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As principais dores no joelho do corredor

14/03/2026 | De Dra Ana Paula Simões

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As principais dores no joelho do corredor
A corrida é uma das atividades físicas mais praticadas no mundo e também uma das que mais sobrecarregam o joelho. Estima-se que até 50% dos corredores apresentem dor no joelho em algum momento da prática esportiva. O ponto central não é “inflamação”, mas sim gestão de carga, biomecânica e capacidade tecidual.
A seguir, as principais condições associadas à dor no joelho em corredores que vejo no consultório:
1) Tendinopatia Patelar 
Caracteriza-se por dor localizada no polo inferior da patela, pior ao correr, saltar ou descer escadas. Diferente do conceito antigo de “tendinite”, trata-se predominantemente de um processo degenerativo por sobrecarga repetitiva, com desorganização de colágeno e neovascularização.
Fatores associados:
•Aumento abrupto de volume ou intensidade
•Déficit de força do quadríceps
•Rigidez de tornozelo
•Alta carga excêntrica sem adaptação progressiva
Conduta baseada em evidência:
•Exercícios excêntricos e isométricos de carga progressiva
•Modulação temporária de volume
•Correção de mecânica de aterrissagem
2) Síndrome da Dor Femoropatelar (Condromalácia Patelar)
Mais comum em corredores jovens e mulheres. A dor é difusa, anterior, pior ao descer escadas, permanecer muito tempo sentado ou em descidas prolongadas.
Não se trata apenas de “desgaste da cartilagem”, mas de desbalanço entre carga e capacidade articular, frequentemente associado a:
•Valgo dinâmico
•Fraqueza de glúteo médio
•Aumento do ângulo Q
•Disfunção do controle neuromuscular
A reabilitação eficaz foca em:
•Fortalecimento proximal (quadril)
•Treino de controle dinâmico
•Ajuste de cadência e técnica
3) Síndrome do Trato Iliotibial (Joelho do Corredor)
A causa lateral mais comum de dor no joelho em corredores de média e longa distância.
Trato iliotibial
Caracteriza-se por dor lateral, que piora após determinado tempo de corrida. O mecanismo mais aceito atualmente não é fricção, mas compressão repetitiva do tecido contra o epicôndilo femoral lateral, principalmente entre 20–30° de flexão.
Fatores predisponentes:
•Aumento rápido de volume
•Corrida em terrenos inclinados
•Fraqueza do quadril
•Passada excessivamente longa
Tratamento envolve:
•Redução de carga temporária
•Fortalecimento de abdutores de quadril
•Ajuste de técnica
4) Lesão Meniscal Degenerativa
Mais comum em corredores acima dos 35–40 anos. Diferente da lesão traumática aguda, aqui o mecanismo é degeneração progressiva associada à carga cumulativa.
Sintomas:
•Dor medial ou lateral
•Sensação de bloqueio ocasional
•Piora em flexão profunda
Importante: em muitos casos, tratamento conservador é equivalente à cirurgia artroscópica em médio prazo, especialmente quando não há bloqueio mecânico verdadeiro.
5) Tendinopatia do Quadríceps
Semelhante à patelar, porém localizada na inserção superior da patela. Associada a:
•Sobrecarga em descidas
•Treinos intervalados intensos
•Desequilíbrio de força
6) Bursite Anserina
Dor medial abaixo da interlinha articular, mais comum em corredores com:
•Pé pronado
•Obesidade
•Fraqueza de quadríceps
O Verdadeiro Fator de Risco: Gestão de Carga
A literatura é consistente: o principal determinante de dor no joelho em corredores não é o impacto isolado, mas a variação abrupta de carga sem adaptação biológica adequada.
Tecidos respondem a estímulo progressivo. Quando a carga excede a capacidade adaptativa, surgem sintomas.
Corrida não “estraga” o joelho.
O erro está na progressão inadequada, na negligência da força muscular e no descanso insuficiente.
A prevenção é baseada em três pilares:
1.Progressão gradual de volume
2.Treinamento de força de forma funcional
3.Monitoramento de dor como guia de carga
Bons treinos valentes!
Referências Bibliográficas
1.van Gent RN et al. Incidence and determinants of lower extremity running injuries. Br J Sports Med. 2007.
2.Willy RW, Davis IS. The effect of a hip-strengthening program on mechanics during running. J Orthop Sports Phys Ther. 2011.
3.Khan KM et al. Patellar tendinopathy: some aspects of basic science and clinical management. Br J Sports Med. 1999.
4.Englund M et al. Arthroscopic surgery for degenerative meniscal tear. N Engl J Med. 2013.
5.Fairclough J et al. The functional anatomy of the iliotibial band during flexion and extension. J Anat. 2006.
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Fontes das imagens

Foto: Freepik

Sobre o autor

Dra Ana Paula Simões

Médica esporte e Ortopedista

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