Q&A Runners Brasil
Q&A Runners Brasil – Beatriz Romano
Publicados
3 anos atrásem
“O esporte, sem dúvidas, muda vidas.” Beatriz Romano, vive o esporte diariamente e apesar de ter começado a correr há oito anos, foram nos últimos três que ela começou a se dedicar mais e a viver algo mágico. Da busca pela melhor qualidade de vida, a paulistana de 25 anos encontrou a paixão pela corrida e o foco na performance. A cada prova, os resultados confirmam a determinação e dedicação da atleta. Além de recordes pessoais, a felicidade de Beatriz também fica registrada nos pódios que ela vem conquistando, inclusive na prova mais difícil que ela já fez. Adepta a uma alimentação natural, é vegetariana e compartilha seu dia a dia com mais de 50 mil pessoas no Instagram. Nesta edição da Runners Brasil, conta um pouco mais quem é a Beatriz, apaixonada pela corrida de rua.
Sabine Weiler: Quando começou a correr se inspirou em alguém ou teve algum motivo especial?
Beatriz Romano: Na adolescência estava com um pouco de sobrepeso e senti a necessidade de mudar meus hábitos. A corrida foi uma grande aliada para a perda de peso, e durante esse processo me apaixonei pelo esporte.
Sabine: Como é sua rotina de treinos? Treina sozinha, em grupo?
Beatriz: Na semana, corro quatro vezes e faço musculação três vezes. Tenho acompanhamento de Assessoria no Ibirapuera, mas os treinos geralmente faço sozinha.
Sabine: Você tem se superado a cada prova, e batido recordes pessoais. O seu treinamento é focado em performance?
Beatriz: Sim! Sou amadora, mas hoje busco evoluir e treino para performar cada vez melhor. Tenho buscado bater algumas metas e isso me traz mais motivação para continuar treinando forte.
Sabine: Gosta das curtas ou longas distâncias? Por quê?
Beatriz: Minha distância preferida hoje é 21km, porque me desafia fisicamente e psicologicamente. Gosto disso, gosto de correr e ter esse mix de sentimentos e desafios que a corrida proporciona.
Sabine: Qual é o seu objetivo na corrida? Pensa em maratona, ou tem uma prova específica que quer muito correr?
Beatriz: Hoje em dia está em abaixar meu tempo nos 21km. Consequentemente venho abaixando meu tempo em outras distâncias mais curtas também, e estou super feliz. Comecei a pensar nos 42km esse ano e a ideia é fazer a 1ª maratona em 2024. Ainda dá muito frio na barriga ao pensar nos 42, mas venho me sentindo mais confiante pra realizá-los.
Sabine: Como é a sua alimentação? Faz uso de suplementos?
Beatriz: O mais natural e simples possível. Sou vegetariana, então basicamente minha dieta é a com legumes, grãos, carboidratos de baixo índice glicêmico, frutas, ovos e alguns derivados de leite, que ainda consumo. De suplementação uso proteína vegetal, palatinose em dias de prova ou treinos mais longos, creatina e alguns manipulados de vitaminas e fitoterápicos que meu nutrólogo me prescreve.
Sabine: Você faz alguma dieta específica para melhorar a performance, dar mais energia, disposição na corrida?
Beatriz: Desde que virei vegetariana me sinto muito mais leve e disposta nos treinos, além de sentir também uma recuperação muscular muito mais rápida. E no pré-prova faço aquele ‘carb up’ para ter mais energia.
Sabine: Restringe glúten ou lactose por causa da corrida?
Beatriz: Não, só evito lactose no dia anterior às provas para evitar problema de digestão.
Sabine: Faz uso de algum suplemento em provas?
Beatriz: Somente a palatinose pré-prova e gel de carbo durante. Quando possível, também gosto de isotônico.






