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Biomêcanica da Corrida

A Canelite

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RUNNERS, como prometido, hoje é a primeira matéria de uma série de 5, sobre as lesões mais comuns de vocês, corredores. O intuito aqui é ser bem direto, resumindo as evidências para as lesões mais comuns e tentarei entrar o menos possível no nível técnico e detalhes específicos, trazendo assim uma fácil leitura e aplicabilidade.

Começaremos pela a primeira lesão do corredor, a que é a primeira a aparecer e a primeira a incomodar os corredores, a Síndrome do Estrese Tibial Medial, ou mais conhecida como Canelite.

Sabe aquela dor na canela, que pode ser antes e durante e depois da corrida? Pode ser uma dor que faça você parar de correr, pode ser latejante ou até mesmo sentir um edema ou um ”caroço” na canela. E se você for iniciante então !!!!

Sim, você pode estar com Canelite !!!!

A primeira coisa que vejo no meu dia a dia, são as pessoas se confundirem. Os corredores me procuram com uma dor na região da canela, e quando faço a palpação no local de dor, ela não tem relação direta com a Canelite. A Canelite se dá na região de dentro da canela, normalmente do meio dela para baixo, essa região chamamos de póstero medial, e não na região de fora da canela, que é a mais confundida, quando faço a consulta clínica. Ali, no lado de fora da nossa canela, o que realmente há é uma fadiga do músculo tibial anterior, o músculo que trás o pé para cima, já que a maioria dos corredores são de calcanhar, e o uso excessivo dessa musculatura, faz com que fadigamos, e aparecem as dores naquele local, então por favor, não confundam !!!

O que acontece nessa lesão ainda é um pouco conhecida, a etiologia ainda não está bem clara, porém as duas teorias mais aceitas é que há uma inflamação da cortical óssea com ou sem edema, onde se localiza o periósteo, que grosso modo, é uma membrana que envolve o osso, e que com a sobrecarga da corrida e tração dos músculos ali localizados, causa uma inflamação, que chamamos de periostite.

A segunda teoria é que há uma erosão óssea devido à sobrecarga e perda de micro células óssea (Células que reabsorvem osso, são chamadas de Osteoclastos) e ha não deposição satisfatória de matriz óssea (Células que produzem matriz óssea são chamadas, Osteoblastos), retornando o equilíbrio entre perda e ganho dessas células. Quando há uma perda desse equilíbrio, ou seja mais Osteoclastos agindo do que Osteoblastos, acontecem as erosões ósseas e a Canelite.

O que está claro que é uma lesão por sobrecarga e repetição, e normalmente está ligada ao aumento rápido do volume e principalmente da intensidade da corrida somada a desequilíbrios musculares. Aqui o que escrevemos da coluna sobre os 5 erros mais comuns do treino em corredores, especialmente sobre Capacidade VS Demanda, serve muito bem.

Ao ser diagnosticado, que pode ser feito clinicamente e com exames de imagem, e o ideal que se faça uma ressonância magnética para descartarmos uma fratura de estresse, é necessário diminuir ou cessar atividade de sobrecarga e se tratar. Caso contrário, a lesão poderá evoluir, como dissemos, para fratura por estresse, situação em que é necessário retirar totalmente a carga axial.

A literatura evidencia que ser mulher, estar acima do peso, ter uma hiperpronação do pé (aquele pé que cai demais para dentro) e os erros de treinamento como aumentar a intensidade e o volume, são fatores que aumentam o risco de desenvolver a canelite e são as mais comuns e encontradas nas revisões sistemáticas para você desenvolver essa lesão, e o pior se você já teve uma vez, isso aumenta de 2 a 3 x a probabilidade de você ter novamente.

Lembrando que essas alterações vistas separadamente podem não serem consideradas um fator de risco, já que sabemos que as lesões são multifatoriais.

Já quando falamos de biomecânica, há alguns achados comuns nesses pacientes como uma passada muito alongada que chamamos de overstriding, alto impacto, aquele corredor fazendo muito barulho na esteira, ou saltando demais para correr. O importante lembrar que também, não há correlação direta dessas alterações com o aparecimento da Canelite, como dito acima, as lesões não seguem um padrão linear e de correlação direta, tanto que, é comum observarmos vários corredores com essas alterações e sem lesões, meu caro leitor.

