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Medicina do Esporte

As tendências para prevenção de lesões na corrida em 2024

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Temos tantas novidades à apresentar e ao mesmo tempo, ainda poucos trabalhos analisando tantas informações e dados que podemos usar para avaliar nossas métricas. Irei citar o que temos no mercado, explicando um pouco o que cada um pode oferecer:

1. Uso de tecnologia wearable: O uso de dispositivos de monitoramento e rastreamento, como relógios inteligentes e sensores, será cada vez mais comum para monitorar dados relacionados à corrida, como cadência, passada, potência e impacto.

2. Fisioterapia preventiva: A ênfase na prevenção de lesões por meio de programas de fisioterapia personalizados antes do início da corrida ganhará destaque. Esses programas ajudarão a fortalecer os músculos específicos utilizados na corrida, prevenindo lesões comuns.

3. Treinamento funcional: A abordagem de treinamento funcional, que visa melhorar a estabilidade, equilíbrio e mobilidade do corpo, será cada vez mais adotada para melhorar a técnica de corrida e reduzir a probabilidade de lesões.



A evolução da medicina em 2024 trará avanços notáveis ​​para o campo da corrida e saúde, incluindo:

1. Terapia genética: Novas descobertas na área da terapia genética podem oferecer tratamentos personalizados para lesões relacionadas à corrida, acelerando a cura e aumentando a resiliência do corpo contra potenciais lesões.

2. Avanços na medicina regenerativa: Pesquisas sobre medicina regenerativa podem levar ao desenvolvimento de terapias que estimulam a regeneração de tecidos danificados, como cartilagem, tendões e ligamentos, auxiliando na recuperação de lesões na corrida. Já aplicamos com os biológicos na cicatrização e produtos sintéticos para ajudar na prevenção.

Para evitar lesões na corrida em 2024, é importante adotar as seguintes práticas:

1. Realizar aquecimento usando o gesto esportivo e vetores da corrida, e resfriamento adequados depois da corrida, incluindo exercícios de mobilidade.

2. Seguir um programa de treinamento progressivo, aumentando gradualmente a intensidade, duração e distância da corrida.

3. Focar em fortalecimento muscular, principalmente dos membros inferiores, para melhorar a estabilidade e absorção de impacto durante a corrida. Incluir propriocepção

4. Investir em calçados adequados e adaptados ao tipo de pisada nos casos extremos sempre focados nas características individuais, mesmo se necessário confeccionar palmilhas sob medida.

No campo da medicina esportiva em 2024, é esperado que os seguintes aspectos sejam relevantes e marcantes:

1. Individualização do treinamento: Com o uso de dados pessoais e tecnologia, será possível obter uma compreensão personalizada do corpo e planejar treinamentos específicos para maximizar o desempenho e minimizar lesões.

2. Diagnóstico avançado por imagem: Melhorias nas técnicas de imagem, como ressonância magnética e ultrassonografia, permitirão uma detecção mais precisa e precoce de lesões relacionadas à corrida. Inclusive com reconstrução em 3D.

3. Inteligência Artificial na medicina: O uso de IA para auxiliar médicos em diagnósticos, tratamentos e acompanhamento dos pacientes deve continuar a crescer, ajudando a melhorar a precisão e a eficácia dos cuidados de saúde.

4. Relevância: Fortalecimento do core, aprimoramento da flexibilidade, melhoria na recuperação pós-treino e nutrição adequada serão elementos importantes para prevenir lesões na corrida.

É importante ressaltar que essas tendências são baseadas em suposições gerais e não em informações reais sobre o futuro.


Prevenção de lesões na corrida em 2024:
1. Foco na técnica de corrida: Mais atenção será dada à forma correta de corrida, visando reduzir o impacto nas articulações e minimizar o risco de lesões.
2. Treinamento funcional: O treinamento funcional, que envolve exercícios que imitam movimentos da corrida, deve ganhar destaque para fortalecer os músculos estabilizadores e melhorar a resistência.
3. Uso de tecnologia: Com o avanço de wearables e dispositivos de monitoramento, os corredores poderão utilizar tecnologias para avaliar a biomecânica da corrida, identificar desequilíbrios musculares e receber feedback em tempo real para ajustar sua técnica.

