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Q&A Runners Brasil – Djalma Moura

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“É preciso acessar a força interna que existe em cada um de nós”. Palavras de quem já se colocou em situações extremas, se desafiou em lugares inóspitos e inimagináveis (para muitos) de que se é possível fazer uma das coisas que mais ama na vida: correr! Djalma Moura, de 66 anos, sabe explicar muito bem o que é viver e colecionar momentos e experiências. O pernambucano, morador de Florianópolis há mais de 40 anos, gosta mesmo é dos extremos, tanto é, que recebeu o título de atleta mais rápido do mundo acima de 61 anos na Antarctic Ice Marathon, em 15 anos de existência da prova. Mas essa é apenas uma das suas conquistas. O homem do gelo, ou melhor, Djalma Iceman, como é conhecido, já participou de uma das maratonas mais altas e difíceis do mundo, e correu sete maratonas em sete dias. Histórias que vão ser todas contadas em um livro, mas o ultramaratonista conta os detalhes antes, para os leitores da Runners Brasil. Acompanhe!

Sabine Weiler: Qual motivo te levou a correr e quanto tempo já faz isso?                    

Djalma Moura: Na época, os problemas de saúde da minha sogra juntamente com meu hábito de assistir à Corrida Internacional de São Silvestre pela TV – a mais tradicional prova de corrida do Brasil – fizeram-me refletir sobre o que eu poderia fazer para usufruir de saúde e uma melhor qualidade de vida nos anos que viriam. Então, há quase 20 anos tomei a decisão de praticar a corrida com constância.

Sabine: É possível ainda contar quantas provas já correu?                                                                       

Djalma: Já perdi as contas! Foram inúmeras corridas de 5km, 10km, 15km, 18km, 21km, uma maratona em dupla com minha esposa e mais de 17 maratonas no Brasil e exterior. Corri também provas de trilha (trail run) e ultramaratona. Na campanha solidária Kms Pela Doação de Órgãos 2020, no mês do “Setembro Verde”, conclui 1.011km, que foram doados para várias instituições beneficentes.

Sabine: Diante de um currículo esportivo que o senhor tem, qual foi a prova que mais te marcou? Por quê?                                                                         

Djalma: A prova que mais me marcou foi a maratona do gelo na Antártica, a Antarctic Ice Marathon, prova que está no livro do Guinness World Record como a maratona mais ao sul do planeta, no local conhecido como Union Glacier a mais de 3.000km do continente sul-americano. Como eu não tinha a cultura do frio, tudo teria que dar certo naquele momento com sensação térmica de -30°C e era a minha estreia em maratona extrema, para correr numa superfície de gelo. Procurava cumprir aqui em Florianópolis as planilhas semanais programadas pelo meu orientador e técnico professor Roberto Lemos. Apesar das câimbras no final da maratona, do forte vento gelado e da falta de visibilidade (óculos congelou) e outras dificuldades, conclui a prova numa boa classificação tornando-me o atleta mais rápido do mundo acima de 61 anos na Antarctic Ice Marathon em 15 anos de existência dessa prova. Essa maratona foi marcante para mim e tem um significado grande, pois foi a minha estreia em provas extremas e onde eu conquistei o título mencionado. A Antártica é o continente mais alto, mais frio, mais ventoso e seco do planeta.

É preciso respeitar muito esse ambiente, ainda quase intocável, sob pena de ter que pagar um preço alto em termos de lesão, como por exemplo, frostbite – queimadura causada pela exposição ao frio extremo, em alguns casos tem que amputar parte do corpo.

Sabine: O seu nome também está marcado na Everest Marathon. Participar de uma prova como essa exige muito mais do que uma preparação para uma maratona, porque têm os dias que antecedem a prova, que são necessários para chegar até o ponto de largada. O que falar de uma prova como essa onde poucos chegam?

