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Faça um mergulho profundo, mas antes analise muito bem a água

16/02/2025 | De Darlan Souza

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Faça um mergulho profundo, mas antes analise muito bem a água

Faça um mergulho profundo, mas antes analise muito bem a água

Quem são suas referências, quem são seus mestres?

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Ouço corriqueiramente os mais antigos da nossa área de atuação (profissionais de educação física) ou de outras áreas correlatadas reclamarem muito ou mesmo relatarem que “os jovens de hoje em dia, não tem interesse em nada e são fugazes e velozes demais”. Citam que falta interesse, falta disposição e conhecimento. Confesso que me fiquei pensativo sobre isso, pois eu mesmo, quando iniciei nesta jornada, não sabia sobre nada e sobre ninguém de minha área e fui investigando como todo bom curioso.

Ouvi um outro colega dizer “que se assusta” em ver os jovens quererem fazer vídeos com dicas de treinos, saúde e performance nas redes sociais e não saberem quem foram as grades referências na nossa área como: Matveev, Verkhoshansky, Platonov, Fleck, Åstrand, Bompa, McDardle, Netter, Guyton, Lehninger. Eu iria além, poderia citar os nomes de grandes atletas, ou mesmo de grandes mestres como; Antônio Carlos Gomes, Waldemar Guimarães, Wanderlei Oliveira, Bayardo e entre outros das nossas universidades brasileiras. Ou mesmo as atuais referências acadêmicas mundiais como Andrew Jones, Asker Jeukendrup, Stuart Phillips, Louise Burke e Panteleimom Ekkekakis, Trent Stellingwerff, Erick Rawson entre outros. Poderia citar livros clássicos da nossa literatura em português e inglês, enfim teria muita coisa a se referir.

Eu já presenciei algumas coisas como pessoas que praticavam corrida de rua há alguns anos, dizendo que não sabiam quem era Ronaldo da Costa, pessoas que faziam jiu-jitsu há mais de três meses dizerem que não sabiam quem era Hélio Gracie e outra academia que fui certa vez entregar um material, o professor me disse que não sabia quem era Waldemar Guimarães.

Agora antes de criticar, devemos ajudar, já vi muito colega dizer que vai ajudar, que vai se empenhar, que está disposto a colaborar com todos os novatos, mas na hora que “convocamos” para esta colaboração, o que ouvimos é: “estou na correria” quem sabe vejamos isso ano que vem. Aí não dá né! Concordo que tem muita gente que acredita saber tudo, quer ser validado “goela abaixo” e acredita que dar um “carteiraço” ou uma “diplomada” vai resolver e vai ser reconhecido como “o cara” da nossa área. Para ser uma verdadeira referência é preciso ser grande, ser gigante em muitos aspectos, é muito mais ter seguidores ou patrocinadores, ou ter um bando de idiotas ignorantes (por falta de conhecimento) que o idolatram.

É muito mais que isso, é preciso viver, estar mergulhado na área e acima de tudo ter a humildade de estar sempre ajudando, aprendendo, participando de eventos e congressos dos mais comerciais ao mais acadêmicos e científicos, sempre com aquela “chama interna” da vontade de ir além que jamais se apaga. Debruçando todo tempo possível, debruçando com muito amor e dedicação na atividade e na interação dos assuntos, algo que poucos tem. Digo mais, já vi muitos colegas formados se intitulando “cientistas” o que é um erro, pois não fazemos ciência, ciência é o todo. O máximo que alguém pode fazer na nossa área é a pesquisa que é parte da ciência, uma fração, é por exemplo saber procurar bons artigos nas bases de dados como como o PubMed, SciELO entre outros, ler os bons artigos, interpretar e escrever mais alguns artigos e publicar em revistas de alto impacto, então este sujeito será um pesquisador, cabe lembrar que os excelentes artigos são escritos em inglês, então esperamos que este sujeito tenha pleno domínio da língua estrangeira, certo?