Sabine: Qual foi o momento mais marcante na corrida pra você, até agora?
Beatriz: Minha primeira meia maratona foi super emocionante, teve uma prova de 23Km que fiz nas montanhas que me marcou muito, a IGT23k, em Igaratá/SP, em novembro de 2021. Foi a prova mais difícil que já fiz. A altitude da prova era altíssima, com muitas subidas longas e muito íngremes. Dava vontade de chorar às vezes de tanho esforço que estava fazendo. Mas consegui concluir a prova e ainda peguei meu primeiro pódio, de 1º lugar. Foi incrível.
Sabine: O que a corrida mudou a sua vida?
Beatriz: Me trouxe foco, paciência e determinação para todas as áreas da minha vida, além de me tornar muito mais segura comigo mesma.
Sabine: Qual é o maior prazer/alegria quando você está correndo? Consegue descrever a sensação?
Beatriz: Quando corro me sinto forte, livre e poderosa. É como se eu fosse capaz de fazer qualquer coisa depois de uma boa sessão de treino.
Sabine: Você compartilha o seu dia a dia no Instagram, e motiva muita gente. Que tipo de retorno você tem dos seus seguidores?
Beatriz: Fico muito feliz e emocionada com as mensagens que recebo. É muito gratificante ver que, através de algumas mudanças de hábito que fiz lá atrás, hoje em dia inspiro outras pessoas a buscarem também uma vida mais saudável. As pessoas se sentem à vontade de compartilharem comigo também suas vidas por mensagem e é muito legal saber que de alguma maneira fiz parte de um pouco do que elas estão vivendo. Temos uma troca muito leve e inspiradora. Recebo deles também, um super apoio e motivação. O esporte sem dúvidas muda vidas.
Sabine: Que mensagem você deixa a quem está iniciando na corrida?
Beatriz: Se dedique e mantenha-se determinado para alcançar seus objetivos. Nem todo dia é fácil, mas a disciplina facilita. Além disso, principalmente, curta muito e divirta-se no processo, porque a caminhada é a parte mais legal de tudo isso!
Por: Sabine Weiler

Você pode gostar

Como transformar seu relógio ou app de corrida em uma ferramenta contra as lesões

Bravus Race 2026 estreia temporada em São Paulo com o desafio “Máquina Humana”

Jungle e Smoov lançam collab com foco em hidratação e reposição de eletrólitos

ADIDAS ANUNCIA OS LANÇAMENTOS SUPERNOVA RISE 3 E SUPERNOVA GLIDE, PROJETADOS PARA ELEVAR A SENSAÇÃO DE CONFORTO NA CORRIDA

Circuito das Estações desembarca em Porto Alegre e celebra 20 anos com a Etapa Outono