Djalma: A Everest Marathon é a maratona mais alta do mundo e uma das mais difíceis, onde o ponto de partida da prova é o campo base do Monte Everest, a 5.364 metros de altitude. Para começar a maratona é preciso chegar andando (trekking) até a largada para que haja uma aclimatação adequada e não sofrer com os efeitos da montanha, no meu caso durou 13 dias, subindo e descendo montanhas, passando por vários vilarejos, enfrentando frio, calor, chuva, neve praticamente sem tomar banho, o lenço higiênico é seu grande aliado. Eu diria, essa é uma maratona de sobrevivência, onde o ar é rarefeito. É preciso levar uma mochila com tudo que possa ser necessário a um ambiente tão inóspito como esse. O percurso da prova é repleto de pedras, milhões de pedras de vários tamanhos e formatos que estão soltas de maneira instáveis com milhares de degraus gigantes, tanto para subir como para descer, sendo que num eventual acidente, há grande chance de lesão grave e até de morte. A sinalização é precária apenas com pedacinhos de tiras de pano colocadas aleatoriamente nos arbustos. E até os yaks ficam na passagem e nesse caso você tem que parar e esperar que os animais saiam e liberem o caminho. Existe, por questão de segurança, um ponto de corte na maratona, isto é, se o atleta não chegar num determinado ponto do percurso em um determinado tempo, ele é obrigado a continuar no dia seguinte e nesse caso recebe uma punição de quatro horas. Em resumo, maratona muito difícil e perigosa e que exige um bom condicionamento físico e muita concentração.

Sabine: A partir de que momento o senhor começou a ser conhecido como Djalma Iceman. Qual a história por trás deste nome?

Djalma: Surgiu de uma matéria de capa de um jornal local, seção de esportes, onde o jornalista João Lucas começou a me chamar de “senhor das neves”, “homem do gelo” e nesse tempo os atletas de minha assessoria e outras pessoas começavam a dizer: lá vem o homem do gelo, chegou o homem do gelo para treinar, e então resolvi assumir como Djalma Iceman, que na realidade indica o meu nome e a atividade esportiva que abracei.

Sabine: Correr na neve tem grandes desafios. Qual foi o lugar mais inusitado que já fez uma corrida?

Djalma: O Polo Norte é algo quase inimaginável. Estou falando em correr uma maratona em um bloco de gelo flutuando no oceano Ártico, no topo do mundo, ao lado do 90° de latitude N – local onde todos os meridianos se encontram. A North Pole Marathon, que eu corri em 2018, está no Guinness como a mais ao norte do planeta. Temperatura com sensação térmica de -50°C, piso extremamente fofo, sendo furado o tempo todo pelo atleta, existindo apenas um ponto para abastecimento e troca de alguma peça do vestuário, se for o caso. Essa área do polo norte é reduto de urso polar, mas durante a maratona, pessoas da organização com armas ficam atentas aos animais, não para matá-los, apenas para causar um susto e afastá-los da área.

Sabine: Explica mais sobre como é possível enfrentar uma prova onde a temperatura é extremamente baixa o tempo todo, como a North Pole Marathon?

Djalma: É preciso estar atento e ser fiel às regras que a natureza impõe, por exemplo, em uma maratona como essa de frio intenso é preciso usar a roupa adequada, isto é, três camadas tanto na parte superior como na parte inferior do corpo, além de calçados com travas, touca, balaclava, óculos de proteção UVA e UVB, polainas e camadas de luvas. Durante toda a prova estar atento aos sinais produzidos pelo corpo e sinais externos do ambiente em questão e em quase todos os casos têm a necessidade de se utilizar um ponto de apoio para verificações do corpo e ter a possibilidade de fazer uso de bebidas e alimentos quentes.

Sabine: Sete maratonas em sete dias em sete continentes. O senhor é o primeiro brasileiro com mais de 60 anos a participar da World Marathon Challenge. Como foi, e qual o maior desafio enfrentado?

Djalma: Esse foi o maior desafio que enfrentei. Foram 7 maratonas consecutivas em ambientes distintos. As maiores dificuldades dentro desse desafio foram: não ter lugar adequado para descansar; Jet Lag; fusos horários diversos, protocolos de burocracia nos aeroportos de 7 continentes; diferença de temperatura de quase 50°C da primeira para a segunda maratona

Sabine: O que essa experiência trouxe de aprendizado ou mudou a sua vida em algum quesito?

Djalma: É preciso acessar a força interna que existe em cada um de nós. Eu não conhecia essa minha força, fui testado e superei minha própria expectativa. Para isso, é preciso acreditar, ser disciplinado e focado em seus objetivos.

Sabine: A sua primeira maratona foi aos 50 anos e em 2017, se tornou o atleta mais rápido do mundo, com mais de 60 anos, na Antarctic Ice Marathon. É mais uma prova de que quando se quer realizar, basta ter vontade e ir atrás, não é mesmo?

Djalma: Em 2006 foi a minha primeira maratona, em Florianópolis/SC, eu estava completando 50 anos de idade. Quando conquistei esse título de mais rápido do mundo (61+) na Antarctic Ice Marathon, em 15 anos de edição nessa prova, este resultado foi fruto do meu treinamento e da minha equipe de profissionais que muito me ajudou. E na verdade não fui lá para isso, fui apenas correr e dar o meu melhor. Eu sempre digo quando vou participar de uma maratona, eu vou para vencer meus medos e ultrapassar meus limites.

