Biomêcanica da Corrida

Retreinamento da biomecânica da corrida – Parte 02

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Na nossa sequência de hoje, falaremos quais são os 3 métodos diferentes de retreinamento
da biomecânica da corrida respaldados pela literatura, cada qual com sua vantagem e
desvantagem.

Tomo aqui a liberdade, e com humildade expor a minha experiência clínica de 19 anos cuidando de atletas e corredores.

Primeira forma de retreinamento:
Aumento da Cadência (quantidade de passos no min) em até 10%. Esse tipo de técnica é
realizado o aumento da cadência de base do corredor em até 10%, mantendo a mesma velocidade na maioria dos casos. E Por que 10%? Foi o numero que se chegou, em que podíamos aumentar a quantidade de passos sem que aumentássemos o consumo de oxigênio e o corredor se sentisse mais cansado. A meu ver é a técnica mais fácil de implementar e de mais rapidez para se adaptar. Esse retreinamento é preconizado pelo Dr.Bryan Heiderscheit, Professor, Fisioterapeuta e PhD da Universidade de Wisconsin-Madison.

Vantagem: Menor frenagem na corrida/menor sobrecarga, facilidade de aprender e o
corredor não necessita diminuir muito o volume para realizar o retreinamento.
Desvantagem: Maior gasto de energia, principalmente se aumentar mais que 10% e um
pequeno aumento na atividade da panturrilha.

Segunda forma de retreinamento:
Mudança da pisada para Antepé (parte da frente do pé). Esse tipo de técnica é realizada a
mudança da pisada do Retropé para o Antepé. Como já citado em outros posts, em 2010 iniciou-se uma febre de mudança de pisada, que com o tempo não se concretizou e também apresentou problemas. Os estudos atuais evidenciam uma menor sobrecarga em joelho ao correr dessa forma, porém também sabemos que há uma maior sobrecarga em pé e tornozelo, e panturrilhas nesse tipo de pisada. Esse retreinamento a meu ver há uma mudança muito drástica na biomecânica e de como evoluímos com o uso de tênis desde nossa infância.

Essa técnica é preconizada pela Dra.Irene Davis, Professora, Fisioterapeuta, PhD, simplesmente a mulher que mais publica sobre corrida no mundo, mais de 160 publicações, nomeada entre as 50 pessoas mais influentes no mundo da corrida, fundadora do maior laboratório de pesquisa em corrida do Mundo na Universidade de Harvard, onde foi professora titular e se desligou esse ano.

Vantagem: Menor estresse em joelhos/menor pico de impacto.
Desvantagem: Maior estresse em tornozelo, pé e panturrilhas. Mais dificuldade de se adaptar,
levando um longo período de adaptação, e uma grande diminuição do volume por um tempo aproximado de 4 a 6 meses de adaptação total. O ideal que se use um tênis minimalista para que se torne mais fácil essa aprendizagem.

Terceira forma de retreinamento:
Aumento da inclinação anterior do tronco. Esse tipo de técnica é realizada uma maior inclinação do tronco ao correr, fazendo com que ativemos menos o quadríceps, nosso músculo da coxa, e mais os músculos do nosso quadril, amenizando assim, a sobrecarga em joelhos. Nessa técnica temos ter que cuidado com o quanto inclinamos do tronco, pois se inclinarmos muito podemos ter uma grande sobrecarga na região lombar e até mesmo em joelhos. A meu ver é uma técnica de média adaptabilidade e também que leva um certo tempo para que se consiga retreinar, tendo que também diminuir moderadamente o volume da corrida. Esse retreinamento é preconizado pela pelo Dr.Christopher Powers, Professor, Fisioterapeuta, PhD, uma das maiores autoridades em joelho, com mais de 150 publicações, responsável pelo Laboratório de Pesquisa em Biomecânica Musculoesquelética e diretor do programa de biocinesiologia da divisão da Universidade do Sul da California.

Vantagem: Menor sobrecarga em joelhos.
Desvantagem: Maior sobrecarga no quadril e região lombar. Moderada adaptabilidade, o
corredor deverá diminuir moderadamente seu volume, e aqui erros de inclinação podem levar a dores na região lombar ou até mesmo aumentar a sobrecarga em joelhos.
Todos os 3, são métodos que ainda são necessários mais e maiores estudos, porém já podemos
utilizar somados a outros tratamentos em corredores. Lembrando que aqui se trata de um trabalho complementar, isoladamente, essas correções poderão não ter efeito algum.

Na minha prática clínica, vejo resultados mais rápidos e eficazes com a primeira opção,
retreinar aumentando da cadência. E respondo o por quê.
Trata-se de um retreinamento em que usamos um feedback rápido e auditivo com o
metrônomo, dando assim o ritmo para o corredor acompanhar, sem alterar a sua velocidade e de fácil aplicação tanto do profissional quanto do corredor.
Nesse retreinamento também não é necessário diminuir muito o volume, coisa que o corredor
detesta, é diminuir o volume, e isso deve acontecer nos outros dois tipos de retreinamento.
Aqui a sobrecarga em outro segmento parece bem menor, e é na panturrilha, porém bem
menor do que se mudarmos para Antepé.
A única atenção é de entender a cadência inicial do corredor, e analisar se cabe o aumento e
de quanto faremos. Lembrando que o limite é de até 10%, e como dito em um post anterior, não existe um número ideal de cadência, e que ela depende de outras variáveis com velocidade do corredor, comprimento da passada entre outras.
Nas outras opções de retreinamento, vejo que as sobrecargas em outros segmentos serão
maiores, a diminuição moderada ou alta do volume deverá acontecer, e devemos preparar muito os segmentos que serão sobrecarregados com a mudança, sendo o pé, tornozelo e panturrilhas em uma e os músculos do quadril em outra, levando assim, um tempo maior de adaptabilidade para não se desenvolver lesões.
Para finalizar, é muito importante que se avalie criteriosamente o corredor, a necessidade, e
indique a melhor opção para cada um, isso não é uma regra e nem é o único tratamento, se seguir minha dica, olhe para o retreinamento da cadência primeiro.

Bom RUNNERS, fico por aqui, espero que tenha ajudado vocês entenderem um pouco sobre o
retreinamento, suas vantagens, desvantagens e se realmente você precisa fazê-lo.

Abraços e até a próxima matéria.

Por: Felippe Ribeiro

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