16 anos após a primeira parceria, Mizuno volta a patrocinar o Circuito Athenas, um dos mais tradicionais do país
Q&A Runners Brasil
Entrevista | Um bate-papo com a VEJA sobre propósito, inovação e o futuro da corrida de rua
A Runners Brasil conversou com Fernanda Almeida, gerente de comunicação LATAM da VEJA Brasil, sobre o lançamento do Condor 3 Advanced, nova collab da marca com a Jolie Foulée. Na entrevista, Fernanda fala sobre o processo de desenvolvimento, os materiais sustentáveis, a filosofia por trás da parceria e os próximos passos da VEJA no universo da corrida de rua.
Publicados
3 meses atrásem
06/11/2025De
Pablo MateusA VEJA, marca franco-brasileira conhecida por unir propósito, design e consciência ambiental, apresenta uma nova colaboração com o coletivo francês Jolie Foulée. A parceria dá origem ao Condor 3 Advanced, uma evolução da linha de running da marca que busca aliar tecnologia, sustentabilidade e performance, sem abrir mão do estilo e da leveza que marcam o DNA da VEJA.
Com detalhes em verde escuro, preto e rosa vibrante, o modelo simboliza o equilíbrio entre diversão e desempenho. Testado em mais de 10 mil quilômetros por atletas e corredores amadores, incluindo a equipe #untalentedrunners, o Condor 3 Advanced reforça o compromisso da VEJA com a inovação responsável.
Para entender mais sobre o desenvolvimento e o propósito por trás desse lançamento, conversamos com Fernanda Almeida, gerente de comunicação LATAM da VEJA Brasil, que compartilhou bastidores, aprendizados e a visão da marca sobre o universo da corrida de rua.
A VEJA já é reconhecida por unir propósito e estilo. Como foi trazer essa essência para um modelo que também entrega performance em corrida de rua, como o novo Condor 3 Advanced?
R: O Condor 3 Advanced é resultado de um intenso processo de pesquisa e desenvolvimento. Ele representa a evolução de um modelo que sabíamos não responder como gostaríamos em corridas de performance. Desde o início, nosso objetivo foi criar um tênis que unisse o melhor desempenho possível ao maior uso de materiais de origem biológica.
O desenvolvimento do Condor 3 envolveu uma ampla pesquisa de materiais, inúmeros testes em diferentes tipos de solo e a colaboração de atletas ao redor do mundo, para entendermos como estávamos evoluindo. Todo esse processo contou com a integração dos times de pesquisa e design, pois queríamos um produto que fosse ao mesmo tempo bonito e eficiente em performance.
Estamos muito felizes com o resultado e com o reconhecimento dessa evolução: o Condor 3 Advanced foi premiado na ISPO 2023, a principal feira mundial de esportes e atividades ao ar livre.
Essa é a segunda collab com a Jolie Foulée. O que mais inspira a VEJA nesse grupo de corredores franceses que valorizam o prazer de correr, sem se levar tão a sério?
Justamente com o intuito de sentir a mudança através do movimento — seja ele qual for, da caminhada à corrida —, o importante é aproveitar a jornada.
A Jolie Foulée compartilha desse mesmo espírito: o coletivo francês celebra o prazer de se mover, destacando a importância de correr de forma leve, divertida e autêntica.
Fundado em 2013 por um grupo de amigos, o Jolie Foulée se tornou conhecido por sua abordagem descontraída da corrida, seu bom humor e seu apreço por uma boa cerveja após o esforço.
Autoapelidados de “corredores sem talento”, eles valorizam o prazer e o companheirismo muito mais do que a simples performance esportiva.
O Condor 3 Advanced passou por mais de 10 mil km de testes, inclusive na Amazônia. Que aprendizados esses testes trouxeram sobre o comportamento do tênis em diferentes condições e tipos de corrida?
R: O Condor 3 Advanced nos mostrou que é possível termos um tênis que responde bem à performance, unindo materiais ecológicos, tecnologia e estilo. Ao mesmo tempo que o Condor 3 Advanced é uma resposta para quem gosta de correr, o modelo também é uma provocação para estarmos sempre atentos aos investimentos em pesquisa para que sigamos melhorando o uso de materiais biológicos e tecnologia.
O design tem uma personalidade única — verde escuro, preto e toques em rosa vibrante. Como essas cores e detalhes traduzem o espírito leve e divertido dessa parceria?
R: As cores são reflexos da construção da collab entre as equipes das duas marcas, que se veem contempladas nesta combinação alto astral como resultado final desta edição do Condor 3 Advanced.
A VEJA sempre teve um olhar forte para a sustentabilidade. Quais materiais sustentáveis estão presentes nesse modelo e como eles refletem o compromisso ambiental da marca?
R: O tênis conta com cabedal em malha Ketten Engineered Mesh de poliéster reciclado, além de cadarços e palmilha também em poliéster reciclado. A sola é de borracha amazônica e a entressola utiliza EVA (Etileno-Vinil-Acetato).
Possui ainda a Dynamic Plate, uma placa de EVA rígida de origem biológica (95%, sendo 76% proveniente da cana-de-açúcar), que proporciona estabilidade e resposta durante a corrida. Para maior durabilidade e suporte, o modelo conta também com painéis em poliuretano termoplástico (TPU).