DESUSO:


No que diz respeito ao que estará em desuso em 2024, espera-se uma diminuição na dependência de métodos de reabilitação passivos, como repouso absoluto e métodos de recuperação ultrapassados, como compressas de gelo prolongadas e repouso absoluto, podem ser substituídos por técnicas mais eficazes, como terapias de liberação miofascial, exercícios de movimento e abordagens de recuperação ativa.

Em vez disso, abordagens mais ativas, como reabilitação funcional e exercícios terapêuticos, ganharão ênfase na prevenção e recuperação de lesões na corrida. É importante lembrar que essas previsões são baseadas em tendências e pesquisas atuais, e podem sofrer alterações com o passar do tempo.
Lembrando que é aconselhável buscar orientação de profissionais qualificados para receber recomendações mais atualizadas e personalizadas.

Por: Dra Ana Paula Simões

Medicina do Esporte

Dor na virilha no corredor: diagnóstico diferencial é decisivo para performance e segurança

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Dor na virilha no corredor: diagnóstico diferencial é decisivo para performance e segurança
Por Dra. Ana Paula Simões

A dor na virilha é uma das queixas mais desafiadoras no atleta de endurance. Corredores, triatletas e ciclistas submetem a região inguinal a forças repetitivas, acelerações, desacelerações e aumento sustentado da pressão intra-abdominal. O resultado é um cenário clínico complexo, onde múltiplas estruturas anatômicas podem estar envolvidas.

No espectro musculoesquelético, os diagnósticos mais comuns incluem:
• Adutoropatia (tendinopatia dos adutores), especialmente do adutor longo
• Osteíte púbica, caracterizada por inflamação da sínfise púbica
• Lesão ou tendinopatia do iliopsoas
• Impacto femoroacetabular (IFA), frequentemente associado a limitação de rotação interna
• Fratura por estresse do púbis ou do colo femoral
• Síndrome do retângulo abdominal–adutor, dentro do conceito de pubalgia atlética

Entretanto, um diagnóstico ainda subestimado no meio ortopédico é a hérnia inguinal, inclusive nas formas ocultas. Diferentemente da hérnia clássica com abaulamento evidente, muitos atletas apresentam apenas dor vaga, sensação de peso ou desconforto que piora com esforço, sprint ou exercícios abdominais.

A dificuldade diagnóstica ocorre porque a dor inguinal é frequentemente multifatorial. Estudos de imagem demonstram que alterações na sínfise púbica, inserções tendíneas e parede abdominal podem coexistir. Sem um exame físico direcionado e sem investigação complementar adequada , como ultrassonografia dinâmica da parede abdominal ou ressonância magnética, o risco de erro diagnóstico é significativo.

Ignorar a possibilidade de hérnia inguinal pode ter implicações relevantes. Embora rara, a progressão para encarceramento ou estrangulamento é uma complicação potencialmente grave, com risco de isquemia intestinal e necessidade de cirurgia de urgência.

O ponto central é simples: dor na virilha não é diagnóstico, é sintoma. No atleta de endurance, a avaliação deve integrar ortopedia, cirurgia da parede abdominal e imagem. Tratar apenas como “pubalgia crônica” sem ampliar o raciocínio clínico pode prolongar a dor, atrasar o retorno ao esporte e expor o atleta a riscos desnecessários.

O diagnóstico diferencial bem estruturado não é excesso de zelo , é medicina baseada em evidência aplicada à prática esportiva.

Manda um direct de precisar de algo. Bons treinos, valentes!
@DraAnaPSimoes

Referências (PubMed)
1. Omar IM et al. Athletic pubalgia and “sports hernia”: optimal MR imaging technique and findings. Radiographics. 2008;28(5):1415–1438. PMID: 18794313.
2. Zoga AC et al. Athletic pubalgia and the sports hernia: MR imaging findings. Radiology. 2008;247(3):797–807. PMID: 18487535.
3. Caudill P et al. Sports hernias: a systematic literature review. Br J Sports Med. 2008;42(12):954–964. PMID: 18927164.
4. Robinson P et al. Imaging of groin pain in the athlete. Skeletal Radiol. 2014;43(9):1165–1179. PMID: 24681439.
5. Jenkins JT, O’Dwyer PJ. Inguinal hernias. BMJ. 2008;336(7638):269–272. PMID: 18244955.