O tratamento é feito com medicação, repouso, fisioterapia e, em alguns casos, terapia por ondas de choque pode ser uma alternativa, quando o tratamento conservador falha. Há alguma relação não entendida com fatores hormonais em mulheres, e há também alguns médicos que associam a falta de Vitamina D nesses pacientes, assuntos ainda não comprovados pela ciência.

Após melhora dos sintomas, o foco da reabilitação é o fortalecimento, principalmente nos músculos da panturrilha, e aí o sóleo é o escolhido como o mais importante juntamente com os músculos que estão localizados na região da canela, como o tibial anterior e tibial posterior, inversores e eversores.

Agora devemos ter muito cuidado com o retorno da corrida, que deve ser GRADUAL, e pensar em aumentar primeiramente o volume, do que a intensidade da corrida, podendo associar o deeprunning nos casos mais agudos. A atuação no complexo lombo-pélvico, quadris e FootCore, tem boa indicação, além de correções biomecânicas que poderão ser realizadas por um especialista, como o aumento da cadência, por exemplo, trazendo menor sobrecarga em membro inferior, menor tempo de contato com o pé no solo entre outras beneficies, e pode ser um bom complemento no tratamento.

E para finalizarmos, em relação ao tênis, não temos evidência de um modelo especifico ser melhor que o outro, e nem que os mais altos amortecem mais, e antes que gere dúvidas, também não sabemos os efeitos dos tênis de placa de carbono para desencadear ou amenizar uma Canelite, pelo menos ao ver da literatura não há nada de concreto até o momento.
Vou ficando por aqui, espero ter sido objetivo e que ajude vocês a entenderem um pouco mais da Canelite.
Procure sempre um profissional gabaritado para te atender.

Se você quer saber mais, não percam as próximas colunas.

Até Mais RUNNERS.

Por: Felippe Ribeiro

Biomêcanica da Corrida

Top 10 Coisas para Melhorar sua Biomecânica da Corrida

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RUNNERS tudo bem?

Estamos on, por aqui!

Essa matéria será especialmente com dicas reais e superimportantes para a melhora da biomecânica!

 Então senta o “zóio” em nossa coluna, preste a atenção e coloque em prática!

Separei 10 top dicas para vocês evoluírem na corrida e na sua Biomecânica, a ordem dos fatores não alteram os resultados, comece por qualquer uma delas.!!!

TOP 1 : Tenha regularidade ao correr. Conforme mantemos nossa corrida, os movimentos repetitivos, estimulamos zonas lá em nosso cérebro, que irão começar a padronizar o movimento, deixando os mais automáticos, economizando mais energia, melhorando ao máximo e naturalmente a sua Biomecânica, então continue a correr.

TOP 2 : Descanse. O descanso é tão essencial quanto à corrida, à musculação, à alimentação, e por ai vai. Quando descansamos, quando dormimos, o corpo se recupera das micro lesões que fizemos no treino, libera hormônios para controle de varias funções vitais para nosso funcionamento, e para que no dia seguinte ao descanso estamos prontos para um novo dia, novo treino e uma nova biomecânica.

TOP 3 : Alimente-se bem e corretamente. Toda boa máquina precisa de energia. Nosso corpo não é diferente. Para termos uma boa biomecânica, fazer bons treinos, não quebrar nas provas, a função metabólica é de extrema importância para evoluirmos em nossa corrida. Todo mundo precisa de um bom combustível. Procure um Nutricionista para ontem!

TOP 4:  Faça musculação. Toda a literatura atual e estudos evidenciam uma evolução do desempenho, prevenção de lesões e melhora biomecânica, através dos treinos, principalmente de força e potência. Não pule a academia, duas a três vezes na semana é um bom numero. Seu treinador, fisioterapeuta e você irão ficar agradecidos e surpresos com o poder de deixar seus músculos mais fortes.