Com a nova Dynamic Plate e a leveza de apenas 276 gramas, o Condor 3 Advanced combina tecnologia e conforto. Como a VEJA busca equilibrar inovação técnica e estética consciente?
Trabalhamos com materiais de origem biológica, que unem performance, durabilidade e leveza, sem abrir mão do design. Estamos atentos às novidades e tendências do mercado, trazendo soluções que aprimoram a experiência do corredor. Ao mesmo tempo, mantemos um olhar cuidadoso sobre estética, sem deixar de expressar nossa identidade. Esses princípios também guiam o desenvolvimento de novas collabs que tenham compromissos alinhados aos da VEJA.
O mercado de corrida de rua cresce a cada ano no Brasil. Como a VEJA enxerga esse movimento e o papel da marca dentro desse universo que mistura saúde, comunidade e estilo de vida?
R: Nós queremos estar por perto, fortalecendo o senso de comunidade que a corrida proporciona. Esse movimento está em constante crescimento — cada vez mais pessoas se abrem para essa experiência — e reconhecemos que, embora nosso tênis ainda não seja de altíssima performance, ele cumpre muito bem o papel de acompanhar corridas de rua, que refletem o verdadeiro espírito da VEJA: acolher pessoas e promover bem-estar.
Temos também o Shift Run, um projeto global da VEJA que comunica exatamente essa ideia. A iniciativa busca se aproximar das pessoas por meio do movimento — seja ele qual for — e acontece mensalmente em nossas lojas, oferecendo experiências ligadas à corrida e incentivando um estilo de vida mais saudável.
Muitos corredores dizem que a corrida é tão mental quanto física. De que forma o espírito “corra pelo prazer, não apenas pela linha de chegada” — tão presente na Jolie Foulée — conversa com os valores da VEJA?
R: Nós prezamos pelo prazer e bem-estar das pessoas e aí estamos falando de quem corre também, sem a preocupação com tempo ou meta, apenas pela curtição do movimento social e de autocuidado. Simplesmente pelo prazer de correr e estar com pessoas que compartilham desses mesmos sentimentos.
Além da performance, o Condor 3 Advanced traz uma proposta de versatilidade. Para quais tipos de corrida ou momentos vocês recomendam esse modelo — do treino diário à vida urbana?
R: Temos escutado muito que o Condor 3 Advanced é o tênis perfeito para uma viagem, que pode ser usado tanto para eventos , passeios e é o companheiro de corridas de quem as pratica, justamente pela versatilidade e pela estética, ele cumpre todas essas funções. Eu particularmente adoro o modelo pois é super confortável e versátil para o dia a dia e para correr.
O que podemos esperar da VEJA no futuro da corrida? Há planos de expandir essa linha running e continuar conectando propósito, performance e estilo?
R: A VEJA está sempre atenta às novas tecnologias e em constante busca por aprimorar seus produtos — seja por meio da inovação em materiais, processos ou design funcional.
Por utilizarmos matérias-primas de base biológica, nossas pesquisas de desenvolvimento são extensas e muitas vezes fogem do convencional, exigindo mais tempo para alcançar resultados que atendam ao nosso padrão de qualidade.
Apostamos fortemente na linha de performance e, por isso, há novidades incríveis a caminho para fortalecer ainda mais essa categoria. Podem esperar também por novas colaborações e parcerias que reforçam nosso compromisso com a performance, a responsabilidade socioambiental e o estilo.
Mais do que um novo tênis, o Condor 3 Advanced representa um passo adiante na jornada da VEJA rumo a um futuro em que performance e sustentabilidade caminham lado a lado.
Com sua estética moderna, leveza e consciência ambiental, o modelo reafirma que é possível correr com propósito — celebrando o prazer do movimento, a conexão com a natureza e a busca por bem-estar coletivo.
Disponível no site oficial da marca e na loja da VEJA em São Paulo, o novo Condor 3 Advanced chega para inspirar uma nova geração de corredores a correr não apenas por resultados, mas pelo simples prazer de se mover.

