Minha história com a corrida – Liana

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Meu nome é Liana V. Michelon Martins, 35 anos, psicóloga, mãe e esposa.

Contarei agora um pouco sobre a minha relação com o esporte e atividade física, que é de longa data.

                Desde o período escolar, participava de equipes para competições interescolares, por anos fiz parte da equipe de handebol e disputávamos campeonatos regionais.

                Na adolescência, enquanto os amigos se encontravam para se divertir eu preferia ir para o clube da cidade para praticar a “minha paixão” da época: Natação. Naquele período os treinos eram mais intensos, cerca de 4 horas diárias, com foco nas mais diversas competições em outros municípios aqui no Paraná.

                Com o passar dos anos, foram surgindo outras prioridades como estudo, faculdade, pós-graduação, especialização, vida profissional, casamento e filhos. O esporte acabou ficou esquecido durante um período da minha vida. Após as gestações procurei aulas de ginástica para voltar ao meu peso ideal, sempre determinada com o exercício e com a alimentação, atingindo novamente a forma física esperada.

                Meu marido trabalha em uma faculdade, e esta, através de uma grande equipe, tiveram a iniciativa de promover a primeira corrida de rua noturna da região em 2015. Ele participou da organização e ficou encantado com tudo o que pode presenciar, e me disse na noite do evento: “Vamos treinar porque na próxima Night Run vamos correr também!”. Achei aquilo uma loucura, e tentava imaginar como conseguiria correr como aquelas pessoas?

                Eis que logo após esse evento, iniciamos os treinos. No início com baixa intensidade, pois meu marido estava muito acima do peso, e eu sentia dificuldades na respiração (a temida dor do lado). Contudo, com o passar do tempo, o aumento do desempenho e também das distâncias de forma gradual, nos motivavam. Através do aplicativo de corrida, alguns amigos me acompanhavam e me incentivavam, dizendo que estava muito bem.

                O tempo foi passando, os treinos de corrida de rua e na academia para o fortalecimento muscular, eram ainda mais regrados e apaixonantes.

                Chega o dia da prova da faculdade 05/11/2016, da corrida noturna que havíamos colocado como desafio. Inscrita para correr os 5 km, tinha um único objetivo, concluir a prova sem precisar caminhar. Largamos lá no fundão, no meio da galera. Coração disparado, mistura de sentimentos e curtindo cada momento com a família e amigos que também participavam daquele momento.

                Para minha surpresa, terminei esta prova sorrindo, muito feliz, com fôlego e respiração controlados. Resultado bom para quem não tinha nenhuma pretensão de classificação, conclui os 5 km em 27 minutos, com a sensação de que eu poderia mais, que ainda poderia melhorar.

                Foi através deste sentimento que procurei uma assessoria em corrida, passando a treinar com planilhas e acompanhamento de um profissional.

                Após isso, com os treinamentos regrados e organizados no dia a dia, estava sempre em evolução.

                Logo em seguida participei de outra prova na cidade onde cresci, ficando em quarto lugar na classificação geral. Fui me empolgando, gostando da sensação de prazer e superação e mais e mais provas. As primeiras posições na classificação geral não estavam nos planos, mas acabaram acontecendo dali em diante.

                Tudo estava tão perfeito, os treinos e os amigos que a corrida trouxe para minha vida e convívio social. Para melhorar, houve uma identificação à primeira vista com a minha amiga, minha dupla e parceira de treino. Com o tempo a amizade e carinho só foram aumentando e os treinos juntas foram se tornando cada vez mais prazerosos. Passamos a fazer planos como cruzar a linha de chegada juntas, correr uma meia maratona, entre outros.

                Algumas pessoas dizem que é sorte, outras que a genética me favorece. Tenho certeza que o fator primordial é gostar, sentir prazer em treinar. Para mim, o melhor momento do dia é quando coloco meu shorts e tênis e vou correr. É o meu momento. Nunca foi sorte, sempre foi treino!

