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Nutrição Esportiva

Corrida x Ciclo Menstrual

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O número de mulheres engajadas no esporte tem aumentado a cada ano. Nas Olimpíadas de Tóquio, quase 49% dos atletas presentes eram mulheres, uma vitória, considerando que éramos somente 28% de mulheres na delegação mundial há aproximadamente 30 anos.

A corrida é o esporte mais antigo do mundo e a cada ano que passa vem crescendo mais o número de corredores apaixonados, especialmente no Brasil, e, especialmente entre as mulheres. Este ano um  tema que se destacou foi o ciclo menstrual na performance esportiva. No entanto, antes de entrar neste tema  gostaria de destacar que, na verdade, o ciclo menstrual representa apenas uma parte (não a maioria) das mulheres. Nesse sentido, é necessário considerar: puberdade, usuárias de anticoncepcionais hormonais (não apenas usuárias de pílula anticoncepcional oral), mulheres grávidas, mulheres com irregularidades menstruais (por exemplo, amenorreia e oligomenorreia), mulheres na menopausa, usuárias de terapia de reposição hormonal. Cada um desses grupos de mulheres representa perfis hormonais ovarianos diferentes (ou seja, elas têm quantidades diferentes de estrogênio e progesterona).

Mas vamos conversar sobre as mulheres  que fazem parte do grupo que tem um ciclo menstrual. É comum surgirem dúvidas sobre as fases do ciclo e como calcular o ciclo. Assim, vamos aprender, de forma  breve, a calcular o ciclo menstrual e identificar as fases.

Um ciclo menstrual pode variar de 21 e 35 dias, mas dura em média  28 dias. O ciclo menstrual começa com a menstruação, ou seja, chamamos de dia 1 o primeiro dia que vem a menstruação. Essa menstruação pode durar em média quatro até seis dias. Sendo que o primeiro e o segundo dia temos uma menstruação mais hemorrágica, com mais sangue, em geral, depois do terceiro dia resta uma menstruação mais residual.

Calculando o ciclo:

Imaginem que hoje é dia 1 de janeiro de 2023 e você menstruou hoje. Esse é o dia 1 do seu ciclo menstrual, assim:

01/01 – Dia 01 do ciclo

02/01 – Dia 02 do ciclo

03/01– Dia 03 do ciclo

[…]

14/01 – Dia 14 do ciclo – Dia da ovulação

O dia da ovulação é o dia mais fértil do ciclo menstrual. As chances de engravidar neste dia, sem uso de métodos contraceptivos, é de 80% ou mais. Outro momento importante no ciclo menstrual é o início dos sintomas da TPM. Os sintomas da TPM podem ser muito angustiantes e afetar consideravelmente a qualidade de vida de algumas mulheres. Os sintomas podem iniciar  até 10 dias antes do início da menstruação, ou seja, quatro dias após a ovulação.

O ciclo menstrual é dividido em fases. A primeira fase é chamada de  fase folicular, começa com a menstruação e é  dividida em dois momentos: fase folicular precoce e  tardia. Depois temos a fase ovularia que é o momento que ocorre a ovulação, normalmente no 14º após o início da menstruação. Por fim temos a fase lútea que começa após a ovulação e é dividida em  três momentos: fase lútea inicial, média e final. O tempo aproximado de cada fase pode variar de mulher para mulher.

Estudos mostram que o desempenho na corrida é um pouco pior durante a fase folicular inicial do ciclo menstrual (os dias que está acontecendo a menstruação) em comparação com as outras fases, no entanto, os efeitos  podem variar de mulher para mulher. Sendo que para algumas mulheres os efeitos são tão pequenos a ponto de não interferir. É importante notar que esses pequenos efeitos podem ter relevância para atletas de elite, onde a diferença entre ganhar e perder é mínima. De forma geral, uma abordagem individual é extremamente importante.

Por: Luana Stangherlin

Nutrição Esportiva

O prato perfeito do corredor: o que comer antes, durante e depois do treino

Estratégias simples para garantir energia, performance e recuperação no dia a dia.

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Você já se perguntou por que alguns treinos fluem com energia do início ao fim, enquanto em outros o corpo parece travar antes da metade? Na maioria das vezes, a resposta está fora da pista: naquilo que você colocou (ou deixou de colocar) no prato.

A alimentação certa antes, durante e depois do treino é o combustível que define se você vai correr com potência ou arrastar as pernas. E o melhor: construir esse equilíbrio é mais simples do que parece, basta entender o timing nutricional e como montar o prato ideal do corredor.

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Antes do treino: energia sem peso

A refeição pré-treino tem um objetivo claro: fornecer energia disponível, sem causar desconforto. O erro mais comum dos corredores é treinar de estômago cheio, ou completamente vazio.

De forma geral, o ideal é consumir carboidratos de fácil digestão 30 a 60 minutos antes do treino. Eles garantem glicose no sangue e preservam o glicogênio muscular, principal fonte de energia da corrida.