Por: Pablo Mateus – CEO Runners Brasil

“Aproveitar a jornada com qualidade e alegria é primordial”. Doutor Corrida, como o próprio nome nas redes sociais já diz, é médico ultrassonografista, corredor e um viajante incansável. Em seis anos entre trilhas e asfaltos, Adriano Gomes Muniz Pereira, coleciona uma jornada apaixonante e admirável pelo mundo e vive cada corrida com uma intensidade única. Só em 2023, enfrentou a incrível marca de 29 provas entre maratonas e ultramaratonas, e começa o ano em busca de mais conquistas e novas experiências por paisagens de tirar o fôlego. Adriano também é criador de conteúdo, e leva às redes sociais, cada nova descoberta, seus treinos, dicas para os amantes do esporte e notícias do mundo da corrida. Sua comunidade nas redes sociais já ultrapassa 120 mil pessoas, entre instagram e Youtube. Mas como se recuperar diante de uma vida tão corrida em meio a uma rotina pesada no trabalho? É o que o pernambucano conta à Runners Brasil, em uma entrevista cheia de inspiração e motivação.
Sabine Weiler: Corrida para você, é sinônimo de longas distâncias. Qual foi o momento da sua vida de atleta que decidiu correr maratonas e ultramaratonas?
Doutor Corrida: No início comecei a participar das provas mais curtas como 10km. Sempre associei o prazer de correr em dois aspectos: o “curtir o caminho”, conhecer as paisagens e lugares em que estou correndo e o “superar um desafio”. Com o tempo notei que as longas distâncias me entregavam uma maior variedade de caminhos para curtir, e um desafio mais difícil, consequentemente um sentimento de superação maior. As longas distâncias acabam potencializando os fatores que me dão prazer na corrida.
Sabine: Como você escolhe as suas provas?
Doutor Corrida: Hoje em dia faço uma mescla de provas que gosto e quero correr, outras que não conheço, mas sou convidado e tenho boas referências dos amigos da corrida, e aquelas em que acho que apresentar a experiência será positivo para meus seguidores. Apesar de ser um corredor que gosta muito de correr em trilhas, acabo correndo muito provas de asfalto também. Costumo diversificar as experiências na corrida.
Sabine: Você viaja o mundo com a corrida! Como planeja cada prova no seu calendário?
Doutor Corrida: Apesar de algumas pessoas acharem que saio empilhando provas sem critérios, geralmente escolho três ou quatro provas alvo no ano e vou adaptando as outras para entrarem como ferramentas na preparação para essas provas. Não corro as provas sempre buscando performance, em 2023 foram 09 maratonas e 16 ultras, então é humanamente impossível performar em todas, cada uma tem o jeito correto de gerenciar segundo meus objetivos principais.
Sabine: Como é a sua rotina quando não está viajando? Como concilia o trabalho com os treinos?
Doutor Corrida: Sou médico e, ao contrário do que alguns pensam, não vivo só de correr, tenho uma rotina bem pesada, e para fazer o volume de treinos necessário, tenho que treinar antes do trabalho e a noite quando chego em casa. Treino dois períodos de segunda a quinta, descanso sexta, e sábados ou domingos tenho longos ou provas.
Sabine: Como você se recupera de uma corrida? Faz algum intervalo mais longo no pós-prova?
Doutor Corrida: Como as corridas são muito próximas uma da outra, faço uma recuperação ativa, onde diminuo o volume, e trabalho com massagens e regenerativos. Acaba não sendo muito complicado, pois tenho um corpo adaptado a esse ritmo e que considero de rápida regeneração. Ser médico ajuda muito por saber conhecer os diversos sinais corporais e, apesar de conhecer as opções de medicamentos, raramente recorro a algum deles.