Sabine: O que lhe motiva a treinar para provas tão desafiadoras?

Djalma: Correr para mim significa saber que posso encontrar novos caminhos na vida e me tornar uma pessoa melhor e mais rica de conhecimento sobre a minha própria pessoa, sabendo mais das minhas forças e das minhas vulnerabilidades. É a fé, disciplina e foco que me mantém de pé e motivado para continuar, mesmo quando, em alguns dias, eu relute em treinar.

Sabine: Quando corre sempre leva junto a campanha da Doação de Órgãos. Em 2018 o senhor fez a Campanha 1.000km do Bem, em prol do Hospital Infantil, de Florianópolis. Em 2020 correu 1.000km no Movimento Nacional Km pela Doação de Órgãos. Um exemplo de que correr também é fazer bem ao próximo, não é mesmo?

Djalma: O Brasil ainda é um país muito desigual, e muitos não tiveram a oportunidade como eu tive na vida. E como eu fui impactado por pessoas para o esporte, eu procuro dar a minha parcela de contribuição procurando impactar positivamente pessoas para que possam tocar seus projetos no esporte ou em outra área da vida. Procuro sempre ajudar em meu entorno, seja com um incentivo em palestra, seja com campanha beneficente. No Movimento Nacional Km pela Doação fui agraciado com o título de Embaixador da Corrida.

Sabine: Qual o próximo desafio e qual deve marcar 2023?

Djalma: Esse é o spoiler. A minha trajetória nas provas extremas, e em outras, está sendo escrita em livro a ser publicado este ano de 2023.

Sabine: Para finalizar, qual recado o senhor quer deixar ao leitor da Runners Brasil?

Djalma: Tenha certeza de que nada e ninguém detém uma pessoa que acredita na sua força, é disciplinada e focada no seu projeto de vida.

Por: Sabine Weiler

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Entrevista | Um bate-papo com a VEJA sobre propósito, inovação e o futuro da corrida de rua

A Runners Brasil conversou com Fernanda Almeida, gerente de comunicação LATAM da VEJA Brasil, sobre o lançamento do Condor 3 Advanced, nova collab da marca com a Jolie Foulée. Na entrevista, Fernanda fala sobre o processo de desenvolvimento, os materiais sustentáveis, a filosofia por trás da parceria e os próximos passos da VEJA no universo da corrida de rua.

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A VEJA, marca franco-brasileira conhecida por unir propósito, design e consciência ambiental, apresenta uma nova colaboração com o coletivo francês Jolie Foulée. A parceria dá origem ao Condor 3 Advanced, uma evolução da linha de running da marca que busca aliar tecnologia, sustentabilidade e performance, sem abrir mão do estilo e da leveza que marcam o DNA da VEJA.

Com detalhes em verde escuro, preto e rosa vibrante, o modelo simboliza o equilíbrio entre diversão e desempenho. Testado em mais de 10 mil quilômetros por atletas e corredores amadores, incluindo a equipe #untalentedrunners, o Condor 3 Advanced reforça o compromisso da VEJA com a inovação responsável.

Para entender mais sobre o desenvolvimento e o propósito por trás desse lançamento, conversamos com Fernanda Almeida, gerente de comunicação LATAM da VEJA Brasil, que compartilhou bastidores, aprendizados e a visão da marca sobre o universo da corrida de rua.

A VEJA já é reconhecida por unir propósito e estilo. Como foi trazer essa essência para um modelo que também entrega performance em corrida de rua, como o novo Condor 3 Advanced?

    R: O Condor 3 Advanced é resultado de um intenso processo de pesquisa e desenvolvimento. Ele representa a evolução de um modelo que sabíamos não responder como gostaríamos em corridas de performance. Desde o início, nosso objetivo foi criar um tênis que unisse o melhor desempenho possível ao maior uso de materiais de origem biológica.

    O desenvolvimento do Condor 3 envolveu uma ampla pesquisa de materiais, inúmeros testes em diferentes tipos de solo e a colaboração de atletas ao redor do mundo, para entendermos como estávamos evoluindo. Todo esse processo contou com a integração dos times de pesquisa e design, pois queríamos um produto que fosse ao mesmo tempo bonito e eficiente em performance.

    Estamos muito felizes com o resultado e com o reconhecimento dessa evolução: o Condor 3 Advanced foi premiado na ISPO 2023, a principal feira mundial de esportes e atividades ao ar livre.