Exemplos de boas opções:

· Banana com mel

· Pão integral com geleia

· Pão, banana e mel

· Tapioca com pasta de amendoim leve + mel

· Iogurte natural com granola e frutas

Evite: alimentos gordurosos, com muita fibra ou proteína em excesso, eles retardam a digestão e podem causar desconforto abdominal durante a corrida.

Referência: Burke LM, et al. “Carbohydrate availability and training adaptation: effects on endurance performance.” J Appl Physiol. 2015;118(12):1451–1462.

Durante o treino: energia em movimento

Treinos ou provas com duração acima de 75 minutos exigem reposição de energia. Quando o corpo esgota o glicogênio, a fadiga se instala e o ritmo despenca.

O ideal é consumir 30 a 60 gramas de carboidrato por hora, ajustando conforme a intensidade e tolerância. Pode ser via géis, bebidas esportivas, frutas secas ou até balas de goma.

Estratégia prática:

· A cada 30–40 minutos, ingira um gel ou isotônico (ou conforme orientação do seu nutricionista)

· Em treinos de maior duração, varie texturas (líquido + sólido) para conforto intestinal.

· Mantenha hidratação constante, pequenas doses a cada 15–20 minutos.

Referência: Stellingwerff T, et al. “Optimizing carbohydrate availability for endurance athletes.” Curr Opin Clin Nutr Metab Care. 2019;22(6):452–460.

Depois do treino: recuperação e reconstrução

Após o treino, o corpo entra em modo de regeneração. Nesse momento, é essencial repor o glicogênio gasto e iniciar o reparo muscular, e o relógio conta: quanto antes, melhor.

A refeição ideal pós-treino deve combinar:

· Carboidrato: para repor energia (arroz, batata, mandioca, frutas).

· Proteína: para reconstrução muscular (ovos, frango, peixe, tofu, iogurte, whey).

· Antioxidantes: para reduzir o estresse oxidativo (frutas vermelhas, cacau, vegetais coloridos).

Exemplo prático:

· Bowl com arroz branco ou integral, frango grelhado, legumes e azeite.

· Smoothie com iogurte natural, whey, banana, aveia e frutas vermelhas.

Dica: evite pular essa refeição, sem ela o corpo demora mais a se recuperar, e o risco de lesão aumenta.

Referência: Jäger R, et al. “International Society of Sports Nutrition Position Stand: protein and exercise.” J Int Soc Sports Nutr. 2017;14(1):20.

Dica Premium do Nutricionista

“O segredo não é comer mais, é comer no momento certo. Um prato equilibrado e ajustado ao horário do treino vale mais do que qualquer suplemento isolado. A constância na alimentação é o que sustenta a performance de longo prazo.”

Conclusão

Montar o “prato perfeito do corredor” não é sobre regras rígidas, é sobre estratégia e autoconhecimento. Ao aprender a alimentar-se conforme o treino, você passa a correr com mais energia, menos fadiga e um corpo que responde melhor ao esforço.

Na próxima vez que pensar em performance, olhe primeiro para o seu prato. A corrida começa muito antes da largada, ela começa na sua cozinha.

Por: Diego Bastos – Nutricionista Esportivo (CRN 52507)

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Nutrição Esportiva

Correr para ser leve?

Como a estética silenciosa está adoecendo corredoras — e por que saúde é o verdadeiro caminho para a performance

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A corrida sempre foi um convite à liberdade. Para muitas mulheres, é o momento de respirar, organizar a mente e se conectar consigo mesmas. Mas, silenciosamente, a estética tem ocupado o espaço que deveria ser da saúde. O ideal do “corpo leve” — mais seco, mais rápido, mais definido — transformou a corrida em território de cobrança velada.

No Instagram, corpos eficientes.

Na rotina, cansaço constante.

Nos treinos, disciplina.

Nos exames, deficiências.

Essa desconexão não é coincidência. É sintoma.

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Cada vez mais corredoras treinam em déficit calórico, restringem carboidratos e normalizam sinais importantes: perda de ciclo, falta de fome, lesões repetidas, sensação de “pernas pesadas”. Esses sintomas apontam para um problema crescente: a síndrome RED-S (Relative Energy Deficiency in Sport), caracterizada pelo gasto energético maior do que a ingestão — algo comum em quem treina forte e come pouco.

A American College of Sports Medicine estima que até 60% das corredoras apresentam baixa disponibilidade energética, muitas sem perceber. RED-S não afeta apenas o rendimento: compromete hormônios, imunidade, densidade óssea, humor e recuperação muscular. E quando o ciclo menstrual falha, o alerta é máximo. Perder a menstruação por exercício não é normal — é sinal de estresse fisiológico.