                Em agosto deste ano, quando provavelmente eu estava na minha melhor forma física, em uma semana de treinamentos mais intensos senti dores durante um treino de tiro. No início era uma dor parecida com cólica e irradiava para a virilha. Quando parei, estava mancando, como muita dor no posterior da coxa direita.

                Suspendi os treinos, a dor persistiu e procurei um ortopedista.

                Na ocasião, o médico já orientou repouso total de 15 dias. Primeiramente sugerindo um estiramento muscular.

                Foram longos 15 dias, quase que torturantes. Me angustiava por não poder praticar a atividade que tanto me fazia bem, que me trazia bem-estar e convívio com amigos. Contudo, estava focada na recuperação e determinada a seguir as orientações médicas em intensificar a fisioterapia, já que antes da lesão, estava focada em 3 provas que aconteceriam no mês de outubro de 2017, inclusive a que me trouxe para a corrida, a prova noturna da faculdade, pois naquele momento, pensava em bons resultados.

                Tentava voltar aos poucos à rotina de treinos, pois ainda sentia dores. Intensificando a rotina, precisei voltar ao médico, uma vez que o desconforto e dores não sessavam. Novamente veio a orientação para parar com os treinos até que a ressonância magnética fosse realizada.

                A ansiedade tomava conta para ver o laudo do exame, que veio alguns dias após. Lá dizia: “fratura do ísquio, por stress”. Após ler isso, tive a certeza que o médico iria me pedir para encerrar “de uma vez por todas” a minha vida “running”. Naquela noite não dormi e confesso que chorei muito. Ainda bem que sempre tive o apoio e compreensão do meu marido que sempre esteve ao meu lado me confortando, assim como do professor e amigos do nosso grupo de corridas.

                Levei o laudo para o médico e ele me tranquilizou, disse que eu já havia feito o tempo de repouso e orientou para a continuidade dos tratamentos.

                Conversei com meu professor, e continuei com as sessões de fisioterapia e fortalecimento muscular. Logo em seguida, voltei aos treinos leves e graduais.

                O mês de outubro chegou e com ele as tão esperadas provas. Dia 21 foi a noturna da faculdade, àquela que eu tanto queria estar preparada. Porém o único sentimento era de insegurança, pois não sabia como seria o meu desempenho.

                Naquele sábado 21, choveu intensamente durante o dia todo, mas a prova ocorreu segundo o planejado. Em meus pensamentos só pretendia fazer o melhor que eu pudesse já que não estava treinando como esperava, desde a lesão de agosto.

                Aquecimentos, alongamento e fomos para a largada, eu e minha amiga. A chuva diminuía e a sensação de bem-estar aumentava.

                Durante as provas, tenho a impressão de ficar em outra dimensão, as vezes até esqueço por onde passei. Mas nessa, a lembrança primordial é de estar me sentindo bem, sem dor e respiração ritmada. Na altura do 4km, em uma descida, voltei a sentir a lesão. Faltava pouco, menos de 1 km para a chegada e eu era a primeira colocada. Meu professor me acompanhou nestes últimos metros, incentivando e dando forças. Para minha felicidade conclui a prova em primeiro lugar geral dos 5 km com o tempo de 20’ 43’’. Foi muito bom, sensação única de superação. E para completar o momento mágico recebi o troféu do meu marido que tanto me incentivou.

                Na semana seguinte outra prova. Essa fui convicta a me divertir e correr mais tranquila, não forçar o ritmo. E foi isso que aconteceu. Prova maravilhosa com a família e os amigos, só felicidade!

 É isso que o esporte me proporciona. Momentos de profunda emoção e diversão.

Sigo com os tratamentos já que a dor ainda me atrapalha, mas com a certeza de minha total recuperação e cheia de planos para 2018.

Instagram: lianamichelon

Minha história com a corrida

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