TOP 5: Faça uma Avaliação Funcional do Corredor: Aqui sou suspeito, pois é minha área de estudo, meu trabalho e meu dia dia. Fazer uma avaliação funcional será de extrema importância para você e seu treinador montar seus treinos baseados especificamente para sua necessidade, de força, de grupos musculares específicos, de alterações de flexibilidade, de mobilidade, de desequilíbrios entre os grupos trabalhados na corrida, deixando assim de ficar atirando no escuro, fortalecendo todo mundo da mesma forma e com a mesma carga para ambos os lados, sendo assim mais assertivo em suas necessidades! Ainda sim, dentro da avaliação, olharmos para a Biomecânica, e analisar possíveis e pequenas alterações necessárias para uma melhor economia da corrida.

TOP 6: Sempre tenha um médico do esporte e um cardiologista na manga. São profissionais importantes para nossa evolução e segurança para a prática de exercícios e prevenção de qualquer problema mais importante de todo o sistema. Tenha seus exames atualizados. Quer começar uma atividade física, e no nosso caso correr, procure um médico antes de tudo.

TOP 7: Use roupas feitas para corredores. A tecnologia envolvida no mundo da corrida não esta só relacionada a tênis, viu? Há roupas para diferentes temperaturas, níveis diferentes de compressão, cores, tecidos, que te ajudarão a manter a temperatura corporal, te darão a sessão de conforto e de segurança para correr, e por tabela, melhorar sua desempenho. E então prepare o bolso para esse investimento.

TOP 8: O tão falado Tênis. A dica aqui é escolha por CONFORTO. Isso é o que temos na literatura mais avançada possível para a escolha. Sim, isso é muito especifico e particular para cada ser corredor no mundo, mas é o que temos como parâmetro de escolha pelos principais trabalhos no mundo a fora. De carbono ao minimalista, procure uma marca confiável, esqueça aqui os “chinglings” da vida veja se o valor cabe no seu orçamento e seja feliz com sua escolha, mas escolha por você, não vai na ideia do vizinho !

TOP 9: Use e abuse dos Gadges e Wearables. Esse é o nome dos Garmins e, Polares da vida.Esses pequenos monitores, são ótimos para levantar dados de nossa corrida, e estão cada vez mais precisos, tecnológicos e de fácil acesso. Ali você consegue ver claramente onde melhorar, onde evoluir, comparar treinos, monitorar sua cadência, ter acesso a treinos prontos, entre outras e será um ótimo instrumento de evolução para você! Corra e compre o seu!

TOP 10: A minha ultima dica: Respeite seu limite. O corpo é muito inteligente e te avisa. Está cansada, ele avisa para você descansar, esta com dor, ele grita pra você, precisa hidratar, ele te da um toque, então a dica mais importante das 10, é essa. Se você respeitar seu limite, escutar seu corpo, você conseguirá correr com qualidade e longevidade para evoluir, não machucar, alcançar seus objetivos e poder usar seu Garmin, seu tênis, suas roupas e viajar o mundo, conhecer pessoas e surfar nas ondas da corrida de rua.

Fico por aqui, e espero que aproveitem essas dicas valiosas que separei para vocês com carinho, e baseado no que tenho visto nos últimos anos da minha experiência e estudos em corredores!

Até mais.. RUNNERS.

Por: Felippe Ribeiro

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Biomêcanica da Corrida

Tipos de pisada e como identificar a sua para escolher o tênis ideal

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Ao praticar atividades físicas, especialmente corrida, é fundamental escolher um tênis adequado para o seu tipo de pisada. A pisada refere-se à forma como o pé toca o solo durante o movimento, podendo variar de pessoa para pessoa. Nesta matéria, vamos explorar os diferentes tipos de pisada e apresentar algumas dicas para identificar a sua pisada, ajudando você a fazer a escolha certa na hora de comprar um tênis.

O que é a pisada:

A pisada é o movimento realizado pelos pés ao tocar o solo durante a caminhada ou a corrida. É um processo natural que envolve a absorção de impacto e a propulsão para impulsionar o corpo adiante. Existem três tipos básicos de pisada: pronada, neutra e supinada.

Pronação:

A pronação ocorre quando o pé inclina para dentro após o contato com o solo. Nesse tipo de pisada, a parte interna do pé recebe uma carga maior durante a passada. Indivíduos pronadores tendem a desgastar a região interna do solado do tênis. É comum em pessoas com arcos baixos ou pés planos.

Neutra:

A pisada neutra é considerada a mais equilibrada e eficiente. Nesse caso, o pé toca o solo de forma uniforme, distribuindo o impacto de maneira mais equilibrada. A região central do solado do tênis é mais desgastada em pessoas com pisada neutra.