    Essa é a segunda collab com a Jolie Foulée. O que mais inspira a VEJA nesse grupo de corredores franceses que valorizam o prazer de correr, sem se levar tão a sério?

    Justamente com o intuito de sentir a mudança através do movimento — seja ele qual for, da caminhada à corrida —, o importante é aproveitar a jornada.

    A Jolie Foulée compartilha desse mesmo espírito: o coletivo francês celebra o prazer de se mover, destacando a importância de correr de forma leve, divertida e autêntica.

    Fundado em 2013 por um grupo de amigos, o Jolie Foulée se tornou conhecido por sua abordagem descontraída da corrida, seu bom humor e seu apreço por uma boa cerveja após o esforço.

    Autoapelidados de “corredores sem talento”, eles valorizam o prazer e o companheirismo muito mais do que a simples performance esportiva.

    O Condor 3 Advanced passou por mais de 10 mil km de testes, inclusive na Amazônia. Que aprendizados esses testes trouxeram sobre o comportamento do tênis em diferentes condições e tipos de corrida?

    R: O Condor 3 Advanced nos mostrou que é possível termos um tênis que responde bem à performance, unindo materiais ecológicos, tecnologia e estilo. Ao mesmo tempo que o Condor 3 Advanced é uma resposta para quem gosta de correr, o modelo também é uma provocação para estarmos sempre atentos aos investimentos em pesquisa para que sigamos melhorando o uso de materiais biológicos e tecnologia.

    O design tem uma personalidade única — verde escuro, preto e toques em rosa vibrante. Como essas cores e detalhes traduzem o espírito leve e divertido dessa parceria?

    R: As cores são reflexos da construção da collab entre as equipes das duas marcas, que se veem contempladas nesta combinação alto astral como resultado final desta edição do Condor 3 Advanced. 

    A VEJA sempre teve um olhar forte para a sustentabilidade. Quais materiais sustentáveis estão presentes nesse modelo e como eles refletem o compromisso ambiental da marca?

    R: O tênis conta com cabedal em malha Ketten Engineered Mesh de poliéster reciclado, além de cadarços e palmilha também em poliéster reciclado. A sola é de borracha amazônica e a entressola utiliza EVA (Etileno-Vinil-Acetato).

    Possui ainda a Dynamic Plate, uma placa de EVA rígida de origem biológica (95%, sendo 76% proveniente da cana-de-açúcar), que proporciona estabilidade e resposta durante a corrida. Para maior durabilidade e suporte, o modelo conta também com painéis em poliuretano termoplástico (TPU).

    Com a nova Dynamic Plate e a leveza de apenas 276 gramas, o Condor 3 Advanced combina tecnologia e conforto. Como a VEJA busca equilibrar inovação técnica e estética consciente?

    Trabalhamos com materiais de origem biológica, que unem performance, durabilidade e leveza, sem abrir mão do design. Estamos atentos às novidades e tendências do mercado, trazendo soluções que aprimoram a experiência do corredor. Ao mesmo tempo, mantemos um olhar cuidadoso sobre estética, sem deixar de expressar nossa identidade. Esses princípios também guiam o desenvolvimento de novas collabs que tenham compromissos alinhados aos da VEJA.

    O mercado de corrida de rua cresce a cada ano no Brasil. Como a VEJA enxerga esse movimento e o papel da marca dentro desse universo que mistura saúde, comunidade e estilo de vida?

    R: Nós queremos estar por perto, fortalecendo o senso de comunidade que a corrida proporciona. Esse movimento está em constante crescimento — cada vez mais pessoas se abrem para essa experiência — e reconhecemos que, embora nosso tênis ainda não seja de altíssima performance, ele cumpre muito bem o papel de acompanhar corridas de rua, que refletem o verdadeiro espírito da VEJA: acolher pessoas e promover bem-estar.

    Temos também o Shift Run, um projeto global da VEJA que comunica exatamente essa ideia. A iniciativa busca se aproximar das pessoas por meio do movimento — seja ele qual for — e acontece mensalmente em nossas lojas, oferecendo experiências ligadas à corrida e incentivando um estilo de vida mais saudável.

    Muitos corredores dizem que a corrida é tão mental quanto física. De que forma o espírito “corra pelo prazer, não apenas pela linha de chegada” — tão presente na Jolie Foulée — conversa com os valores da VEJA?

    R: Nós prezamos pelo prazer e bem-estar das pessoas e aí estamos falando de quem corre também, sem a preocupação com tempo ou meta, apenas pela curtição do movimento social e de autocuidado. Simplesmente pelo prazer de correr e estar com pessoas que compartilham desses mesmos sentimentos.

