Efeitos fisiológicos de uma ultraendurance
Linhas de estudos têm observado uma grande perturbação nas respostas inflamatória, hematológica, de estresse oxidativo, prejuízo muscular e composição corporal em provas de ultramaratonas. E, interessantemente, tem sido proposto que essas respostas podem estar entre os fatores fisiológicos determinantes da performance em ultramaratona ao lado de fatores físicos, ambientais, psicológicos, motivacionais e táticos.
A ultramaratona de que a atleta deste estudo participou foi a TUTAN – Transmantiqueira Ultratrail Agulhas Negras, com largada na cidade de Itamonte – MG e chegada na cidade de Rezende – RJ. Essa competição possui importante relevância no cenário internacional de ultramaratonas, uma vez que concede pontuação junto ao ITRA – Internacional Trail Running Association, uma associação mundial com normas e diretrizes voltadas para a modalidade. A atleta em estudo foi a campeã da prova no sexo feminino, naquele ano, realizando-a em 15:03:29, quebrando o recorde de tempo que até então era de 16:27:56.
Objetivando avaliar os efeitos do exercício físico prolongado, a atleta em estudo realizou coleta de sangue e urina em laboratório autorizado 27 dias antes da competição. Justifica-se esse período de coleta, tendo em vista a periodização do treinamento da atleta em questão elaborado por seu treinador, período esse em que se iniciava a redução dos volumes de treino. A segunda coleta laboratorial ocorreu 48 horas após a ultramaratona de 100 km e a terceira 10 dias subsequentes.
Os resultados demonstraram que 48 horas após a ultramaratona houve grandes alterações principalmente nos marcadores inflamatórios avaliados, como PCR, CK e Desidrogenase láctica, além dos marcadores hepáticos como TGA e TGP, marcadores do sistema renal, como a ureia, porém, com rápida recuperação dos parâmetros avaliados 10 dias após a competição.
As tabela abaixo representam os parâmetros avaliados, considerando coleta de sangue e urina 27 dias antes da competição, 48 horas após e 10 dias subsequentes ao término da ultramaratona. O objetivo foi verificar as alterações decorrentes do esforço físico extenuante, bem como verificar a recuperação da atleta posteriormente.
Existe uma relação direta entre a ingestão alimentar do atleta e seu desempenho na prática esportiva, sendo fundamental que as necessidades de nutrientes e energia sejam satisfeitas.
Em provas de endurance, o desgaste físico dos atletas promove uma significativa demanda energética e substancial aceleração do metabolismo. A rotina exaustiva de treinamento físico conduz a alterações consideráveis nas necessidades nutricionais de um atleta.
As refeições e estratégias de hidratação e uso de recursos ergogênicos nos períodos pré, durante e principalmente pós-exercício devem e focaram no fornecimento de energia e nutrientes adequados às características daquele esforço.
Os achados deste estudo mostraram níveis mais elevados de creatinoquinase – CK, assim como tendências de dano hepático (TGO e TGP), que podem ser explicados pela sobrecarga decorrente da lesão tecidual cardíaca e musculoesquelética que ocorre após exercício físico prolongado, porém com regressão expressiva dos valores que retornaram aos parâmetros normais após 10 dias de repouso ativo e manejo adequado da alimentação e suplementação.
O efeito a longo prazo de alterações com a manutenção da prática desse tipo de atividade ainda é desconhecido. Porém os estudos têm demonstrado importantes alterações hematológicas, bioquímicas e até mesmo cardíacas em atletas de ultraendurance, o que demonstra a importância da continuidade de pesquisas ainda mais aprofundadas nesse campo e com um número maior de atletas amadores de ultramaratonas.
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