Supinação:

A supinação ocorre quando o pé inclina para fora após o contato com o solo. Nesse tipo de pisada, a carga é distribuída predominantemente na parte externa do pé. Pessoas com arcos altos geralmente possuem uma pisada supinada. O desgaste do tênis costuma ocorrer na área externa do solado.

Como identificar sua pisada:

Existem algumas maneiras de identificar o seu tipo de pisada. A seguir, estão três métodos comumente utilizados:

a) Análise visual: Uma forma simples é observar o desgaste da sola dos seus tênis mais antigos. Se a parte interna estiver mais gasta, é provável que você tenha uma pisada pronada. Se o desgaste for no centro, sua pisada é neutra. Já se a parte externa estiver mais desgastada, sua pisada é supinada.

b) Teste do papel: Molhe levemente os pés e pise em uma superfície plana, como um papel pardo. Observe a marca deixada pelos pés. Se a marca mostrar uma curva acentuada para dentro, indica pisada pronada. Se a marca mostrar uma curva moderada ou quase reta, é uma pisada neutra. Se a curva for para fora, indica supinação.

c) Avaliação profissional: Consultar um especialista em análise de pisada, como um podólogo ou fisioterapeuta, pode fornecer uma avaliação mais precisa e completa do seu tipo de pisada. Eles podem utilizar equipamentos específicos, como plataformas de pressão, para identificar a distribuição do peso durante o movimento.

Conclusão:

Conhecer o seu tipo de pisada é fundamental para escolher o tênis adequado e garantir maior conforto e segurança durante a prática de atividades físicas. A pronação, a pisada neutra e a supinação são os principais tipos de pisada. Utilize os métodos de identificação apresentados nesta matéria para descobrir o seu tipo de pisada e, assim, fazer uma escolha informada ao comprar um tênis. Lembre-se também de que a consulta a um profissional especializado pode ser muito útil para uma análise mais precisa e personalizada. Cuide dos seus pés e aproveite ao máximo suas atividades físicas!

Por: Redação Runners Brasil

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O Efeito gangorra! O que é?

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Esse é o nome da única hipótese que atualmente explica biomecanicamente, o por quê os tênis de placa de carbono melhoram sua performance!

Alguns prefere pensar em um efeito similar a de catapulta ou de uma colher!

Então DESCE

Durante a fase de apoio da pisada no tênis de placa de carbono, o ponto de aplicação da força é deslocado para frente, fazendo com que a placa, com toda a sua rigidez e curvatura, responde verticalmente para cima no calcanhar, promovendo uma diminuição do gasto de energia, e uma energia extra para a propulsão.

Note no slide a aplicação da força do corredor (seta preta) na parte da frente do tênis e a força de reação vertical no calcanhar (seta vermelha) durante o apoio médio (à esquerda) e na propulsão (à direita). O deslocamento do ponto de aplicação de força, da região dos metatarsos (abaixo dos dedos dos pés) para os dedos (circulo vazio e pontilhado, para circulo cheio) demonstra o efeito gangorra, onde a placa projeta o calcanhar para cima.

Benno Nigg relata que é preciso alguns pré requisitos para que isso aconteça como:

Uma curvatura adequada da placa de carbono, principalmente na região do antepé (parte da frente).

Ponto de pivô (caracterizador do efeito gangorra), não pode ser localizado tão à frente do tênis, fazendo com que o próprio tênis seja o eixo da alavanca.

A rigidez da placa de carbono deve ser o suficiente para que a força de reação do solo ocorra na região do antepé da placa, durante o contato com o solo.

Nesse editorial os autores citam estudos afirmando que a borracha da entressola aumentada para que se acople uma placa de carbono mais curvada, contribui com somente 1% deste ganho, coisa que a fabricante mais conhecida relata como a melhora do desempenho, porém de 3 a 5 % de melhora da economia de corrida, vem desse “efeito gangorra” promovido pela placa.

ATENÇÃO !

Tudo isso ainda precisa ser testado para descobrir se os cálculos biomecânicos propostos realmente quantificam o efeito proposto na economia de corrida em todas as situações.

Aguardemos novas evidências

Por: Felippe Ribeiro

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