RUNNERS, hoje é a segunda matéria de uma série de 5, sobre as lesões mais comuns de vocês, corredores. O intuito aqui é ser bem direto, resumindo as evidências para as lesões mais comuns e tentarei entrar o menos possível no nível técnico e detalhes específicos, trazendo assim uma fácil leitura e aplicabilidade.
Hoje falaremos da Tendinopatia do calcâneo ou Tendinopatia do Aquiles. Sabe aquela dor no calcanhar próximo ao tendão ou em sua inserção no calcanhar?
Normalmente quando iniciamos a corrida e depois quando paramos em estágios mais avançados.
Sim, você pode estar com uma Tendinopatia do Aquiles!!!!
Essa lesão é mais comum em homens por volta dos 30 a 50 anos e em corredores giram em torno de 7 a 9% segundo alguns trabalhos da literatura. A Tendinopatia do tendão calcâneo é a degeneração do tendão que ocorre de forma progressiva devido ao avanço da idade e/ou ao excesso de atividade, e não há aparentemente um processo inflamatório como pensávamos antes.
Os sintomas são dor na região do calcanhar antes ou depois da corrida, edema, dificuldade para caminhar/correr, diminuição da amplitude de movimento do tornozelo, perda de força, rigidez após descanso prolongado e logo no início dos sintomas o atleta apresenta diminuição do desempenho. Pacientes que fazem a mudança não gradual da pisada de Retropé para Médiopé ou Antepé, aumentam a sobrecarga na panturrilha e consequentemente em seu tendão, podendo assim, contribuir para a sobrecarga e degeneração do tendão. Ela pode ser no corpo do tendão ou na inserção do tendão. Quando no corpo do tendão, parece que a recuperação é mais rápida de quando ela é na inserção junto ao calcâneo, pois ali há uma diminuição do aporte sanguíneo e maior probabilidade de compressão do tendão junto ao osso do calcâneo.
O exame de imagem de escolha é a ressonância magnética para observarmos o estado de degeneração do tendão, porém o ultrassom pode ser uma opção também, com o custo menos elevado. A prática da fisioterapia baseada em evidência nos mostra que o padrão ouro de tratamento para Tendinopatia do tendão do calcâneo é a carga gradual no tendão e não o trabalho passivo, sendo assim o fortalecimento de qualquer forma, isométrico, heavy slow, concêntrico ou excêntrico da panturrilha e sóleo parte de maior importância no tratamento, sendo esse ultimo com ótimas evidências, respeitando sempre o nível de dor reportada durante as atividade, não deixando que ultrapassem o limiar de 0-3 em uma escala de dor de 0-10.
Mobilizações articulares do tornozelo e subtalar aumentam e melhoram a qualidade do movimento do tornozelo, fortalecer os músculos do pé (Footcore) também trazem ótimos benefícios. A eletroterapia pode auxiliar no controle da dor. Trabalho de fortalecimento dos músculos proximais, com foco no quadril principalmente em glúteos também devem ser incorporados. Treino sensório-motor, gestos esportivos e exposição gradativa do atleta à corrida precedem o retorno ao esporte. E em relação ao tênis, temos evidência, porém baixas que os tênis maximalistas ou Rocker Shoes, podem diminuir a carga sobre o tendão e serem assim benéficos por um período para esses corredores, bem como uma bandagem rígida (não é Kinesio Tapping Tá?) colocados perpendicular no tendão podem ajudar a diminuir a sobrecarga.
Vou ficando por aqui, espero ter sido objetivo e que ajude vocês a entenderem um pouco mais dessa lesão.
Procure sempre um profissional gabaritado para te atender.
Se você quer saber mais, não percam as próximas colunas.
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