Outro ponto crítico é o ferro. Devido ao impacto da corrida, ao suor e ao fluxo menstrual, mulheres têm maior risco de deficiência. Mesmo com exames “normais”, ferritina abaixo de 30 ng/mL já reduz performance. Menos ferro significa menos oxigênio disponível — e, portanto, menos velocidade, menos resistência e mais fadiga.

O discurso de que “ficar mais leve faz correr mais rápido” também merece revisão. Para corredoras amadoras, o peso não determina performance tanto quanto força, condicionamento, biomecânica, recuperação e alimentação adequada. Muitas descobrem que, ao emagrecer demais, não correm melhor — correm pior.

A verdade é simples: o corpo forte é o corpo alimentado. Ele precisa de energia para se adaptar, evoluir e sustentar o prazer de correr.

O desafio nunca foi ser mais leve.

É ser mais forte.

Mais saudável.

Mais inteira.

A corrida não exige perfeição.

Exige presença.

E presença só existe em um corpo bem tratado, bem nutrido e bem cuidado.

No fim, o tempo que você quer baixar começa com o cuidado que você decide elevar.

Por: Nádia Cristina

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Nutrição Esportiva

Como prevenir lesões comendo melhor

O papel dos nutrientes na regeneração muscular e saúde articular

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As lesões são o “fantasma” de todo corredor. Elas chegam sem avisar, interrompem a rotina de treinos e, muitas vezes, exigem semanas de recuperação. A boa notícia é que parte significativa desse risco pode ser reduzida com algo que está ao alcance de todos: a alimentação. Comer bem não é apenas repor energia, é cuidar da estrutura que sustenta cada passada.

Mais do que combustível: comida é reconstrução

Quando falamos em nutrição esportiva, é comum associar comida apenas à energia para correr. Mas cada alimento também atua na reparação de tecidos, na redução de inflamações e na manutenção da integridade muscular e articular. Durante o treino, o corpo sofre microlesões musculares e desgaste das articulações. É nesse momento que os nutrientes certos fazem a diferença: eles regeneram, protegem e fortalecem.

Proteína: o tijolo da recuperação

As proteínas são os blocos de construção do tecido muscular. Uma ingestão adequada (entre 1,4 e 2,0 g/kg/dia, segundo a International Society of Sports Nutrition, 2018) é essencial para que a regeneração ocorra de forma eficiente. Fontes como ovos, peixes, carnes magras, iogurte, whey protein e leguminosas fornecem aminoácidos fundamentais para reconstruir o que o treino desgasta. Dica prática: procure distribuir as proteínas ao longo do dia, café da manhã, almoço, lanche e jantar. O corpo se recupera melhor quando recebe “pequenas doses” constantes de matéria-prima.

Micronutrientes: pequenos, mas poderosos

Vitaminas e minerais participam de processos antioxidantes e anti-inflamatórios que reduzem o estresse do corpo após o exercício. Alguns merecem destaque: – Vitamina C – auxilia na síntese de colágeno e combate o excesso de radicais livres. Fontes: frutas cítricas, kiwi e pimentão. – Vitamina D – atua na força muscular e saúde óssea. Exposição solar controlada e alimentos como salmão e gema de ovo são aliados. Em alguns casos pode ser necessária a suplementação de vitamina D, procure sempre um médico e nutricionista para orientação. – Zinco e magnésio – ajudam na recuperação e no sistema imune, frequentemente comprometido após treinos intensos. – Cálcio – essencial para contração muscular e estrutura óssea. Um prato colorido, variado e rico em alimentos naturais é a melhor estratégia para garantir esses micronutrientes no dia a dia do corredor.

O colágeno e a saúde das articulações

Nos esportes de endurance, o impacto repetitivo sobre articulações é alto. O colágeno hidrolisado, quando combinado com vitamina C, tem mostrado benefícios na regeneração da cartilagem e na redução de dores articulares (Shaw et al., Nutrients, 2017). Mas o mais importante é garantir a matéria-prima natural: carnes, peixes, ovos e caldos ricos em ossos e tendões são fontes valiosas de aminoácidos que o corpo usa para formar colágeno.

Inflamação: o equilíbrio entre treino e recuperação

A inflamação é uma resposta natural do corpo ao exercício. O problema surge quando ela se torna crônica. Alimentos ultraprocessados, excesso de açúcar e gorduras trans aumentam esse estado inflamatório. Por outro lado, fontes de ômega-3 (salmão, sardinha, chia, linhaça e nozes) e frutas vermelhas ajudam a modular a inflamação e proteger músculos e articulações. Pense assim: cada refeição pode ser pró ou anti-inflamatória, e essa escolha se repete todos os dias.

Conclusão: constância também se aplica à mesa

Prevenir lesões é mais do que treinar com consciência, é nutrir o corpo com inteligência. A recuperação não acontece apenas no gelo, na massagem ou no descanso. Ela começa no prato, todos os dias. Recuperar é treinar, e a comida é seu principal anti-inflamatório.

Por: Diego Bastos Nutricionista Esportivo (CRN 52507)

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