Q&A Runners Brasil – Armando Marchezani
Qual corredor começa a correr com chuteira? Armando Marchezani. Aos 17 anos, apaixonado por futebol, começou a correr em chão de terra para buscar a performance para o esporte com bola. Mas a dedicação nos treinos foi ganhando forma e conquistando o paulistano. Não levou muito tempo para o campo ficar para trás, a rua se tornar o local das corridas e o foco ser o novo esporte. O que ele não imaginava, era que em pouco tempo, já estaria no pódio. De lá para cá são 11 anos como atleta. Paixão que também virou sua profissão. Essas e outras histórias e conquistas você acompanha a partir de agora. O treinador de corrida conversou com a Runners Brasil e contou sobre a forma divertida de falar sobre corrida nas redes sociais e ainda dá dicas para correr no frio, e como tornar um treino difícil, leve para a mente.
Sabine Weiler: Correr por quê? Provavelmente algumas pessoas te perguntam isso…
Armando Marchezani: Sim, recebo muito essa pergunta. Correr para mim significa estar vivo. Quando penso que estou tendo a oportunidade de viver, logo penso em sair correndo e desfrutar do milagre da vida.
Sabine: De que maneira a corrida entrou na sua vida?
Armando: A Corrida entrou em minha vida quando eu tinha 17 anos e tinha o sonho de me tornar jogador de futebol. Lembro que onde eu treinava, os melhores atletas eram aqueles que corriam mais durante o aquecimento do treino e aqueles que continuavam correndo após o treino. Lembro que comecei a correr com o objetivo de alcançar o condicionamento físico deles. Por cinco vezes na semana, corria em média de 1h30 a 2h todos os dias, de chuteira, na terra, sem muitas instruções. Com o passar do tempo, comecei a calçar um tênis e praticar na rua. E ao decorrer do tempo, percebendo minha evolução física e mental, dei continuidade aos treinos (dessa vez sem a bola) e me inscrevi na minha primeira Corrida de Rua. Sem muito conhecimento, me inscrevi de primeira nos 10km, na tradicional prova Troféu Cidade de São Paulo. O que eu menos esperava, aconteceu: eu venci a prova na minha categoria, recebendo assim, além da segunda medalha, um incentivo a mais que me fez nunca mais largar o esporte.
Sabine: Qual a ligação da corrida com a sua profissão de Educador Físico?
Armando: Comecei a correr antes de estudar Educação Física. Eu sempre dizia a minha mãe que se eu não me tornasse jogador de futebol, seria Profissional de Educação Física. E após um ano correndo e jogando futebol, resolvi largar o esporte com bola e focar apenas em correr e estudar, o que se tornaria minha primeira profissão.
Sabine: Qual a sua rotina de treinos?
Armando: Eu nunca treinei para performance, então, não espere de mim uma resposta com segredos de desempenho, ok leitor? (risos) Minha rotina de treinos, na maior parte dos anos foi com foco em saúde, lazer e condicionamento físico, procurando trazer equilíbrio entre mente e corpo e, entre saúde e trabalho, sem pensar muito em tempos ou recordes pessoais a serem batidos. Foi assim desde o começo até o ano passado, onde tive a grata surpresa de começar a me interessar em performar, e, aos poucos, venho introduzindo isso na minha rotina, na minha mente e nas provas que planejo em fazer. Treinos mais volumosos e mais intensos estão sendo inseridos aos poucos na minha rotina. As semanas de treinos variam de acordo com a prova planejada, porém, o que é presente na maioria das semanas, são treinos de corrida fácil, treinos intervalados, treinos de tiro, musculação e descansos.
Sabine: Treinar para uma maratona exige muita dedicação e algumas pessoas pensam que não terão tempo na rotina! Como pensar em treinar para uma maratona de uma forma mais leve?
Armando: Para pensar em treinar para uma maratona de uma forma leve, deve se deixar bem claro, qual será seu objetivo durante a Maratona. Se seu objetivo é completar a prova com segurança e se divertir durante o percurso, seus treinos também poderão ter este espírito mais descontraído. Se seu real objetivo é bater uma marca ou completar a prova sendo um grande desafio a marca dos 42km, os treinos serão desafiadores também. Para mim o grande segredo é o da “clareza”. Deixar bem claro a si mesmo o que você realmente quer, pode tornar aquele treino que seria incrivelmente difícil e pesado, em um treino leve para a mente e que faz todo sentindo para você. Mas claro que, vale ressaltar que para o físico, treinar para uma maratona nunca será tão fácil, visto que precisamos estar prontos para suportar uma grande distância.
Sabine: Tem alguma prova que você sonha em fazer?
Armando: Tenho três lugares que eu sonho em correr Maratonas: Buenos Aires, Paris e Tokyo. Me sinto ligado a Buenos Aires, pois foi lá onde fiquei noivo da minha companheira Fabiana e tivemos uma experiência, por mais que curta, incrível na cidade. Paris, porque em 2020 eu estava inscrito e, por conta da pandemia, não pude ir à França realizar este sonho. Tenho o sentimento de “ficou faltando” cumprir a Maratona por lá. E Tokyo, do outro lado do globo, me sinto com muita vontade de correr por influência da cultura do país e por tudo aquilo que acompanho sobre a história da prova.