    Além da performance, o Condor 3 Advanced traz uma proposta de versatilidade. Para quais tipos de corrida ou momentos vocês recomendam esse modelo — do treino diário à vida urbana?

    R: Temos escutado muito que o Condor 3 Advanced é o tênis  perfeito para uma  viagem, que pode ser usado tanto para eventos , passeios e é o companheiro de corridas de quem as pratica, justamente pela versatilidade e pela estética, ele cumpre todas essas funções.  Eu particularmente adoro o modelo pois é super confortável e versátil para o dia a dia e para correr.

    O que podemos esperar da VEJA no futuro da corrida? Há planos de expandir essa linha running e continuar conectando propósito, performance e estilo?

    R:  A VEJA está sempre atenta às novas tecnologias e em constante busca por aprimorar seus produtos — seja por meio da inovação em materiais, processos ou design funcional.

    Por utilizarmos matérias-primas de base biológica, nossas pesquisas de desenvolvimento são extensas e muitas vezes fogem do convencional, exigindo mais tempo para alcançar resultados que atendam ao nosso padrão de qualidade.

    Apostamos fortemente na linha de performance e, por isso, há novidades incríveis a caminho para fortalecer ainda mais essa categoria. Podem esperar também por novas colaborações e parcerias que reforçam nosso compromisso com a performance, a responsabilidade socioambiental e o estilo.

    Mais do que um novo tênis, o Condor 3 Advanced representa um passo adiante na jornada da VEJA rumo a um futuro em que performance e sustentabilidade caminham lado a lado.
    Com sua estética moderna, leveza e consciência ambiental, o modelo reafirma que é possível correr com propósito — celebrando o prazer do movimento, a conexão com a natureza e a busca por bem-estar coletivo.

    Disponível no site oficial da marca e na loja da VEJA em São Paulo, o novo Condor 3 Advanced chega para inspirar uma nova geração de corredores a correr não apenas por resultados, mas pelo simples prazer de se mover.

    Fernanda Almeida, gerente de comunicação LATAM da VEJA Brasil

    Por: Pablo Mateus – CEO Runners Brasil

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    Entrevista Doutor Corrida

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    “Aproveitar a jornada com qualidade e alegria é primordial”. Doutor Corrida, como o próprio nome nas redes sociais já diz, é médico ultrassonografista, corredor e um viajante incansável. Em seis anos entre trilhas e asfaltos, Adriano Gomes Muniz Pereira, coleciona uma jornada apaixonante e admirável pelo mundo e vive cada corrida com uma intensidade única.  Só em 2023, enfrentou a incrível marca de 29 provas entre maratonas e ultramaratonas, e começa o ano em busca de mais conquistas e novas experiências por paisagens de tirar o fôlego. Adriano também é criador de conteúdo, e leva às redes sociais, cada nova descoberta, seus treinos, dicas para os amantes do esporte e notícias do mundo da corrida. Sua comunidade nas redes sociais já ultrapassa 120 mil pessoas, entre instagram e Youtube. Mas como se recuperar diante de uma vida tão corrida em meio a uma rotina pesada no trabalho? É o que o pernambucano conta à Runners Brasil, em uma entrevista cheia de inspiração e motivação.

    Sabine Weiler: Corrida para você, é sinônimo de longas distâncias. Qual foi o momento da sua vida de atleta que decidiu correr maratonas e ultramaratonas?

    Doutor Corrida: No início comecei a participar das provas mais curtas como 10km. Sempre associei o prazer de correr em dois aspectos: o “curtir o caminho”, conhecer as paisagens e lugares em que estou correndo e o “superar um desafio”. Com o tempo notei que as longas distâncias me entregavam uma maior variedade de caminhos para curtir, e um desafio mais difícil, consequentemente um sentimento de superação maior. As longas distâncias acabam potencializando os fatores que me dão prazer na corrida.

    Sabine: Como você escolhe as suas provas? 

    Doutor Corrida: Hoje em dia faço uma mescla de provas que gosto e quero correr, outras que não conheço, mas sou convidado e tenho boas referências dos amigos da corrida, e aquelas em que acho que apresentar a experiência será positivo para meus seguidores. Apesar de ser um corredor que gosta muito de correr em trilhas, acabo correndo muito provas de asfalto também. Costumo diversificar as experiências na corrida.

    Sabine: Você viaja o mundo com a corrida! Como planeja cada prova no seu calendário?