Sabine: O que considera mais importante para que o corpo se recupere de uma prova de longa distância?
Doutor Corrida: Saber reconhecer os sinais e atuar naquilo que o corpo te apresenta. Reconhecer quando existe uma simples dor pós-atividade ou algo que pode evoluir para uma lesão, saber a hora certa de exigir dele após um estímulo mais intenso. Saber dialogar com ele.
Sabine: Qual foi a prova mais longa que você fez e descreva como foi o processo do pós-prova já pensando no próximo objetivo!
Doutor Corrida: A maior distância foi de 250km, porém foi dividido em quatro dias, o que facilitou o processo de recuperação. O desafio era uma ultra de 55km na semana seguinte que acabei fazendo com cautela e deu tudo certo. Já tive provas de montanha com mais de 30 horas de duração e geralmente uma semana seguinte de recuperação e treinos leves já funcionam para mim.
Sabine: Você suplementa? Que tipos de suplementos usa para ajudar na recuperação muscular?
Doutor Corrida: Considero que o melhor suplemento é disparadamente uma boa alimentação. Tento focar nisso na etapa pós-prova e realmente acho que faz diferença na recuperação. Algumas pessoas acabam querendo extravasar na alimentação nesse período e isso não é bom. Suplementos que uso no dia a dia incluem Creatina, beta alanina, glucosamina e condroitina. Mas sou reticente ao indicar o que uso para todos. Acho que cada caso é um caso e o melhor é que o atleta converse com um profissional de nutrição para avaliar bem suas necessidades.
Sabine: Usa algum tipo de tecnologia para se recuperar dos treinos diários ou de uma prova longa para iniciar um novo ciclo de treinamento?
Doutor Corrida: Único aparelho é uma pistola de massagem. Já usei botas de compressão pneumática, mas não uso rotineiramente.
Sabine: É adepto a algum tipo de alimentação que o ajuda nos treinos e na regeneração?
Doutor Corrida: Já fui o tipo de corredor que não ligava muito para a alimentação. Mas com o tempo realmente percebi que isso é um dos aspectos que mais faz diferença na vida do corredor. Uma alimentação balanceada e bem estruturada realmente funciona muito bem na performance e na regeneração do corredor, especialmente no que se diz a retirar os ultraprocessados e evitar o abuso de carboidratos, gorduras ruins e bebidas alcoólicas.
Sabine: Em algum momento da sua vida de atleta, você teve que parar algum treino ou até mesmo uma prova, e depois percebeu que não estava recuperado totalmente para voltar a correr? Se sim, como foi esse processo?
Doutor Corrida: Geralmente não costumo interromper treinos, apenas se sentir que há algum risco de lesão ou que está muito improdutivo. Prova só abandonei por trauma do joelho que bateu em uma rocha durante a corrida. No momento que algo assim acontece, tem que se avaliar os sinais que o corpo entrega e trabalhar bem na recuperação, ser profissional da saúde é fundamental para mim nesses momentos.
Sabine: Quais são suas metas para 2024 na corrida? Vem alguma prova inusitada, ousada?
Doutor Corrida: Trilheiro que sou, estou trabalhando para chegar a UTMB, que considero o mais alto patamar de minha categoria. Penso que a UTMB está para o trilheiro, como a Maratona de Boston está para o corredor do asfalto. Faço questão de perseguir esse sonho e mostrar a todos que também o tem, que ele é perfeitamente possível para um corredor amador, que tem uma vida normal, trabalha e tem boletos a pagar.
Sabine: O que te motiva a percorrer o mundo com a corrida? Você procura fazer provas que não existem no Brasil?
Doutor Corrida: Adoro viajar, viver experiências e culturas diferentes, e adoro correr. Por que não unir tudo isso? Geralmente tento correr entre duas e quatro provas internacionais por ano. Sei que é difícil para a maioria das pessoas, mas também sei que se programando e trabalhando nesse sonho, às vezes se consegue viver essa experiência.
Sabine: No seu Instagram você divulga seus treinos, provas e traz conteúdos que incentivam a corrida e curiosidades! Como você formou a sua comunidade que já chega a 100 mil seguidores?
Doutor Corrida: Acho que o principal é criar um conteúdo não focado só no que eu faço. Correr mais de 20 provas grandes em um ano não é o que o corredor normal vai fazer, certamente é uma realidade de poucos. Se só foco apenas nisso, qual o ganho real para o corredor normal? Na verdade, faço um conteúdo para todos, um corredor de trilha vai encontrar dicas para a trilha, um de asfalto vai encontrar dicas para o asfalto, aquele que precisa de uma palavra de estímulo vai encontrar essa palavra e até quem quer só se divertir e ver um meme de corrida vai achar um conteúdo para si também. Essa diversidade que atrai tantas pessoas para o meu perfil.
Sabine: A sua Bio do Instagram traz a frase “O maior desafio é superar o medo de falhar!” Como lidar e enfrentar isso?
Doutor Corrida: Muitos pensam que as maiores dificuldades são encontradas na prova em si, naquele momento em que podemos falhar ou não. Mas o momento em que superamos o medo de falhar acontece muito antes da prova em si: é no instante que mesmo podendo falhar, tomamos a decisão de lutar arduamente para superar todos os desafios! Essa é a hora chave da vitória – mesmo sabendo que pode dar errado, nos levantamos e partimos para o combate, nos inscrevemos na prova e iniciamos os treinos.
Sabine: Qual recado você deixa aos leitores da Runners Brasil?
Doutor Corrida: Muitos consideram a corrida como um esporte de competição, buscam sempre dar o melhor e conquistar os seus objetivos – e nada mal ter esses pensamentos. Mas meu conselho é: pensem na corrida como uma ferramenta de saúde e felicidade. Aproveitar a jornada com qualidade e alegria é primordial, o restante virá naturalmente.
Por: Sabine Weiler