Sabine: Qual prova mais te surpreendeu/te marcou até hoje?
Armando: A prova que mais me surpreendeu até hoje foi a ‘Media Del Mar’, prova em Cartagena, na Colômbia. Foi uma prova espetacular, onde toda a estrutura e as pessoas tinham uma energia única! Nunca, na minha vida, em todas as provas que eu fiz, vi pessoas tão alegres, felizes e dispostas a cumprir seu objetivo de prova de uma forma tão especial. Além disso, o lugar é lindo. A prova passa por todo centro histórico da cidade, além de passar próxima de navios e do exército. Os soldados vieram para as ruas apoiar os corredores assim como todos os moradores da cidade. Recomendo a todos que amam corrida, desfrutar dessa prova.
Sabine: Nas suas redes sociais você dá dicas de treinos e de uma forma muito bem-humorada fala de questões da corrida. O que te incentivou a fazer esses vídeos?
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Armando: Alguns estudos dizem que nós aprendemos algo quando ensinado de forma significativa e que ocorra identificação com o assunto. Por muitas vezes, em diversos conteúdos, encontro a informação necessária, porém, me sinto um pouco desanimado com a forma que é transmitida o conteúdo. Prefiro então, utilizar do humor e de situações cotidianas para transmitir a informação e as dicas para os treinos e uma vida de melhor qualidade. Além disso, trazer humor para o treino é sempre positivo, pois, por muitas vezes, muitas pessoas treinam de forma triste e por obrigação.
Sabine: Como você encara treinar no inverno?
Armando: Procuro encarar da forma mais leve e simples possível. Deixo claro em minha mente: a chuva, o calor, a neve, meteoros, imprevistos ou qualquer outra situação não deixará que eu perca a minha vontade de correr.
Sabine: Prefere treinar na esteira ou nem pensa no frio, se agasalha e vai?
Armando: Eu realmente só utilizo a esteira em casos em que vejo que será mais seguro para mim e em ocasiões em que só terei aquela possibilidade de treinar. Por exemplo: chuva intensa, intervalo entre minhas aulas de Personal, incentivo ao aluno que quer treinar junto etc. Prefiro 100% treinar na rua, no parque ou em qualquer outro ambiente aberto.
Sabine: Que dicas você dá para quem não gosta de treinar em esteira, mas no inverno (frio ou chuva) acaba sendo uma boa aliada?
Armando: A minha dica principal para este tipo de situação é: deixe o ambiente, seu corpo, sua mente e todo o resto, o mais gostoso possível. Então se você gosta de ouvir uma música, assistir uma série, correr próximo a alguém, correr em uma academia específica… faça! Nem tudo precisa ser de um jeito que a gente ache difícil. Deixe aquilo “a sua cara” e faça do seu jeito.
Sabine: Já fez alguma prova com temperaturas bem baixas ou até abaixo de zero?
Armando: Ainda não tive a oportunidade de fazer uma prova em baixíssima temperatura, porém, nos três meses que tive a oportunidade de morar no interior da Irlanda, mantive minha rotina de treinos mesmo com o frio intenso. Eram toucas, luvas, blusas e meias para que pudéssemos treinar. Foi uma experiência única e que eu teria novamente.
Sabine: O que não pode faltar num treino/prova no frio?
Armando: O que não pode faltar, acima de tudo, é planejamento. Saber como irá se agasalhar, em que momento poderá deixar uma peça de roupa de lado, se vai para a largada agasalhado ou não, se seu corpo reage bem correndo com muita roupa e até mesmo se irá conseguir se manter em uma temperatura ideal correndo com pouca roupa. Já vi casos de pessoas que passaram muito frio na largada por estarem desagasalhadas e pessoas que ficaram com calor durante toda a prova porque acharam que iam passar frio e depois não quiserem descartar a peça de roupa. Mas cada indivíduo tem suas especificidades. Se estamos falando de um ambiente extremamente gelado, fará todo sentido largar aquecido e talvez descartar durante a prova. Porém, nada é regra. O que pode dar certo para um, pode dar errado para outro. O mais importante é treinar e se planejar diante da situação que virá enfrentar durante a prova.
Sabine: Quais as vantagens de treinar no frio?
Armando: A principal vantagem de treinar no frio é adaptar nosso corpo a um ambiente novo, quero dizer, isso se você vive, assim como eu, em um ambiente que na maioria das vezes está quente. Treinar no frio não irá gastar mais ou menos calorias. A diferença é que, por muitas vezes, as pessoas costumam fazer treinos mais “preguiçosos” quando o clima não está bom para elas, então assim, com certeza pode vir a gastar menos calorias.
Sabine: Que mensagem você deixa aos leitores da Runners Brasil?
Armando: “Correr é para todos. Corra da forma que mais lhe agrada. Deixe a corrida se conectar com o seu coração e com sua mente. Entenda que este esporte não é apenas físico. Se divirta, desfrute do percurso, das passadas, dos desafios e de tudo o que você quiser correndo. A corrida se tornará cada vez melhor se ela estiver sendo praticada do seu jeito. E tenho certeza, que sua vida se tornará cada vez melhor se estiver correndo.”