    Doutor Corrida: Apesar de algumas pessoas acharem que saio empilhando provas sem critérios, geralmente escolho três ou quatro provas alvo no ano e vou adaptando as outras para entrarem como ferramentas na preparação para essas provas. Não corro as provas sempre buscando performance, em 2023 foram 09 maratonas e 16 ultras, então é humanamente impossível performar em todas, cada uma tem o jeito correto de gerenciar segundo meus objetivos principais.

    Sabine: Como é a sua rotina quando não está viajando? Como concilia o trabalho com os treinos?

    Doutor Corrida: Sou médico e, ao contrário do que alguns pensam, não vivo só de correr, tenho uma rotina bem pesada, e para fazer o volume de treinos necessário, tenho que treinar antes do trabalho e a noite quando chego em casa. Treino dois períodos de segunda a quinta, descanso sexta, e sábados ou domingos tenho longos ou provas.

    Sabine: Como você se recupera de uma corrida? Faz algum intervalo mais longo no pós-prova?

    Doutor Corrida: Como as corridas são muito próximas uma da outra, faço uma recuperação ativa, onde diminuo o volume, e trabalho com massagens e regenerativos. Acaba não sendo muito complicado, pois tenho um corpo adaptado a esse ritmo e que considero de rápida regeneração. Ser médico ajuda muito por saber conhecer os diversos sinais corporais e, apesar de conhecer as opções de medicamentos, raramente recorro a algum deles.

    Sabine: O que considera mais importante para que o corpo se recupere de uma prova de longa distância?

    Doutor Corrida: Saber reconhecer os sinais e atuar naquilo que o corpo te apresenta. Reconhecer quando existe uma simples dor pós-atividade ou algo que pode evoluir para uma lesão, saber a hora certa de exigir dele após um estímulo mais intenso. Saber dialogar com ele.

    Sabine: Qual foi a prova mais longa que você fez e descreva como foi o processo do pós-prova já pensando no próximo objetivo!

    Doutor Corrida: A maior distância foi de 250km, porém foi dividido em quatro dias, o que facilitou o processo de recuperação. O desafio era uma ultra de 55km na semana seguinte que acabei fazendo com cautela e deu tudo certo. Já tive provas de montanha com mais de 30 horas de duração e geralmente uma semana seguinte de recuperação e treinos leves já funcionam para mim.

    Sabine: Você suplementa? Que tipos de suplementos usa para ajudar na recuperação muscular? 

    Doutor Corrida: Considero que o melhor suplemento é disparadamente uma boa alimentação. Tento focar nisso na etapa pós-prova e realmente acho que faz diferença na recuperação. Algumas pessoas acabam querendo extravasar na alimentação nesse período e isso não é bom.  Suplementos que uso no dia a dia incluem Creatina, beta alanina, glucosamina e condroitina. Mas sou reticente ao indicar o que uso para todos. Acho que cada caso é um caso e o melhor é que o atleta converse com um profissional de nutrição para avaliar bem suas necessidades.

    Sabine: Usa algum tipo de tecnologia para se recuperar dos treinos diários ou de uma prova longa para iniciar um novo ciclo de treinamento?

    Doutor Corrida: Único aparelho é uma pistola de massagem. Já usei botas de compressão pneumática, mas não uso rotineiramente.

    Sabine: É adepto a algum tipo de alimentação que o ajuda nos treinos e na regeneração? 

    Doutor Corrida: Já fui o tipo de corredor que não ligava muito para a alimentação. Mas com o tempo realmente percebi que isso é um dos aspectos que mais faz diferença na vida do corredor. Uma alimentação balanceada e bem estruturada realmente funciona muito bem na performance e na regeneração do corredor, especialmente no que se diz a retirar os ultraprocessados e evitar o abuso de carboidratos, gorduras ruins e bebidas alcoólicas.

    Sabine: Em algum momento da sua vida de atleta, você teve que parar algum treino ou até mesmo uma prova, e depois percebeu que não estava recuperado totalmente para voltar a correr? Se sim, como foi esse processo?

    Doutor Corrida: Geralmente não costumo interromper treinos, apenas se sentir que há algum risco de lesão ou que está muito improdutivo. Prova só abandonei por trauma do joelho que bateu em uma rocha durante a corrida. No momento que algo assim acontece, tem que se avaliar os sinais que o corpo entrega e trabalhar bem na recuperação, ser profissional da saúde é fundamental para mim nesses momentos.

    Sabine: Quais são suas metas para 2024 na corrida? Vem alguma prova inusitada, ousada?

