Minha história com a corrida – Simoniely Serathiuk

foto minha história com a corrida

Me chamo Simoniely Serathiuk e vou contar duas histórias, uma sobre minha história com a corrida e outro relatando minha primeira meia maratona.

Sempre tive interesse pelo esporte. No colégio, fazia de tudo. Contudo, a corrida não estava nesse rol de atividades. Achava que era um sofrimento desnecessário e sem causa.

Quando entrei na faculdade, deixei o esporte de lado e isso se manteve quando me formei e comecei a trabalhar período integral. Chegou um tempo, porém, que sentia a falta de algo para me comprometer. Para a vida não ser somente trabalho. Nessa fase, conheci meu esposo e, no namorico inicial, ele me contou de sua vida  tão ativa e de sua história enquanto corredor. Fiquei um pouco envergonhada pois não fazia nada e aquilo foi o estopim.

Em maio de 2016 comecei a fazer aulas  de funcional em um clube de corrida, o Cobra, e vi que levava jeito para a corrida. Passei a me dedicar e comecei a entrar na casa dos quilômetros. Me empolguei tanto que comprei tênis caro, fiz inscrição de prova de corrida e, 3 semanas depois estava lesionada. Não conseguia correr, porém também não tratava direito.

No dia 25 de junho fiz a prova, por  teimosia, me arrastando. Foram 5 km de pura dor. Depois disso, parei completamente por mais de um mês. Quando retorne fui direto para uma prova cheia de subidas e, lógico, sofri um monte. Mas, pela primeira vez, gostei de sofrer. A adrenalina gerada compensou tudo e comecei a entender que a corrida era algo muito maior.

A partir de então comecei a correr de vez em quando, sem qualquer metodologia, e fazer provas. O primeiro pódio veio em setembro de 2016 quando já estava sem dor e resolvi correr com toda força que tivesse. Foram 5 km em 23 m. não acreditava que era capaz de, um dia, receber um troféu.  Foi ai que o “bichinho” da corrida me picou de vez.

Passei a me dedicar mais, ainda sem treinar ordenadamente pois encontrava bastante dificuldade de conciliar trabalho, corrida e musculação. Fazia provas de 5km e estava melhorando meu tempo e subindo várias vezes ao pódio. Já queria fazer todas as provas que apareciam pelo caminho, primava pela competição e não pela preparação.

Aos poucos fui me ajeitando, me adaptando e neste ano resolvi levar a corrida como um compromisso, assim como o trabalho. Não há como evoluir somente correndo quando dá vontade. Em março adentrei na Associação dos Corredores de Maringá, a Acorremar e passei a ter planilha e uma pista para treinar. Encontrei referências e fui evoluindo em distância e tempo. No começo foquei em provas de 10 km, minha meta era fazer abaixo de 45 minutos.

Com dois meses de treino fiz a Tiradentes, tradicional na minha cidade e consegui o tempo de 42;03 para os 10 000m. Nesse momento percebi o quanto a preparação é fundamental e o quanto é estimulante e revigorante ter uma prova alvo.

Ter um foco ensina muito. Passei a confiar mais no planejamento, no treinamento, aprendi a controlar um pouco mais a ansiedade e a ser mais dedicada. Há aqueles que dizem que “gastar” tanto tempo com a corrida é perca de tempo. Ledo engano, se você permitir a  corrida te transforma e te ajuda a ser uma pessoa e um profissional melhor.

Nos treinos na acorremar descobri minha paixão por distâncias mais longas e me encontrei na meia maratona.  Fiz a minha primeira na cidade de Curitiba, em 25 de junho de 2017, exatamente um ano após a minha primeira prova. Um ano em que errei, aprendi, negligenciei, evolui…aprendi o real significado da corrida. A minha estreia em meia foi muito especial para mim. Sonhava em fazer abaixo de 1 hora e 35 minutos. Mas fui agraciada e recompensada com uma grande prova, ao lado do meu esposo, também estreante, disputando a primeira colocação geral, com a moto me acompanhando e com a satisfação de terminar com o tempo de 1h e 31 m completados antes de cair no abraço apertado do meu esposo, que terminará a prova 30 segundos antes.

Pensando na minha história com a corrida tenho algumas reflexões com fundo de dicas a fazer. Inicialmente correr não é só correr, não se você quiser evoluir bastante. É preciso organizar os treinos de forma com que eles se complementem. O fortalecimento é primordial e não pode ser negligenciado, eu fiz isso e passei a sentir dores.

Nem todo dia é dia de correr forte, haverá dias para desenvolver velocidade nos famosos treinos de tiro ou intervalados e também aqueles leves em que não importa pace e sim o ganho de condicionamento e há também o dia de percorrer distâncias maiores. Tudo ordenado colabora muito para a evolução. Uma alimentação saudável também colabora muito e um tratamento preventivo com fisioterapeuta são excelentes diferenciais

Eu errei por querer evoluir rápido demais. Realmente evolui, porém meu corpo não aguentou tanta carga. Hoje penso diferente, opto por escolher provas e priorizar o treinamento e também escutar mais meu corpo. Como adoro provas mais longas, me reorganizarei para a temporada que vem.

Dia 24 de setembro tenho minha última prova do ano. A maratona de revezamento que farei com meu esposo em Foz do Iguaçu. Novamente serão 21 km em um percurso muito desafiador. Pelo meu excesso de vontade, tive que diminuir a intensidade faltando 4 semanas para a prova. A canelite me pegou de jeito hehe e tive que me reorganizar totalmente.

Nessa reorganização aprendi a utilizar novos mecanismos de treino, a bicicleta, a natação. Passei a valorizar uma boa grama e a fisioterapia. Achei tempo para fazer tanto gelo quanto necessário e percebi que, mesmo quando não estamos bem, precisamos nos adaptar e dar sequencia a aquilo que nos propomos. E espero que tenha um ótimo relato sobre essa prova para contar, pois meu treinamento para ela me transformou e me deixa orgulhosa.

Minha história com a corrida  é também transformadora. Me sinto muito mais forte mentalmente, muito mais obstinada, compromissada e feliz. Não gasto horas correndo, eu ganho. Ganho a parceria com meu esposo, a companhia de pessoas admiráveis, qualidade de vida e muitas boas histórias para contar.

A maior dica que dou é permita-se. Permita-se correr, sair da zona de conforto, ter novas experiências, motivar e ser motivado. Cuide da sua vida e da sua corrida com respeito e a evolução será consequência. E o mais importante, atleta não é só aquele que busca e alcança os melhores tempos e si aquele que se dedica da forma que pode.

Instagram: diario.de.corredora

Minha história com a corrida

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