Indo além, em que nível de pesquisador, quantos artigos de elevado nível e alto impacto escreveu com seu grupo de pesquisa? Pois o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) possuem sistemas de classificação para pesquisadores e instituições. Por exemplo: 1A (mais alto),1B,1C,1D e Pesquisador Nível 2 – Para pesquisadores em estágio inicial de consolidação na carreira. E tudo isso depende da produção científica, liderança em pesquisa, orientação de alunos e impacto da pesquisa. A Capes classifica os programas de pós-graduação em sistemas de avaliação em uma escala de 1 a 7, e a classificação do programa pode impactar a percepção da qualidade dos pesquisadores vinculados a ele (A EEFE da USP teve nota máxima 7 no último quadriênio). Veja que é mais profundo que se imagina, então se intitular um “cientista” me parece um pouco mais do que o sujeito realmente é, pelo menos no mundo acadêmico científico.

Outro ponto a destacar, me parece que (infelizmente) a grande maioria dos treinadores no Brasil, prescreve os treinos na base da experiência prática (que muitas das vezes é de poucos anos), ou do empirismo, por exemplo confundindo algo crucial no mundo do treinamento, que é fazer a prescrição baseada em atletas profissionais, sendo que o seu cliente/aluno/paciente é um sujeito comum ou mesmo um atleta recreacional). É o mesmo que ler todos os manuais da F1, fazer um curso na Ferrari e depois ir atender as pessoas normais, com seus carros populares, tentando encontrar solução de consertar um Fiat Uno 2008 no Brasil do seu João.
Prescrever treinos sem estar pautado em ciência ou mesmo se preocupar verdadeiramente em personalizar ao máximo o treino para aquele indivíduo, sem ser algo “enlatado”, um treino “pronto de gaveta” é o melhor caminho para o fracasso. Dificilmente um profissional conseguirá manter alguém ativo (com aderência a atividade), atuar com excelência, se sustentar na prática com resultados satisfatórios (na saúde, na performance) se não tiver embasado, ancorado em bases teóricas sólidas o suficiente para que sustentem suas escolhas, suas condutas e suas práticas na atuação diária, seja com um sujeito que poderia chamar de cliente, um aluno ou um atleta. Escolher entre viver no mundo acadêmico e no mundo prático fora dos laboratórios de pesquisa muita organização, disposição e tempo de sobra.

Neste sentido, o que temos que fazer é ter paciência com os jovens e lembrar: Nem todos, quando começam tem boas referências, tem um histórico familiar na área ou algum nível de vivência ou experiência na área. Nossa missão agora é ajudar os mais jovens justamente para que eles tenham acesso a este conhecimento, compreendam o poder de saber onde está pisando, conhecer a história, estudar o presente e ver o futuro com cautela. É mergulhar, porém com respeito ao “oceano de informações e histórias”

Eu mesmo, se analisar friamente, ninguém da minha família havia se quer pisado em uma universidade, imagina ter um contato próximo com algum pessoal que atuava com educação física. Logo, neste sentido tive que “abrir picada” e desbravar toda área sozinho e com o ímpeto de começar do zero, mas atingir o objetivo maior, que é buscar pelo conhecimento, entender mais sobre a área e atuar com preparação física, saúde e com pessoas.

Para quem está começando em alguma área de atuação e não quer passar vergonha:
Indico começar a conhecer pelos locais que mais rápido e fácil terás acesso, por exemplo: quem são as maiores referências locais (do bairro) ou da cidade. Quem são estes profissionais ou praticantes, que todos reconhecem como pessoas que são do mitiê e estão intimamente ligados a esta atividade. Use seu tempo e toda potencialidade da internet, assim, procure listar os maiores nomes da área, pessoas que fizeram história e principalmente ler livros e artigos de jornais, revistas e cadernos voltados ao tema. Isso fará uma grande diferença desde cedo. Ler é poder. Depois conheça mais e estude sobre as referências da região, cidades do entorno.