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Medicina do Esporte

Rotas da Consciência: quando correr também é um ato de memória, identidade e pertencimento

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Existe algo de profundamente transformador quando a corrida deixa de ser apenas um movimento individual e passa a ocupar as ruas como expressão de história, cultura e comunidade. Em novembro, a Olympikus trouxe uma iniciativa que traduz exatamente isso: o projeto Rotas da Consciência, um ecossistema criado para celebrar a cultura negra dentro da corrida de rua brasileira e para trazer à superfície histórias que, por muito tempo, ficaram apagadas.

E não, não se trata apenas de uma campanha. Trata-se de um movimento construído com escuta, pertencimento e representatividade.

Corrida, ancestralidade e liberdade

O Rotas da Consciência nasceu da cocriação com corredores, artistas, historiadores e lideranças negras — pessoas que já vinham defendendo que a corrida pode e deve ser também um território de memória.
A marca nacional , aos 50 anos, escolheu justamente esse caminho: reconhecer quem pavimenta as ruas muito antes dos tênis tecnológicos e das medalhas brilharem. Reconhecer não como gesto simbólico, mas como prática.

É daí que surge o conceito central do projeto: as rotas representam caminhos abertos por gerações anteriores e que hoje seguimos coletivamente.

Das ruas para o Strava e do Strava de volta para a história

Um dos pilares mais potentes da iniciativa é o lançamento de rotas históricas no Strava, criadas junto às crews negras que movimentam as corridas nas grandes capitais.
Esses percursos passam por lugares que simbolizam a presença e a resistência negra no Brasil:
• Cais do Valongo (Rio de Janeiro)
• Pelourinho (Salvador)
• Praça Brigadeiro Sampaio (Porto Alegre)
• Praça da Sé (São Paulo)

Seguimos por esses caminhos todos os dias mas nem sempre entendemos o que cada rua carrega. Quando corredores das próprias comunidades escrevem sobre a experiência de passar por esses locais, o trajeto ganha uma densidade que nenhum GPS traduz.

Treinões da Consciência: corrida como união

No dia 20 de novembro, o projeto ganha vida coletiva com treinões simultâneos organizados por quatro crews fundamentais desse movimento:
• Arte Corre Crew (RJ)
• SBN Running (Salvador)
• Corre Preto (Porto Alegre)
• Corre Kilombo (SP), que também realiza uma corrida oficial integrada aos 50 anos da Olympikus

A expectativa é reunir mais de 3 mil pessoas num gesto que transcende performance: é sobre ocupar as ruas com identidade, força e alegria.

Um documentário que coloca história em movimento

No mesmo dia, estreia o documentário Rotas da Consciência, gravado em quatro capitais e na Serra da Barriga , berço do Quilombo dos Palmares.
A obra é mais que registro: é reflexão sobre liberdade, aquilombamento e humanidade.

Vinícius Neves Mariano, roteirista do filme, traduz magistralmente o impacto desse movimento: quando entendemos as raízes que vieram antes, ganhamos força para continuar correndo não só no asfalto, mas na vida.

Vozes que constroem essa cena

Cada crew representa uma perspectiva:
• Corre Kilombo (SP): potência, pertencimento e celebração
• Arte Corre Crew (RJ): ressignificação das cidades e visibilidade para coletivos pretos
• SBN Running (Salvador): identidade suburbana, energia e resistência
• Corre Preto (Porto Alegre): corrida como ferramenta para ampliar o debate racial

Todas trazem um ponto comum: a necessidade de enxergar a corrida como cena plural, diversa e representativa.

Um tênis que carrega histórias

A edição especial do Corre da Consciência, assinada pela designer Amanda Lobos, resgata símbolos ancestrais e usa cores inspiradas em 13 bandeiras de países africanos.
O detalhe mais marcante é o Adinkra, ideograma do povo Akan/Ashanti, estampado no lugar do tradicional “Corre”.
Design com função estética, sim mas também com função cultural.

