E, nos últimos anos, os suplementos voltados para “pele, cabelo e unhas” se tornaram populares entre corredores, principalmente entre mulheres que treinam ao ar livre.Mas nem tudo que aparece no rótulo tem comprovação.
Alguns suplementos realmente ajudam a proteger a pele da radiação, a reduzir inflamação e até a prevenir câncer de pele em pessoas de risco.
Outros, são apenas marketing bem embalado.
Afinal, o que funciona de verdade?
1.Nicotinamida: a vitamina que protege a pele do sol
Essa funciona. E muito.
O maior estudo sobre prevenção de câncer de pele não melanoma(NEJM, ONTRAC) mostrou que a nicotinamida 500 mg 2x/dia reduziu em 23% a formação de novos tumores cutâneos em pacientes de alto risco.
Para quem treina ao ar livre, isso significa:
menos dano por UV
melhor reparo do DNA
menor inflamação cutânea
Indicações reais:
Histórico pessoal de câncer de pele
Fotodano intenso
Corredores com exposição elevada ao sol
Não é: suplemento estético.
2. Polypodium leucotomos: o “fotoprotetor oral”
Suplemento de origem vegetal com forte ação antioxidante.
Estudos mostram que ele:
aumenta a tolerância da pele ao UV
reduz eritema
diminui inflamação e dano celular
É um bom coadjuvante para quem:
corre no sol com frequência
tem melasma
possui fotodermatoses
participa de provas longas ao ar livre
Mas atenção:
Ele não substitui protetor solar tópico.
É um reforço, não o escudo principal.
3. Ômega-3: anti-inflamatório sistêmico
Os ácidos graxos (EPA e DHA) têm papel importante em doenças dermatológicas inflamatórias, como:
psoríase
dermatite atópica
acne inflamatória
Para corredores, podem ajudar quando há:
pele sensibilizada por suor e atrito
eczema recorrente
crises inflamatórias pós-prova
Funciona melhor como adjuvante.
4. Colágeno hidrolisado, peptideos de colageno: o mais controverso
Até 2023 os estudos mostravam melhora em:
✔ hidratação
✔ elasticidade
✔ rugas finas
Recentemente em setembro de 2025 foi publicado um estudo clinico que não evidenciou beneficio.
5. Probióticos: promessas, mas depende da cepa
As evidências têm crescido principalmente para:
dermatite atópica (especialmente na infância)
acne inflamatória (como complemento)
Mas cuidado:
Probióticos não são todos iguais.
O efeito depende da cepa específica usada nos estudos.
Não dá para generalizar.
6. “Cápsulas de beleza”: o que é mito?
Muitos suplementos vendidos como “para cabelo, pele e unhas” parecem milagrosos mas são, na prática, multivitamínicos genéricos.
Quando fazem sentido:
Quando existe deficiência real de ferro, zinco, vitamina D, proteínas ou B12.
Quando não fazem:
Quando usados sem avaliação médica.
Quando prometem “crescimento acelerado de cabelo”.
Quando trazem megadoses de biotina (que ainda atrapalha resultados de exames).
O que a ciência NÃO respalda
cápsulas para “celulite”
suplementos anti-manchas sem estudo clínico
megadoses de antioxidantes “anti-idade”
fórmulas que prometem “efeito botox oral”
colágeno como substituto de procedimentos
A dermatologia séria não trabalha com promessas mágicas.
O que faz sentido para o corredor?
Para quem corre ao sol: polypodium + nicotinamida (em casos selecionados)
Para quem tem melasma: antioxidantes com filtro oral + protetor com cor
Para quem tem pele inflamada: ômega-3 + skincare suave
Para quem está envelhecendo com sol: skincare adequado, procedimentos dermatológicos individualizados
Para quem está cansada/o e com queda de cabelo: investigar antes de suplementar
Conclusão: suplemento não é milagre é estratégia
Para o corredor, suplementação eficaz é aquela baseada em evidência, não em marketing.
O que realmente funciona na pele é sempre uma soma de:
sol com moderação
protetor solar diário
hidratação
dieta equilibrada
treino inteligente
suplementos apenas quando fazem sentido
Na corrida e no cuidado da pele o que vence é a constância, não a promessa.
Você precisa estar logado para postar um comentário Login