Analise com calma, faça anotações, depois vá “mergulhando” vagarosamente na área, ganhando seu espaço e mostrando seu interesse (praticando ou ouvindo quem pratica), mostre todo seu valor e o quanto estás disposto a entender mais sobre o assunto para poder atuar nesta área. Mostre entusiasmo e paixão pela atividade que estás perguntando. Ouça pessoas e histórias.

Notadamente já estarás mais habituado a reconhecer todos os nuances da área e terá tido algum tipo de aprendizado. Depois avance e busque estudar sobre as referências a nível estadual, quem são estes profissionais que todos no estado reconhecem e participam de eventos, são chamados para palestras na área, congressos e workshops, tem uma carreira mais sólida e mais anos de vivência. Depois disso, pode avançar mais e com cuidado conhecer os reconhecidos profissionais a nível nacional, pessoas que todos têm como referência, tem alto grau de conhecimento e estão há décadas neste ramo de atuação.

Veja que foi tudo gradual e com o tempo, justamente para ir absorvendo melhor todo este mapa mental e ir mergulhando paulatinamente na área e dentro do contexto que é possível de acordo com sua agenda, estilo de vida e capacidade de absorver este conhecimento, gerando mais maturidade e entendimento.

Recado importante: Jamais devemos esquecer que vivemos na era da informática, das redes sociais, onde a atenção as telas e o tal engajamento gera muito mais lucro do que possamos imaginar (Youtube paga 5.000 dólares para quem atingir um milhão de visualizações), assim os jovens criam conteúdos para os próprios jovens pois ambos tem tempo de sobra para ficar nas telas. As plataformas pagam bem por cada visualização, e quanto mais visualizações tiver para esta “geração upload” melhor financeiramente. Então quanto mais absurdo for o conteúdo e mais polêmico for o vídeo, e por mais que tudo isso possa parecer uma loucura, tem muita gente ganhando dinheiro com a ignorância alheia, criando um verdadeiro circo digital. Eu já escrevi sobre os GURUS da Internet: https://runnersbrasil.com/cuidado-com-o-guru-das-redes-sociais/

Mergulhar no conhecimento é como explorar um oceano infinito: quanto mais nos aventuramos em suas profundezas, mais descobrimos a vastidão do que ainda desconhecemos. Essa imersão não se trata apenas de acumular informações, mas de cultivar curiosidade, questionar o óbvio, estudar os fenômenos e conectar saberes para além da superfície. Ao nos dedicarmos a aprender com humildade — reconhecendo que cada “gota” de saber é parte de um mar maior —, transformamos nossa visão de mundo e contribuímos para a teia coletiva do conhecimento humano. Como lembra a metáfora newtoniana, mesmo sobre os ombros de gigantes, é preciso nadar contra as correntes da acomodação, pois só assim expandimos os limites do que é possível saber. A verdadeira sabedoria não está em dominar o oceano, mas em nunca deixar de mergulhar.

Pode ser que tudo que escrevi por aqui nesta longa reflexão seja para muitos, totalmente irrelevante (tudo bem!). Aproveito e alerto a todos os leitores para continuem estudando muito, lendo muito e que façam escolhas certas na hora da contratação de um profissional para cuidar da própria sua saúde, dos seus treinos e independente se você está buscando alguma performance ou uma vida mais ativa através do esporte, não treine por conta própria.

Cerque-se de profissionais capacitados e habilitados, sua saúde não tem preço. Finalizo o texto com as frases:

“Se eu vi mais longe, foi por estar sobre os ombros de gigantes.”
“O que sabemos é uma gota; o que ignoramos é um oceano”
“Só sei que nada sei” – Sócrates.

Bons treinos camaradas.

Sobre o autor

Darlan Souza

Profissional de Educação Física

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