A corrida como espaço de transformação

O Rotas da Consciência é mais do que ativação de marca: é um convite para que corredores de todo o Brasil enxerguem que ocupar as ruas não é só sobre treinar, mas sobre reconhecer quem abriu caminho antes e quem ainda luta para existir nesses mesmos espaços.

Como médica do esporte, vejo todos os dias como a corrida muda vidas.
Mas quando ela também muda narrativas, amplia representatividade e fortalece identidades, o impacto é ainda maior.

Que a gente siga ocupando as ruas com consciência, história, potência e respeito.

Bons treinos valentes !

Dra. Ana Paula Simões – Ortopedia & Medicina do Esporte – CRM 108667

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Medicina do Esporte

Crianças e maratonas: por que esse limite precisa ser respeitado

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Criança de 10 anos corre maratona em ARACAJU – Domingo 26/10/2025

https://www.instagram.com/reel/DQULBETDYFX/?igsh=ZHJ2Nm9qOHhlMTJ5

Nos últimos anos, com a popularização das corridas de rua, tornou-se comum ver famílias inteiras participando de eventos esportivos. A prática é extremamente saudável desde que adequada à idade.

No entanto, permitir ou incentivar uma criança de 10 anos a correr uma maratona de 42 km é algo que ultrapassa qualquer limite de segurança. Do ponto de vista médico e ortopédico, trata-se de uma prática contraindicada e potencialmente perigosa, com riscos amplamente documentados na literatura científica.

O corpo infantil não está preparado para esse tipo de esforço extremo. Nessa faixa etária, o sistema musculoesquelético ainda é imaturo: ossos, tendões e articulações estão em formação, com cartilagens de crescimento (fises) abertas. O impacto e a sobrecarga repetitiva de uma maratona podem causar lesões de estresse, epifisiólises e até deformidades no crescimento ósseo.

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Do ponto de vista metabólico e cardiovascular, os riscos são igualmente relevantes. O organismo infantil tem menor capacidade de termorregulação, glicogênio reduzido e ainda não possui mecanismos plenamente desenvolvidos para lidar com a desidratação e o estresse prolongado. Isso aumenta a chance de hipoglicemia, hiponatremia, arritmias e colapsos circulatórios.

Outro ponto crítico é a sobrecarga articular precoce. Joelhos, quadris e tornozelos de uma criança não foram feitos para suportar o impacto de dezenas de milhares de passadas. Esse tipo de estímulo pode antecipar quadros de artrose e tendinopatias crônicas, comprometendo a saúde musculoesquelética na vida adulta.

E não menos importante: o impacto psicológico. Uma maratona não é apenas física; ela exige foco, disciplina e resiliência mental. Submeter uma criança a essa pressão — muitas vezes associada a expectativas de adultos — pode gerar estresse emocional, frustração e até repulsa pela prática esportiva.

As principais entidades médicas e esportivas são categóricas. A American Academy of Pediatrics (AAP) e a World Athletics recomendam que, até os 14 anos, a corrida mantenha caráter lúdico, de curta duração e sem foco competitivo. O objetivo nessa fase é promover o prazer pelo movimento, o desenvolvimento da coordenação e a criação de hábitos saudáveis não a resistência extrema.

Aos 10 anos, o ideal é que a criança pratique corridas de até 3 km, com pausas, acompanhamento de adultos e, principalmente, diversão. Incentivar o amor pelo esporte é fundamental, mas isso deve vir com responsabilidade.

Maratona é um desafio lindo para adultos plenamente desenvolvidos, com treino e acompanhamento adequados. Para as crianças, o desafio deve ser outro: crescer com saúde, segurança e vontade de continuar se movendo.

Referências:
• American Academy of Pediatrics. Sports Participation for Children and Adolescents: The Risks and Benefits of Organized Athletic Activity. Pediatrics, 2019. https://doi.org/10.1542/peds.2019-0990
• Tenforde AS, et al. Running-Related Injuries in Youth Athletes: A Clinical Review. Current Sports Medicine Reports, 2021.
• World Athletics. Consensus statement on youth long-distance running., 2020.

— Dra. Ana Paula Simões
Ortopedista e médica do esporte (RQE 28753 / RQE 67412)

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