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Medicina do Esporte

Dor nas Pernas: Causas e Estratégias para Alívio e Prevenção

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Muitas pessoas lidam com dores nas pernas, e saber diferenciar uma dor resultante de um desgaste físico mais sério, de uma lesão ou apenas da rotina exaustiva é fundamental para saber quando buscar ajuda médica. Além disso, diversas dores são causadas por mudanças na rotina, repetição de movimentos e até mesmo problemas nutricionais, hormonais e emocionais, assim como sobrecarga muscular.

O fisioterapeuta clínico Cadu Ramos e a médica ortopedista esportiva Ana Paula Simões explicam os sinais de agravamento das dores nas pernas e apresentam uma lista de motivos que podem causar desconforto nos membros inferiores.

  1. Dores normais de treino: São dores musculares que surgem após a prática de exercícios e costumam desaparecer em até 48 horas. Massagens, uso de gelo e descanso podem ajudar a aliviar esse tipo de dor.
  2. Dores de lesões – 7 sinais:
  • Diminuição da mobilidade do tendão;
  • Perda de força muscular;
  • Sensação de instabilidade óssea;
  • Dor aguda, forte e traumática;
  • Calor na região afetada;
  • Vermelhidão na área dolorida;
  • Presença de edema.

Quando esses sinais estão presentes, pode ser indicativo de uma lesão que requer atenção médica especializada. Procurar um médico ortopedista é fundamental para identificar o tipo de lesão, suas causas e o tratamento adequado.

  1. Dores psicobiossociais: Essas dores podem ser influenciadas por fatores psicológicos, emocionais e sociais. Pessoas que estão deprimidas, estressadas ou com falta de sono reparador tendem a ser mais sensíveis à dor. Algumas possíveis causas de dores musculares não relacionadas a treino ou lesão incluem:
  • Estresse e ansiedade;
  • Posições inadequadas durante o sono, trabalho ou treino;
  • Gripe ou resfriado que afetam o sistema imunológico;
  • Atividades físicas intensas sem preparação adequada;
  • Doenças reumatológicas como artrite e fibromialgia;
  • Infecções virais como dengue, zika e chikungunya;
  • Alimentação desequilibrada;
  • Mudanças hormonais.

A orientação é procurar um médico para investigar as causas de dores persistentes e buscar tratamentos adequados, como fisioterapia, imobilização, medicação ou até mesmo cirurgia, dependendo do caso. Em muitos casos, mudanças na atividade física e no estilo de vida podem fazer diferença significativa no alívio das dores.

O diagnóstico preciso pode ser desafiador, pois a dor pode ter origem metabólica ou hormonal, sendo geralmente causada por diversos fatores. Por isso, é importante distinguir entre lesões mais graves, relacionadas a traumas significativos e rupturas de tecido, e as contraturas musculares.

As recomendações básicas para prevenir lesões incluem alongamento, fortalecimento muscular e liberação miofascial. Além disso, uma investigação profunda do metabolismo, com análise dos níveis de potássio, magnésio e sódio, pode ser útil.

Para evitar o agravamento das dores, é fundamental garantir uma boa noite de sono, praticar exercícios físicos com volume e intensidade adequados, ter uma alimentação balanceada e utilizar calçados e roupas adequados ao tipo de atividade realizada.

Em suma, a prevenção é essencial para manter a saúde das pernas e evitar dores e lesões. Consultar um especialista para avaliar e tratar qualquer desconforto persistente é fundamental para garantir uma vida ativa e saudável.

Bons treinos e cuidados, valentes!

Por: Dra Ana Paula Simões

Medicina do Esporte

Dor na virilha no corredor: diagnóstico diferencial é decisivo para performance e segurança

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Dor na virilha no corredor: diagnóstico diferencial é decisivo para performance e segurança
Por Dra. Ana Paula Simões

A dor na virilha é uma das queixas mais desafiadoras no atleta de endurance. Corredores, triatletas e ciclistas submetem a região inguinal a forças repetitivas, acelerações, desacelerações e aumento sustentado da pressão intra-abdominal. O resultado é um cenário clínico complexo, onde múltiplas estruturas anatômicas podem estar envolvidas.

No espectro musculoesquelético, os diagnósticos mais comuns incluem:
• Adutoropatia (tendinopatia dos adutores), especialmente do adutor longo
• Osteíte púbica, caracterizada por inflamação da sínfise púbica
• Lesão ou tendinopatia do iliopsoas
• Impacto femoroacetabular (IFA), frequentemente associado a limitação de rotação interna
• Fratura por estresse do púbis ou do colo femoral
• Síndrome do retângulo abdominal–adutor, dentro do conceito de pubalgia atlética

Entretanto, um diagnóstico ainda subestimado no meio ortopédico é a hérnia inguinal, inclusive nas formas ocultas. Diferentemente da hérnia clássica com abaulamento evidente, muitos atletas apresentam apenas dor vaga, sensação de peso ou desconforto que piora com esforço, sprint ou exercícios abdominais.

