Pipocas e piratas na corrida, aqui e agora até lá em Boston
Desculpem, mas vocês não são bem-vindos e prejudicam todo evento.
Para muitos corredores, uma das melhores partes de terminar uma prova em especial as de longa distância como uma maratona é conseguir receber a famigerada medalha depois de cruzar a linha de chegada.
Aquele pedaço de metal que monetariamente falando não vale quase nada, tem um alto valor sentimental, ainda mais se você se dedicou muito para completar a tão sonhada prova-
Inclusive nos EUA é normal sair ostentando ela no peito o resto do dia pela cidade, recebendo descontos em lojas e restaurantes e de quebra ganhando uns sinceros elogios.
Acontece que de um tempo para cá, alguns corredores tem buscado correr as provas na pirataria ou como chamamos “na pipoca” e isso já ocorreu em provas de renome do Brasil e agora pelo visto na centenária maratona de Boston.
Na maratona de Boston neste ano (2023), quem chegou depois das 5:15’ ficou sem medalha.
Engraçado que quem faz isso, sempre arruma um jeito de fazer do jeito não convencional, seja entrando lá pelo km 1 no percurso, ou copiando número de peito um do outro e já soube de casos de gente que imprimiu em casa o número do peito (para acessar o brete de largada), depois de copiar da rede social de um azarado corredor, que com todo orgulho havia publicado seu kit de corrida completo em uma rede social.
- Mas eu quero participar do evento e perdi o prazo e agora?
Perdeu o prazo de inscrição ou não tem o índice para participar?
Aqui vai então umas dicas para ser um corredor legal que não está devidamente inscrito: Em dia de um evento de corrida, vá ao local apenas para apoiar (atrás da grade de proteção), nada de aparecer em alguma parte do percurso para correr “junto” ou pedalar. Não pode!
- Quero treinar no percurso da prova, aproveitar o trecho, rever meus amigos, posso?
Definitivamente não! Treine em outro local, outras avenidas, outros parques, encontre outra praça para treinar, vá ao local somente ao final do seu treino, para apoiar e rever seus velhos amigos e camaradas que fizeram a prova.
A rua apesar de ser pública em um evento esportivo, está alugada (inclusive o valor é bem alto, veja na prefeitura os valores e vai se surpreender). E a rua tem uma certa capacidade de receber pessoas para correr bem com segurança no trecho, independente se vai pegar água ou não (que nem poderia) pois se pegar a mais, vai faltar a quem corre.
E outra: Gente demais no trecho, pode piorar o fluxo, o ritmo de corrida de quem está ali determinado a ir bem, pode causar quedas em idosos e outros desatentos com celulares fotografando, pode até prejudicar um bom “click” do fotógrafo que quer registrar a foto de quem está correndo, talvez a primeira corrida da vida. Não vamos estragar a experiência bacana de um novato, pense nisso!
E pior, se o “pipoca” sofrer um colapso no percurso, a ambulância que deveria atender os devidamente inscritos terá que atender o “infiltrado” e não dará conta de atender a todos que necessitarem, pois fez um cálculo de acordo com o número de participantes. Olha, nem quero entrar no mérito de pegar medalha ao final, aí piorou ainda mais o cenário do “pirata intrometido”.
Se um dia correu na pirataria e na pipoca, espero que não faça mais isso, não é legal, inclusive algumas organizadoras, cansadas de situações desconfortáveis como essa, processaram alguns indivíduos que insistiam em correr assim, sabiam disso?
Seja um corredor legal, quando inscrito corra, quando não deu por algum motivo, apoie na grade, faça a festa, leve bandeiras, apitos, faixas e faça a festa, apoiando, incentivando talvez com bebidas, comida e música, é a melhor forma de apoiar o esporte e ser um corredor legal. Vamos nessa?