Q&A Runners Brasil
Uma Odisséia Brasileira: Pedro Luiz Cianfarani na Barkley Marathon
Publicados
2 anos atrásem
28/11/2023De
Pablo MateusNa busca por desafios extremos, poucos eventos se comparam à lendária Barkley Marathon. Este ultramaratonista brasileiro, Pedro Luiz Cianfarani, alcançou um feito notável ao se tornar o segundo brasileiro a se qualificar para essa corrida mítica, depois de seis anos de determinação incansável. Neste Q&A exclusivo, Pedro compartilha sua jornada, revela os desafios enfrentados, e oferece insights valiosos sobre como ele está se preparando mentalmente e fisicamente para enfrentar os terrenos difíceis e condições imprevisíveis da Barkley Marathon. Vamos mergulhar nas profundezas deste desafio extraordinário e conhecer a mentalidade por trás dessa busca épica.
Runners Brasil: Como você se sente sendo o segundo brasileiro a se qualificar para a Barkley Marathon depois de seis anos de tentativas?
Pedro Luiz Cianfarani: Um sonho realizado!!! Quando comentei com um amigo escutei muito que seria quase impossível, mas provei que não era impossível, difícil sim, não impossível.
RB: Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao longo desses seis anos para alcançar a qualificação para a Barkley Marathon?
PL: Eu comentei que este desafio começa para conseguir ser chamado, pois como não tem um site ou app para fazer a inscrição tudo fica mais difícil e você precisa descobrir como ser convocado.
RB: Como foi o processo de seleção e qualificação para a Barkley Marathon? Quais critérios você teve que atender para se qualificar?
PL: Esta pergunta fica difícil responder por ética ao desafio, nem o dia da competição posso falar, são coisas que é pedido no único canal de informação da prova no Facebook que também é um grupo restrito. Esta competição é única por isso mesmo, pelo mistério que ela envolve.
RB: A Barkley Marathon é conhecida por seu terreno extremamente desafiador e condições climáticas imprevisíveis. Como você está se preparando fisicamente e mentalmente para enfrentar esses desafios?
PL: Sei que tudo neste desafio é feito para não completarmos e lutaremos o tempo todo contra. Já estou acostumado com desafios extremos onde levamos o corpo ao limite e mesmo assim sei que nada se compara. Tenho uma equipe de profissionais ao meu lado preciso aprimorar minha navegação com mapa e já estou contatando um profissional para me auxiliar. Minha equipe é coordenada pelo meu irmão que é um profissional de educação física com muitos anos de experiência.

RB: A navegação é fundamental na Barkley, já que não há sinalização clara. Como você está se preparando para a parte de orientação da corrida?
PL: Como disse anteriormente, já contatei um profissional para me auxiliar com navegação por mapa e irei intensificar meus treinos de Trail e força.
RB: O limite de tempo da Barkley é notoriamente difícil, com apenas 60 horas para completar as cinco voltas. Como você está planejando gerenciar seu tempo e energia ao longo da corrida?
PL: Já estou me programando no tempo de 12 horas por volta.
RB: O criador da Barkley, Gary “Lazarus Lake” Cantrell, é uma figura misteriosa e excêntrica. Você teve a oportunidade de interagir com ele? Se sim, que conselhos ou insights ele compartilhou?
PL: Já troquei muitos e-mails com ele principalmente quando me classifiquei para o mundial de Backyard (Resta 1), prova idealizada também por ele e que infelizmente não fui devido a pandemia. Quanto a conselhos ele fala muito pouco sobre a prova e conseguimos as dicas e conselhos pelos veteranos no Grupo do Google e Facebook.



