Permissão para parar
Somos bombardeados a toda a hora para fazermos mais e melhor. Para não pararmos. Para não desistirmos. Para corrermos atrás dos nossos sonhos. Para ultrapassarmos os nossos limites. Para fazermos o impossível. Entram-nos diariamente pelos olhos adentro, sobretudo nas redes sociais, frases motivacionais de superação, vídeos e imagens incríveis de feitos extraordinários que criam em nós emoções antagónicas. Por um lado, sentimos um ímpeto para fazer mais, por outro lado, sentimos alguma frustração pela dificuldade de realização desse mesmo propósito, que na maioria das vezes, não está de todo ao nosso alcance.
E porque é que vos estou a falar disto agora? Porque senti muita necessidade de parar, de abrandar o ritmo, sobretudo nos treinos de corrida, e tive alguma dificuldade em aceitar isso, tal a quantidade de positividade tóxica que ando a consumir.
E é por isso que hoje vos quero falar sobre a “permissão para parar”.
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Depois de cerca de dez meses dedicada à corrida, com planos de corrida exigentes, ritmos a cumprir e metas para alcançar diariamente, senti, no final de junho, uma grande apatia e desmotivação para correr.
Iniciei a preparação para a Maratona de Lisboa em setembro de 2022 e só parei após a realização da Meia Maratona do Rio de Janeiro, que ocorreu em junho de 2023. Neste intervalo de tempo realizei três Maratonas – Lisboa, Valência e Madrid, e três Meias-Maratonas – Lisboa, Matosinhos e Rio de Janeiro. Naturalmente, que depois destes meses todos dedicada à corrida, sem pausas, o meu corpo estava a acusar exaustão física e mental.
Tive de tomar uma decisão. E a decisão foi desacelerar até final de setembro. Altura em que irei reavaliar este meu sentir. Obviamente que me tenho mantido ativa. Faço dois treinos de força por semana, em ginásio, e três treinos aeróbicos – bicicleta estática ou corrida.
Durante este processo retirei um aprendizado. E o aprendizado é o seguinte: nós não precisamos de dar o nosso máximo todos os dias. Devemos saber ouvir o corpo e respeitar o nosso cansaço físico e mental. E não há problema algum com isso. Não temos de provar nada a ninguém. Temos de cuidar de nós próprios porque ninguém o fará por nós.
Na verdade, nós precisamos de ter tempo para “não fazer nada”. Às vezes esquecemo-nos da nossa humanidade. Somos humanos e precisamos de resgatar o nosso direito a não fazer nada. A não ter certezas. A não ter uma prova de corrida marcada na agenda.
De facto, não é só o trabalho que enobrece. Temos de parar com a escravidão que nos autoimpomos e limitar a nossa necessidade de provar ao mundo que somos capazes e que somos muito produtivos.
E vocês? Permitem-se a parar?

