Exercício Físico e Distúrbios Gastrointestinais
Os distúrbios gastrointestinais são muito comuns durante a atividade física, principalmente durante a corrida de rua. Isso ocorre devido às adaptações fisiológicas do nosso organismo em resposta ao estímulo do exercício físico. Ela pode variar de acordo com a intensidade e duração do esforço, independentemente do nível do praticante. Em alguns casos essas alterações podem causar desconfortos indesejáveis ao atleta.
Esses episódios se apresentam através de sinais e sintomas, como regurgitação e refluxo, queimação retroesternal, eructações, náuseas, vômitos, flatulência, dor abdominal, perda fecal, diarreia, constipação, inchaço abdominal até urge-incontinencia fecal. Essas alterações variam entre os indivíduos, elas são mais comuns em mulheres e nas modalidades de endurance.
O conhecimento dessa variedade de apresentações é de suma importância, uma vez que nem sempre o aparecimento de algum desses sintomas faz com que o atleta busque auxílio de um profissional da saúde. Uma vez que ainda é um tema estigmatizado entre os esportistas, muitas vezes é necessário realizar a busca ativa durante as consultas de rotina.
As causas podem ser dividias entre sistemas, no caso do circulatório, há uma redistribuição do fluxo sanguíneo durante o exercício físico. Isso ocorre devido ativação do sistema Nervoso Simpático, que secreta catecolaminas, hormônios responsáveis por causarem a vasoconstrição, o que resulta em menor aporte sanguíneo para região intestinal. Isso ocasiona uma isquemia das mucosas gástrica e intestinal, fazendo com que a união de todos esses fatores desencadeie os sintomas do desconforto intestinal.
Ainda nesse contexto, ocorre a alteração na permeabilidade e absorção intestinal, essa isquemia leva a uma lesão da camada que reveste a mucosa, o que causa danos físico e alterações, o que compromete o funcionamento dessas células. Essa alteração na absorção altera a atividade dos enterócitos, células intestinais, culminando no acúmulo de produtos metabólicos que contribuem para esse ciclo de cascata inflamatória e mais sintomas de intolerância gástrica.
Esse estado de endotoxemia gera lentificação do esvaziamento gástrico e um íleo paralitico, ou seja, uma diminuição das funções intestinais, o que aumenta ainda mais esse acúmulo dos metabólicos, e posterior fermentação dos mesmos. Esse conjunto de fatores é o responsável pelo aumento de gases e consequentemente maior flatulência, gerando maior desconforto abdominal.
Outro fator importante é o mecânico, através impacto e devolução de energia que o solo imprime no corpo, isso gera o aumento da pressão intra abdominal e aumento do peristaltismo, ou seja, da motilidade intestinal. Junto a isso, durante o movimento ocorre micro traumas de repetição por transmissão do impacto no corpo, resultando em lesão do revestimento intestinal. Isso, somado a isquemia momentânea, leva a sangramento da mucosa, acarretando maiores sintomas gastroinstestinais.
Em relação aos fatores nutricionais, o esportista deve se atentar as escolhas realizadas antes do exercício, uma vez que as fibras possuem maior tempo de absorção e podem contribuir com os sintomas a depender do espaçamento do tempo de ingestão. Já no caso das gorduras e proteínas, esses nutrientes necessitam de maior aporte sanguíneo para digestão e absorção, necessitando também de atenção para o horário adequado de consumo. Por fim, vale lembrar que os carboidratos são osmoticamente ativos, o que interfere no mecanismo de difusão. Todos esses podem influenciar na digestibilidade e absorção do trato gastrointestinal.
No caso da hidratação, ao ingerir água durante a corrida, ingerimos também ar, essa aerofagia pela hiperventilação ou transmissão por pressão positiva de garrafas de hidratação contribuem com uma distensão mecânica do estômago, o que resultado em desconforto e sintomas. Por fim, há os fatores psicobiológicos que atuam por meio da secreção do hormônio liberador de corticotropina, sua atuação é no sistema Nervoso Autonomo Simpatico. Isso leva a uma hipersensibilizarão visceral, devido as alterações das sinapses dos nervos e de regiões cerebrais responsáveis pela dor, portanto é um possível papel em relação a casos mais graves.
Todos esses fatores podem ser possíveis responsáveis pelo quadro, e ainda ocorrer juntos e em diferentes proporções. Dessa forma é valido que o praticante tenha ciência das estratégias de controle, como estar euhidratado durante o exercício, ou seja nem mais e nem menos, mas sim quantidades adequadas de água ou isotônicos. Não realizar ingestão de anti inflamatorios, pois esses podem interferir na perfusão gástrica. Manter bom controle da temperatura corporal durante a atividade. E por fim alinhar um treino nutricional, pois assim como nossa musculatura pode ser treinada, nosso trato gastrointestinal e nossa digestibilidade também podem.
Para estratégia de controle seria valido também mapear possíveis alimentos desencadeadores, como xilitol ou açucares em excesso, e se atentar para adequada suplementação intra prova. Além de bom controle do estresse e uma rotina alinha de treinos. Concluindo que seria pertinente possuir um acompanhamento nutricional e médico com profissionais que atuam na área do esporte.
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