Fotos: Arquivo Pedro Luiz
RB: Qual é a sua maior motivação para enfrentar a Barkley Marathon, considerada uma das corridas mais difíceis do mundo?
PL: A participação nesta icônica corrida irá coroar minha trajetória no mundo das ultramaratonas, já fiz as mais difíceis ultramaratonas no Brasil e no Mundo sempre sonhei com esta que seria a cereja do bolo, uma cereja um pouco amarga eu sei rsrsrs
RB: Você tem algum plano de estratégia específico para a Barkley Marathon, ou está aberto a improvisar à medida que a corrida se desenrola?
PL: Irei com uma estratégia, mas tudo poderá mudar conforme a corrida vai acontecendo. Um veterano de 6 participação na Barkley estará comigo para me ajudar no planejamento.
RB: Como você espera que sua experiência na Barkley Marathon influencie seu futuro como corredor de ultramaratona e seus objetivos no esporte?
Quero abrir as portas da Barkley para os Ultramaratonistas do Brasil e América Latina, sei que temos muitos ultramaratonistas de nível muito alto que se sairia muito bem.
Pedro Luiz Cianfarani
Nascido em 21 de abril de 1968 em São Caetano do Sul mudando para São Bernardo do Campo após o casamento em setembro de 1989.
Início nas corridas de rua em dezembro de 1998 na corrida de Natal no Ibirapuera e no mundo da Ultramaratona em 2006 em uma corrida de 6 horas organizada pelo Carlos Dias. Deste dia até hoje foram inúmeras provas de longa distância, 100 km, 50 km, 50 milhas, 12, 24 e 48 horas e provas como Brazil 135, Uai, 300 o desafio, Badwater 135, LLAJTAY BACKYARD ULTRA e outras.
Principais provas
Brazil 135 (217 a 260 Km pelo Caminho da Fé)- 12 participações e conclusões com melhor tempo de 35 horas / 300 o Desafio/RMR (300km pela Estrada Real) – 3 participações e conclusão – 3º , 4º e 5ª colocação / Badwater 135 (217km no Vale da morte) – concluída em 2018 / LLAJTAY Backyard Bolívia 2019 e 2023 (resta 1) – 2º colocado em 2019 – Com este resultado conseguido na Backyard Bolívia me garantiu uma vaga no mundial no Tennessee (EUA) que infelizmente não participei devido as restrições impostas pelos EUA devido a pandemia em fechar as fronteiras / 48 horas Internacional da Mantiqueira – 316 km – 2º colocado e 19º ranking mundial em 2018 /24 horas – foram muitas pelo Brasil (SP, RJ e Paraná)
Por: Pablo Mateus

Como transformar seu relógio ou app de corrida em uma ferramenta contra as lesões
Bravus Race 2026 estreia temporada em São Paulo com o desafio “Máquina Humana”
Jungle e Smoov lançam collab com foco em hidratação e reposição de eletrólitos
Em Alta
Notícias4 semanas atrásShape não se constrói só na academia: começa no sono
Notícias4 semanas atrásStrava lança a funcionalidade Seleção de Treinos que oferece recomendações personalizadas de atividades para os atletas
Notícias4 semanas atrásEmbaixada do Reino Unido abre inscrições para a corrida Health Run UK-Brasil
Notícias2 semanas atrásNIKE MIND: CHEGA AO MERCADO BRASILEIRO O PRIMEIRO CALÇADO DA MARCA BASEADO EM NEUROCIÊNCIA
Nutrição Esportiva4 semanas atrásVida saudável na lista de metas do ano: como transformar intenção em rotina possível
Coração de Corredor3 semanas atrásCorrida Segura: O que todo corredor precisa Saber
Notícias4 semanas atrásRio de Janeiro recebe mais de 20 provas no calendário 2026 da Norte Marketing Esportivo
Notícias4 semanas atrásNorte Marketing Esportivo anuncia calendário de corridas de rua em Recife para 2026
Você precisa estar logado para postar um comentário Login