofísico.

A literatura já consegue observar um dos fatores que sempre está presente em indivíduos que apresenta essa síndrome, é o desequilíbrio entre o estresse do treinamento e o tempo adequado de recuperação. Talvez você já tenha escutado alguém dizer que “descanso também é treino”, e é mesmo. Esse desequilíbrio de volume e intensidade do treino, e o tempo curto de recuperação, afeta a liberação de hormônios e as compensações necessárias para o corpo se recuperar entre um treino e outro.

Observe mais alguns sinais e sintomas que podemos observar:

  • Distúrbios do sono;
  • Diminuição do desempenho;
  • Aumento da frequência cardíaca;
  • Dificuldade de concentração;
  • Aumento da ansiedade;
  • Fadiga em repouso;
  • Músculos pesados e doloridos;
  • Instabilidade emocional;
  • Irritabilidade;
  • Perda do apetite;

Entretanto, para fechar o diagnóstico da síndrome de overtraining ainda é complexo, pois não existe um teste padrão ouro de diagnóstico. Atualmente se trata de um diagnóstico por exclusão, ou seja, após analisar e descartas outras alterações e síndromes com sinais e sintomas semelhantes. O diagnóstico definitivo também requer exclusão de doenças orgânicas, por exemplo, distúrbios endócrinos, deficiência de ferro com anemia ou doenças infecciosas.

Nesse momento você pode estar se perguntando; será que eu estou com isso? ou então; eu acho que já tive isso. Calma meu amigo e amiga corredora, ainda tem mais algumas informações.

Uma característica bem marcante de indivíduos sofrendo overtraining é a diminuição inexplicável do desempenho, principalmente em exercícios mais intensos e prolongados. Correlacionando com a parte hormonal, o treinamento intenso e prolongado tende a aumentar os níveis de cortisol, mas reduz a testosterona. Pode ser que, em uma proporção crítica de testosterona/cortisol, a predominância do catabolismo (etapa do metabolismo para obter energia degradando macronutrientes, como proteínas e carboidratos), sobre o anabolismo (formação de moléculas mais complexas a partir de moléculas mais simples), signifique que o atleta seja incapaz de se recuperar do treinamento, atrapalhando as adaptações positivas.

Nesse contexto, as lesões por sobrecarga na corrida podem aparecer, dentre elas, a síndrome do estresse tibial medial, a famosa e popularmente conhecida canelite. Na canelite fica bem evidente maior atividade dos osteoclastos, células ósseas que digerem a matriz óssea, deixando o osso mais fragilizado. Em contrapartida, os osteoblastos sintetizam novos componentes orgânicos na matriz óssea essenciais para a conservação do equilíbrio do cálcio e a conservação da integridade do osso. A falta de um tempo adequado entre um treino e outro, atrapalha a recuperação, aumentando as chances do surgimento de lesões por sobrecarga estrutural.  

Avalições psicológicas também se fazem necessárias, tendo em vista que, alguns sintomas se assemelham com os da depressão, como: retardo psicomotor, fadiga crônica, apetite deprimido, perda de peso, insônia, dor muscular e tensão.

A escassez de estudos mais robustos sobre esse assunto, dificulta o desenvolvimento de testes eficientes que facilitem o diagnóstico da síndrome de overtraining. No entanto, medidas preventivas podem nos proteger. Essas são algumas frentes de intervenção:

  • Periodização do treino;
  • Ajuste de intensidade e volume com base no desempenho e humor;
  • Garantia de calorias adequadas para a carga de treinamento;
  • Hidratação adequada;
  • Garantia de ingestão adequada de carboidratos durante o treino;
  • Qualidade de sono adequada;
  • Promoção de resistência mental e resiliência;
  • Período maior que 6 horas entre as sessões de treino;
  • Evitar treinos intensos após quadro de infecção;
  • Evitar treinos excessivos em clima extremo;

São matérias como essa que gosto de trazer para você meu amigo ou amiga da corrida de rua, situação simples, porém, silenciosas que podem atrapalhar nosso dia a dia na corrida. Deixei bem claro que a síndrome de overtraining é multifatorial, portanto, deve ser avaliada e tratada com base em um modelo multidisciplinar que envolva treinadores, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, médicos e outros profissionais que você tenha contato.

Não negligencie os sinais do seu corpo, antes de acontecer algo mais grave ele nos alerta através de sinais e sintomas. Faça a sua parte.

Fique atento!

Sobre o autor

Pedro Cardoso

Especialista em Fisioterapia Esportiva

Comentarios do artigo

Deixe um comentario

Seu endereco de e-mail nao sera publicado. Campos obrigatorios estao marcados com *

Barra lateral