    Doutor Corrida: Trilheiro que sou, estou trabalhando para chegar a UTMB, que considero o mais alto patamar de minha categoria. Penso que a UTMB está para o trilheiro, como a Maratona de Boston está para o corredor do asfalto. Faço questão de perseguir esse sonho e mostrar a todos que também o tem, que ele é perfeitamente possível para um corredor amador, que tem uma vida normal, trabalha e tem boletos a pagar.

    Sabine: O que te motiva a percorrer o mundo com a corrida? Você procura fazer provas que não existem no Brasil? 

    Doutor Corrida: Adoro viajar, viver experiências e culturas diferentes, e adoro correr. Por que não unir tudo isso? Geralmente tento correr entre duas e quatro provas internacionais por ano. Sei que é difícil para a maioria das pessoas, mas também sei que se programando e trabalhando nesse sonho, às vezes se consegue viver essa experiência.

    Sabine: No seu Instagram você divulga seus treinos, provas e traz conteúdos que incentivam a corrida e curiosidades! Como você formou a sua comunidade que já chega a 100 mil seguidores? 

    Doutor Corrida: Acho que o principal é criar um conteúdo não focado só no que eu faço. Correr mais de 20 provas grandes em um ano não é o que o corredor normal vai fazer, certamente é uma realidade de poucos. Se só foco apenas nisso, qual o ganho real para o corredor normal? Na verdade, faço um conteúdo para todos, um corredor de trilha vai encontrar dicas para a trilha, um de asfalto vai encontrar dicas para o asfalto, aquele que precisa de uma palavra de estímulo vai encontrar essa palavra e até quem quer só se divertir e ver um meme de corrida vai achar um conteúdo para si também. Essa diversidade que atrai tantas pessoas para o meu perfil.

    Sabine: A sua Bio do Instagram traz a frase “O maior desafio é superar o medo de falhar!” Como lidar e enfrentar isso?

    Doutor Corrida: Muitos pensam que as maiores dificuldades são encontradas na prova em si, naquele momento em que podemos falhar ou não. Mas o momento em que superamos o medo de falhar acontece muito antes da prova em si: é no instante que mesmo podendo falhar, tomamos a decisão de lutar arduamente para superar todos os desafios! Essa é a hora chave da vitória – mesmo sabendo que pode dar errado, nos levantamos e partimos para o combate, nos inscrevemos na prova e iniciamos os treinos.

    Sabine: Qual recado você deixa aos leitores da Runners Brasil?

    Doutor Corrida: Muitos consideram a corrida como um esporte de competição, buscam sempre dar o melhor e conquistar os seus objetivos – e nada mal ter esses pensamentos. Mas meu conselho é: pensem na corrida como uma ferramenta de saúde e felicidade. Aproveitar a jornada com qualidade e alegria é primordial, o restante virá naturalmente.

    Por: Sabine Weiler

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    Uma Odisséia Brasileira: Pedro Luiz Cianfarani na Barkley Marathon

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    Na busca por desafios extremos, poucos eventos se comparam à lendária Barkley Marathon. Este ultramaratonista brasileiro, Pedro Luiz Cianfarani, alcançou um feito notável ao se tornar o segundo brasileiro a se qualificar para essa corrida mítica, depois de seis anos de determinação incansável. Neste Q&A exclusivo, Pedro compartilha sua jornada, revela os desafios enfrentados, e oferece insights valiosos sobre como ele está se preparando mentalmente e fisicamente para enfrentar os terrenos difíceis e condições imprevisíveis da Barkley Marathon. Vamos mergulhar nas profundezas deste desafio extraordinário e conhecer a mentalidade por trás dessa busca épica.

    Runners Brasil: Como você se sente sendo o segundo brasileiro a se qualificar para a Barkley Marathon depois de seis anos de tentativas?

    Pedro Luiz Cianfarani: Um sonho realizado!!! Quando comentei com um amigo escutei muito que seria quase impossível, mas provei que não era impossível, difícil sim, não impossível. 

    RB: Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao longo desses seis anos para alcançar a qualificação para a Barkley Marathon?

    PL: Eu comentei que este desafio começa para conseguir ser chamado, pois como não tem um site ou app para fazer a inscrição tudo fica mais difícil e você precisa descobrir como ser convocado.

    RB: Como foi o processo de seleção e qualificação para a Barkley Marathon? Quais critérios você teve que atender para se qualificar?

    PL: Esta pergunta fica difícil responder por ética ao desafio, nem o dia da competição posso falar, são coisas que é pedido no único canal de informação da prova no Facebook que também é um grupo restrito. Esta competição é única por isso mesmo, pelo mistério que ela envolve.

