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Você usa seu GPS do jeito errado

08/05/2023 | De Nestor Junior

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Você usa seu GPS do jeito errado
Há uma crescente cada vez maior em nossa sociedade do uso de assessórios para melhorar na corrida, o que inclui relógios GPS com cada vez mais funções, onde muitas vezes nem sabemos como usar tudo que eles têm para nos oferecer. Quando eu comprei meu primeiro relógio GPS, a primeira coisa que fiz foi arrumar a data e o horário nas configurações, já que eu o uso durante todo o dia, só que demorei mais de 10min procurando como ajustar isso, vendo vídeos e tutoriais, até que fiz que a única coisa que precisava ser feita: sincronizar o GPS. Eu sei, é algo extremamente simples, mas eu como inexperiente na época, não sabia (já fica a dica caso for comprar o seu). Mesmo com o crescente uso dos relógios GPS pelos corredores profissionais ou amadores, vemos um outro cenário surgindo, corredores fazendo provas, ganhando-as e batendo recordes sem usar qualquer tipo de relógio. É o caso da ganhadora da São Silvestre de 2022, Catherine Relin, do recordista das 10 milhas da Europa, Emile Cairess e da recente ganhadora da maratona de Londres, Sifan Hassan, entre outros. O que explica isso? Talento, genética, gosto pessoal? Acredito que sejam duas coisas, de acordo com o que estudo e pelas entrevistas dos atletas: a primeira é a capacidade de interocepção (falaremos disso mais adiante, não saia do artigo) e de como o relógio limita o seu potencial na corrida. Se você decidir correr sua próxima prova mantendo o mesmo ritmo sempre, usando o relógio GPS para fazer essa marcação, significa automaticamente que já decidiu o quão rápido pode completar a distância total. Você não deixou a mínima oportunidade de se surpreender com um dia bom, de ter condições climáticas favoráveis ou de estar se sentindo bem. Você limitou o seu potencial antes mesmo da largada ser dada. Dois dos pensamentos que já passaram pela sua cabeça enquanto você estava correndo e foi conferir o ritmo no relógio foram: – “Esse ritmo está muito rápido, não vou conseguir sustentar até o final”. – “Estou correndo muito devagar, tenho que acelerar, se não vou completar a prova mais lento do que planejei”. Consegue perceber como esses pensamentos são negativos? Quando nos baseamos exclusivamente na informação do GPS, naquele número que está ali apresentado, nomeamos o que estamos sentindo (muito rápido, muito lento, não vou conseguir, estou cansado…) e mudamos toda a nossa corrida dali em diante, simplesmente por causa de um número, de uma estimativa externa que é imperfeita e não de como estamos nos sentindo realmente. Aí que entra o papel fundamental da interocepção. A interocepção, é a nossa capacidade de sentir e entender as sensações internas do corpo, como cansaço, fome, estresse, fadiga, dor. Quando você olha para o pace, pode se sentir ansioso, tenso, estressado por conta daquele número e não porque de fato sente isso. Ao entender seus sentimentos e prestar atenção aos sinais do seu corpo, você corre de uma maneira mais relaxada, podendo deixar ele livre para alcançar o potencial máximo daquele dia. Para que você entenda um pouco mais sobre essa habilidade, vou descrever uma situação, e você pensa o que ela te lembra, pode ser?
    • Aumento da frequência cardíaca
    • Suor nas palmas das mãos
    • “Borboletas” no estômago
    • Inquietação
    • Pensamentos sobre o amanhã.
A primeira coisa que você pensou foi… ansiedade? Estresse? A maioria vai dizer alguma dessas duas opções, mas e se eu te disser que esses mesmos sentimentos remetem a estar entusiasmado antes de uma prova? Entusiasmado antes de uma grande viagem? O que você sentiu ou sentirá antes do primeiro encontro com uma pessoa amada? As sensações são as mesmas, mas dependendo do nome que você dá para o que está sentindo, você reage de uma forma diferente. Esse é o poder da interocepção. É bastante comum durante uma corrida olharmos para o relógio GPS e falar/pensar “estou lento”, só que ao fazer isso, você mexe com seu psicológico. Você passa a aceitar a decisão do relógio, coloca sentimentos em cima desse pensamento (estresse, ansiedade), aumenta a sua velocidade para tentar se encaixar dentro do pace que planejou e aumenta a sua cobrança interna. Tudo isso interfere de forma negativa na sua corrida. Esse é o motivo de muitos corredores deixarem o GPS de lado, para não ter essa interferência negativa nos pensamentos, e acabar limitando o seu potencial. Correndo de acordo com o que estão sentindo, deixa a corrida mais leve e prazerosa, fazendo alcançar resultados que muitas vezes não eram “previstos”. É claro que por eles terem feito milhares de quilômetros nos seus treinos, possuem uma precisão maior ao julgar como estão se sentindo e qual o pace aproximado estão correndo. Essa capacidade é desenvolvida nos treinos, mas a notícia boa é que nós também podemos treinar para melhorar ou desenvolver nossa interocepção. Aqui vai um passo a passo para aplicar em seu próximo treino, e consequentemente em suas corridas:
    • A primeira coisa que fazemos quando o relógio vibra ou envia aquele sinal sonoro é olharmos para ver em que ritmo estamos. Eu quero que você resista a isso. Não olhe para o GPS enquanto ele não der a marca de 1km.
    • Corra prestando atenção nas suas sensações, tanto físicas quanto mentais. Esqueça o pace por um momento. Tente sentir como está a sua respiração, o quanto o seu calcanhar está elevando, como está se movendo.
    • Quando o relógio der a marcação de 1km, pense primeiro em que pace está correndo e diga para si mesmo mentalmente, e só depois olhe para o relógio. Assim você consegue comparar o a informação com o que está sentindo, desenvolvendo uma capacidade maior de interocepção.
Lembre-se que um campeão é feito nos detalhes. Aplique as técnicas que foram escritas aqui, perceba e intérprete seus sinais internos, acredite no seu potencial e não deixe que o pace delimite como está se sentindo. Boa corrida, treino ou prova!
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Fontes das imagens

Crédito: Divulgação

Sobre o autor

Nestor Junior

Treinador fisico e mental de corrida

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