A dificuldade diagnóstica ocorre porque a dor inguinal é frequentemente multifatorial. Estudos de imagem demonstram que alterações na sínfise púbica, inserções tendíneas e parede abdominal podem coexistir. Sem um exame físico direcionado e sem investigação complementar adequada , como ultrassonografia dinâmica da parede abdominal ou ressonância magnética, o risco de erro diagnóstico é significativo.

Ignorar a possibilidade de hérnia inguinal pode ter implicações relevantes. Embora rara, a progressão para encarceramento ou estrangulamento é uma complicação potencialmente grave, com risco de isquemia intestinal e necessidade de cirurgia de urgência.

O ponto central é simples: dor na virilha não é diagnóstico, é sintoma. No atleta de endurance, a avaliação deve integrar ortopedia, cirurgia da parede abdominal e imagem. Tratar apenas como “pubalgia crônica” sem ampliar o raciocínio clínico pode prolongar a dor, atrasar o retorno ao esporte e expor o atleta a riscos desnecessários.

O diagnóstico diferencial bem estruturado não é excesso de zelo , é medicina baseada em evidência aplicada à prática esportiva.

Manda um direct de precisar de algo. Bons treinos, valentes!
@DraAnaPSimoes

Referências (PubMed)
1. Omar IM et al. Athletic pubalgia and “sports hernia”: optimal MR imaging technique and findings. Radiographics. 2008;28(5):1415–1438. PMID: 18794313.
2. Zoga AC et al. Athletic pubalgia and the sports hernia: MR imaging findings. Radiology. 2008;247(3):797–807. PMID: 18487535.
3. Caudill P et al. Sports hernias: a systematic literature review. Br J Sports Med. 2008;42(12):954–964. PMID: 18927164.
4. Robinson P et al. Imaging of groin pain in the athlete. Skeletal Radiol. 2014;43(9):1165–1179. PMID: 24681439.
5. Jenkins JT, O’Dwyer PJ. Inguinal hernias. BMJ. 2008;336(7638):269–272. PMID: 18244955.

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Medicina do Esporte

Rotas da Consciência: quando correr também é um ato de memória, identidade e pertencimento

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Existe algo de profundamente transformador quando a corrida deixa de ser apenas um movimento individual e passa a ocupar as ruas como expressão de história, cultura e comunidade. Em novembro, a Olympikus trouxe uma iniciativa que traduz exatamente isso: o projeto Rotas da Consciência, um ecossistema criado para celebrar a cultura negra dentro da corrida de rua brasileira e para trazer à superfície histórias que, por muito tempo, ficaram apagadas.

E não, não se trata apenas de uma campanha. Trata-se de um movimento construído com escuta, pertencimento e representatividade.

Corrida, ancestralidade e liberdade

O Rotas da Consciência nasceu da cocriação com corredores, artistas, historiadores e lideranças negras — pessoas que já vinham defendendo que a corrida pode e deve ser também um território de memória.
A marca nacional , aos 50 anos, escolheu justamente esse caminho: reconhecer quem pavimenta as ruas muito antes dos tênis tecnológicos e das medalhas brilharem. Reconhecer não como gesto simbólico, mas como prática.

É daí que surge o conceito central do projeto: as rotas representam caminhos abertos por gerações anteriores e que hoje seguimos coletivamente.

Das ruas para o Strava e do Strava de volta para a história

Um dos pilares mais potentes da iniciativa é o lançamento de rotas históricas no Strava, criadas junto às crews negras que movimentam as corridas nas grandes capitais.
Esses percursos passam por lugares que simbolizam a presença e a resistência negra no Brasil:
• Cais do Valongo (Rio de Janeiro)
• Pelourinho (Salvador)
• Praça Brigadeiro Sampaio (Porto Alegre)
• Praça da Sé (São Paulo)

Seguimos por esses caminhos todos os dias mas nem sempre entendemos o que cada rua carrega. Quando corredores das próprias comunidades escrevem sobre a experiência de passar por esses locais, o trajeto ganha uma densidade que nenhum GPS traduz.

Treinões da Consciência: corrida como união

No dia 20 de novembro, o projeto ganha vida coletiva com treinões simultâneos organizados por quatro crews fundamentais desse movimento:
• Arte Corre Crew (RJ)
• SBN Running (Salvador)
• Corre Preto (Porto Alegre)
• Corre Kilombo (SP), que também realiza uma corrida oficial integrada aos 50 anos da Olympikus

A expectativa é reunir mais de 3 mil pessoas num gesto que transcende performance: é sobre ocupar as ruas com identidade, força e alegria.

Um documentário que coloca história em movimento

No mesmo dia, estreia o documentário Rotas da Consciência, gravado em quatro capitais e na Serra da Barriga , berço do Quilombo dos Palmares.
A obra é mais que registro: é reflexão sobre liberdade, aquilombamento e humanidade.

Vinícius Neves Mariano, roteirista do filme, traduz magistralmente o impacto desse movimento: quando entendemos as raízes que vieram antes, ganhamos força para continuar correndo não só no asfalto, mas na vida.