    RB: A Barkley Marathon é conhecida por seu terreno extremamente desafiador e condições climáticas imprevisíveis. Como você está se preparando fisicamente e mentalmente para enfrentar esses desafios?

    PL: Sei que tudo neste desafio é feito para não completarmos e lutaremos o tempo todo contra. Já estou acostumado com desafios extremos onde levamos o corpo ao limite e mesmo assim sei que nada se compara. Tenho uma equipe de profissionais ao meu lado preciso aprimorar minha navegação com mapa e já estou contatando um profissional para me auxiliar. Minha equipe é coordenada pelo meu irmão que é um profissional de educação física com muitos anos de experiência. 

    RB: A navegação é fundamental na Barkley, já que não há sinalização clara. Como você está se preparando para a parte de orientação da corrida?

    PL: Como disse anteriormente, já contatei um profissional para me auxiliar com navegação por mapa e irei intensificar meus treinos de Trail e força. 

    RB: O limite de tempo da Barkley é notoriamente difícil, com apenas 60 horas para completar as cinco voltas. Como você está planejando gerenciar seu tempo e energia ao longo da corrida?

    PL: Já estou me programando no tempo de 12 horas por volta.

    RB: O criador da Barkley, Gary “Lazarus Lake” Cantrell, é uma figura misteriosa e excêntrica. Você teve a oportunidade de interagir com ele? Se sim, que conselhos ou insights ele compartilhou?

    PL: Já troquei muitos e-mails com ele principalmente quando me classifiquei para o mundial de Backyard (Resta 1), prova idealizada também por ele e que infelizmente não fui devido a pandemia. Quanto a conselhos ele fala muito pouco sobre a prova e conseguimos as dicas e conselhos pelos veteranos no Grupo do Google e Facebook.

    Fotos: Arquivo Pedro Luiz

    RB: Qual é a sua maior motivação para enfrentar a Barkley Marathon, considerada uma das corridas mais difíceis do mundo?

    PL: A participação nesta icônica corrida irá coroar minha trajetória no mundo das ultramaratonas, já fiz as mais difíceis ultramaratonas no Brasil e no Mundo sempre sonhei com esta que seria a cereja do bolo, uma cereja um pouco amarga eu sei rsrsrs 

    RB: Você tem algum plano de estratégia específico para a Barkley Marathon, ou está aberto a improvisar à medida que a corrida se desenrola?

    PL: Irei com uma estratégia, mas tudo poderá mudar conforme a corrida vai acontecendo. Um veterano de 6 participação na Barkley estará comigo para me ajudar no planejamento.

    RB: Como você espera que sua experiência na Barkley Marathon influencie seu futuro como corredor de ultramaratona e seus objetivos no esporte?

    Quero abrir as portas da Barkley para os Ultramaratonistas do Brasil e América Latina, sei que temos muitos ultramaratonistas de nível muito alto que se sairia muito bem.

    Pedro Luiz Cianfarani
    Nascido em 21 de abril de 1968 em São Caetano do Sul mudando para São Bernardo do Campo após o casamento em setembro de 1989.

    Início nas corridas de rua em dezembro de 1998 na corrida de Natal no Ibirapuera e no mundo da Ultramaratona em 2006 em uma corrida de 6 horas organizada pelo Carlos Dias. Deste dia até hoje foram inúmeras provas de longa distância, 100 km, 50 km, 50 milhas, 12, 24 e 48 horas e provas como Brazil 135, Uai, 300 o desafio, Badwater 135, LLAJTAY BACKYARD ULTRA e outras.

    Principais provas

    Brazil 135 (217 a 260 Km pelo Caminho da Fé)- 12 participações e conclusões com melhor tempo de 35 horas / 300 o Desafio/RMR (300km pela Estrada Real) – 3 participações e conclusão – 3º , 4º e 5ª colocação / Badwater 135 (217km no Vale da morte) – concluída em 2018 / LLAJTAY Backyard Bolívia 2019 e 2023 (resta 1) – 2º colocado em 2019 – Com este resultado conseguido na Backyard Bolívia me garantiu uma vaga no mundial no Tennessee (EUA) que infelizmente não participei devido as restrições impostas pelos EUA devido a pandemia em fechar as fronteiras / 48 horas Internacional da Mantiqueira – 316 km – 2º colocado e 19º ranking mundial em 2018 /24 horas – foram muitas pelo Brasil (SP, RJ e Paraná)

    Por: Pablo Mateus

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