Vozes que constroem essa cena

Cada crew representa uma perspectiva:
• Corre Kilombo (SP): potência, pertencimento e celebração
• Arte Corre Crew (RJ): ressignificação das cidades e visibilidade para coletivos pretos
• SBN Running (Salvador): identidade suburbana, energia e resistência
• Corre Preto (Porto Alegre): corrida como ferramenta para ampliar o debate racial

Todas trazem um ponto comum: a necessidade de enxergar a corrida como cena plural, diversa e representativa.

Um tênis que carrega histórias

A edição especial do Corre da Consciência, assinada pela designer Amanda Lobos, resgata símbolos ancestrais e usa cores inspiradas em 13 bandeiras de países africanos.
O detalhe mais marcante é o Adinkra, ideograma do povo Akan/Ashanti, estampado no lugar do tradicional “Corre”.
Design com função estética, sim mas também com função cultural.

A corrida como espaço de transformação

O Rotas da Consciência é mais do que ativação de marca: é um convite para que corredores de todo o Brasil enxerguem que ocupar as ruas não é só sobre treinar, mas sobre reconhecer quem abriu caminho antes e quem ainda luta para existir nesses mesmos espaços.

Como médica do esporte, vejo todos os dias como a corrida muda vidas.
Mas quando ela também muda narrativas, amplia representatividade e fortalece identidades, o impacto é ainda maior.

Que a gente siga ocupando as ruas com consciência, história, potência e respeito.

Bons treinos valentes !

Dra. Ana Paula Simões – Ortopedia & Medicina do Esporte – CRM 108667

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Crianças e maratonas: por que esse limite precisa ser respeitado

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Criança de 10 anos corre maratona em ARACAJU – Domingo 26/10/2025

https://www.instagram.com/reel/DQULBETDYFX/?igsh=ZHJ2Nm9qOHhlMTJ5

Nos últimos anos, com a popularização das corridas de rua, tornou-se comum ver famílias inteiras participando de eventos esportivos. A prática é extremamente saudável desde que adequada à idade.

No entanto, permitir ou incentivar uma criança de 10 anos a correr uma maratona de 42 km é algo que ultrapassa qualquer limite de segurança. Do ponto de vista médico e ortopédico, trata-se de uma prática contraindicada e potencialmente perigosa, com riscos amplamente documentados na literatura científica.

O corpo infantil não está preparado para esse tipo de esforço extremo. Nessa faixa etária, o sistema musculoesquelético ainda é imaturo: ossos, tendões e articulações estão em formação, com cartilagens de crescimento (fises) abertas. O impacto e a sobrecarga repetitiva de uma maratona podem causar lesões de estresse, epifisiólises e até deformidades no crescimento ósseo.

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Do ponto de vista metabólico e cardiovascular, os riscos são igualmente relevantes. O organismo infantil tem menor capacidade de termorregulação, glicogênio reduzido e ainda não possui mecanismos plenamente desenvolvidos para lidar com a desidratação e o estresse prolongado. Isso aumenta a chance de hipoglicemia, hiponatremia, arritmias e colapsos circulatórios.

Outro ponto crítico é a sobrecarga articular precoce. Joelhos, quadris e tornozelos de uma criança não foram feitos para suportar o impacto de dezenas de milhares de passadas. Esse tipo de estímulo pode antecipar quadros de artrose e tendinopatias crônicas, comprometendo a saúde musculoesquelética na vida adulta.

E não menos importante: o impacto psicológico. Uma maratona não é apenas física; ela exige foco, disciplina e resiliência mental. Submeter uma criança a essa pressão — muitas vezes associada a expectativas de adultos — pode gerar estresse emocional, frustração e até repulsa pela prática esportiva.

As principais entidades médicas e esportivas são categóricas. A American Academy of Pediatrics (AAP) e a World Athletics recomendam que, até os 14 anos, a corrida mantenha caráter lúdico, de curta duração e sem foco competitivo. O objetivo nessa fase é promover o prazer pelo movimento, o desenvolvimento da coordenação e a criação de hábitos saudáveis não a resistência extrema.

Aos 10 anos, o ideal é que a criança pratique corridas de até 3 km, com pausas, acompanhamento de adultos e, principalmente, diversão. Incentivar o amor pelo esporte é fundamental, mas isso deve vir com responsabilidade.

Maratona é um desafio lindo para adultos plenamente desenvolvidos, com treino e acompanhamento adequados. Para as crianças, o desafio deve ser outro: crescer com saúde, segurança e vontade de continuar se movendo.

Referências:
• American Academy of Pediatrics. Sports Participation for Children and Adolescents: The Risks and Benefits of Organized Athletic Activity. Pediatrics, 2019. https://doi.org/10.1542/peds.2019-0990
• Tenforde AS, et al. Running-Related Injuries in Youth Athletes: A Clinical Review. Current Sports Medicine Reports, 2021.
• World Athletics. Consensus statement on youth long-distance running., 2020.

— Dra. Ana Paula Simões
Ortopedista e médica do esporte (RQE 28753 / RQE 67412)

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